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O ENSINO DE GRADUAÇÃO DE ZOOLOGIA

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que acompanha a vida de grupos e indivíduos e 
ocorre processo de interação, principalmente em espaços de ações coletivas podendo 
ser na mídia, em especial a eletrônica. Há na educação não-formal uma 
intencionalidade na ação, podendo ter a troca de saberes. Esse tipo de educação pode 
ser considerado não-formal, já que reúne tais características e para aqueles que se 
interessam, existe a troca de saberes. 
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Dentre os enfoques dados no ensino de graduação de Zoologia, os que mais 
apareceram nos documentários analisados foram: origem do animal, evolução, 
adaptações morfológicas aos diferentes hábitats e ambientes e comportamento animal. 
Esses assuntos também são encontrados na bibliografia utilizada em nível superior 
como consta no livro de Hildebrand e Goslow (2006) no qual aborda aspectos da 
biologia dos cordados, com ênfase nos vertebrados. Souza (2006), ainda neste livro, 
afirma sobre a importância da descrição das estruturas no momento da apresentação 
de um grupo, alegando que o conhecimento é precedido de interpretação. No filme “A 
vida animal” tais aspectos puderam ser observados no momento da descrição do 
coração e crânio dos mamíferos, contribuindo assim, para um processo importante no 
aprendizado do aluno, como afirma a autora. 
Em relação aos invertebrados, Brusca e Brusca (2007) também dá foco para as 
relações evolutivas dos diferentes grupos de invertebrados, mostrando que se deve ter 
uma maior diversificação dentre os tais para uma assim haver uma melhor didática. No 
vídeo da BBC, foi verificada essa diversidade citada pelos autores, na qual mostrou 
diferentes grupos de animais e seus respectivos comportamentos assim como o 
processo evolutivo de alguns. 
Nos vídeos analisados foi identificada uma integração dos diferentes níveis da 
biologia, compreendendo os aspectos evolutivos, a fisiologia e comportamento animal e 
o ecossistema. A respeito disso, Zupanc (2008) mostra que essa integração permite à 
Zoologia um papel diferente e crítico em comparação a outras matérias que se limitam a 
poucas observações e modelos no momento de resolução de problemas. 
Gil (1997) evidencia vantagens e desvantagens da utilização desse tipo de 
recurso em aula de ensino superior e assim como ele, Moran (2005) destaca a 
importância e relevância da comunicação visual no papel educacional. Em relação às 
imagens, os vídeos analisados apresentavam-nas muito detalhadas nas quais, por 
exemplo, mostravam a relação da morfologia dos bicos das aves com os hábitos 
alimentares do animal em questão ou então, como no vídeo da BBC, cujas imagens 
mostravam comportamentos que não são possíveis de se observar sem equipamentos 
oculares, como por exemplo, o inseto “rabo de mola” o qual é invisível a olho nu, mas 
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que em um metro quadrado pode conter mais de 10 000 indivíduos, ou seja, a partir do 
detalhamento das imagens, é dada uma percepção ampla. Essa utilização de imagens, 
em sala de aula, pode ter relevância dependendo do assunto que se pretende trabalhar. 
A respeito das imagens, Moran (2005) ainda afirma que o mundo 
contemporâneo está submerso em um universo em que o aspecto visual é 
preponderante e diante disso, não podemos nos restringir ao texto verbal escrito, 
embora este seja imprescindível. Hickman et. al. (2004) destaca sobre a relevância do 
texto escrito, mostrando uma preocupação com a linguagem científica, pois afirma que 
é importante o aluno desenvolver um vocabulário e se familiarizar com os termos 
utilizados. 
Durante a análise dos vídeos, em particular do “A vida animal” foi observada 
uma linguagem inapropriada, na qual muitas vezes o narrador utilizava termos pouco 
técnicos e errôneos como, por exemplo, ao retratar a reprodução dos mamíferos, 
utilizou a nomenclatura de mamíferos “primitivos” e “modernos”, porém não evidenciou 
qual foi o pré-requisito utilizado para caracterizar os animais dentro desses termos. 
Outro erro encontrado também foi a respeito das serpentes. Durante toda a narração 
referente a este tipo de animal, foi utilizada a nomenclatura “cobras” não considerando 
que essa denominação é referente à família Cobridae e não a subordem Ophidea, 
sendo o termo serpentes o correto para designar esse grupo. Retomando as ideias de 
Hickman et. al. (2004) a respeito da linguagem científica, evidencia-se que o vídeo em 
questão analisado não teve a devida preocupação com os termos técnicos, podendo 
prejudicar a aprendizagem, já que os alunos não se familiarizarão com a forma correta 
do vocabulário. 
Algumas expressões também foram utilizadas, por exemplo, ao expor que a 
baleia era semelhante a um peixe, ou então ao dizer que os anfíbios parecem com 
peixes fora d’água comparando, inclusive, a locomoção destes alegando que a do 
anfíbio em terra, parece com o peixe nadando. 
Em relação às expressões, algumas foram identificadas como não adequadas 
com o contexto apresentado como as seguintes frases: “a tartaruga verde apresenta 
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uma forma aerodinâmica para a natação”; “as asas dos pinguins permitem, literalmente, 
voar embaixo d’água”; “as gaivotas sentem-se em casa tanto no ar, quanto no solo e 
água e os mamíferos são os animais mais disseminados na Terra”. 
Outros conceitos explorados ao longo da narração apresentaram contradições 
quanto aos grupos em que eram abordados, por exemplo, ao retratar os répteis, o 
narrador mencionou que eles eram os primeiros vertebrados terrestres, porém ao falar 
dos anfíbios, também evidenciou que estes eram os mais primitivos dos animais 
terrestres. 
Os erros apresentados com relação às contradições e expressões mal 
elaboradas podem decorrer, possivelmente, de um erro no momento da tradução, já 
que o vídeo é norte-americano e apresenta um idioma diferente que pode ocasionar 
disparidades ao ser traduzido. 
Esses erros, em uma concepção de ensino tradicional, tendem a ser passados 
aos alunos sem que ocorra um questionamento a respeito, pois de acordo com 
Mizukami (1986), o ensino é centrado no professor sendo o aluno um receptor passivo 
das informações que recebe, executando aquilo que o professor transmite, portanto os 
alunos tendem a receber o conhecimento da forma em que é passado sem ter a 
autonomia de questioná-lo. Tais erros também podem provocar, da maneira como são 
passados os vídeos, uma memorização dos conceitos errôneos trabalhados, pois esta é 
característica de um ensino tradicional assim como também aborda a autora. 
No tipo de ensino descrito acima, o professor é colocado como mero 
transmissor das informações, e não mediador. Na abordagem construtivista, assim 
como afirma Mauri (2006), o professor tem o papel de ajudar os alunos durante seu 
processo de elaboração pessoal de conhecimento, garantindo que as relações entre o 
próprio conhecimento e o conteúdo a ser aprendido sejam relevantes. Transpondo para 
uma aula, os vídeos poderiam ser melhores discutidos quanto aos erros que 
apresentam, havendo, pelo professor, o papel de mediador, identificando erros e 
trabalhando com os mesmos para a otimização do processo de ensino e aprendizagem; 
ou até mesmo, numa proposta alternativa, o professor agir como mediador no sentido 
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de fazer com que os próprios alguns identifiquem os erros e façam análises e 
discussões a partir destes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 O trabalho apresentou a utilização dos recursos audiovisuais tradicionais como 
complemento ou como uma possível ferramenta de trabalho a qual pode ser utilizada 
pelo docente. 
 Através do referencial teórico estudado, foi aqui evidenciada a riqueza que