NEUROPATIA PERIFERICA
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NEUROPATIA PERIFERICA


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NEUROPATIAS
Neuropatia periférica refere-se a um dano no sistema nervoso periférico, ou seja, uma vasta rede de nervos que transmite informações do encéfalo e medula (sistema nervoso central) para o resto do corpo. Nervos periféricos também trazem informação quanto a sensibilidade para o sistema nervoso central, por exemplo, quão frios estão os pés ou se um dedo está queimando. Qualquer dano ao sistema nervoso periférico interfere com essas conexões vitais. Tal qual uma estática numa ligação telefônica, a neuropatia periférica distorce e algumas vezes até interrompe as mensagens trocadas entre sistema nervoso central e a periferia do organismo.
Como cada nervo tem uma função altamente especializada em cada lugar do corpo, um vasta gama de sintomas podem ocorrer quando os nervos são atingidos. Algumas pessoas podem queixar-se de formigamento temporário (\u201cparestesia\u201d), sensação de agulhas perfurando corpo, choques ou queimação, bem como fraqueza da musculatura. Alguns podem se queixar de queimação (especialmente à noite), paralisia muscular, até disfunção endócrina. Sintomas do tipo dificuldade para digestão, oscilação da pressão arterial, alterações no suor ou disfunção sexual podem estar presentes. Em casos extremos, a respiração pode ficar dificultada ou lesão em órgãos internos.
Algumas formas de neuropatia podem danificar apenas alguns nervos, e são chamadas de \u201cneuropatias\u201d. Mais freqüentemente, múltiplos nervos em diferentes membros estão atingidos simetricamente, causando a \u201cpolineuropatia\u201d. Às vezes, dois ou mais nervos são isoladamente afetados, em diferentes tempos, em diferentes áreas, configurando a \u201cmononeurite múltipla\u201d.
Nas neuropatias agudas, do tipo polirradiculoneurite, os sintomas aparecem subitamente, são rapidamente progressivos e com resolução lenta. Nas formas crônicas, os sintomas começam insidiosamente, com progressão muito lenta. Alguns pacientes percebem períodos de agudização seguidos de melhora. Outros podem atingir um estágio de estabilização, onde os sintomas ficam estáveis por meses a anos. Algumas neuropatias crônicas pioram com o tempo, porém poucas formas mostram-se fatais. Ocasionalmente, a neuropatia é sintoma de outras doenças sistêmicas.
Nas formas mais comuns de polineuropatia, as fibras nervosas (células individuais que constituem o nervo) mais distantes do cérebro e medular são as primeiras a serem atingidas. Dor e outros sintomas aparecem simetricamente; por exemplo, é comum a sensação de formigamento iniciar-se nos pés e ascender para as pernas. Evolutivamente, os dedos das mãos, mãos e braços podem ser atingidos, e os sintomas podem se estender até a região central do corpo. Muitos pacientes diabéticos experimentam esse padrão de dano ascendente.
Como as neuropatias periféricas são classificadas?
Mais do que cem tipos diferentes de neuropatia foram identificadas, cada uma com suas características próprias: instalação dos sintomas, evolução, prognóstico. Os sintomas irão depender de qual tipo de nervo foi acometido: motor, sensitivo ou autonômico. Nervos motores controlam movimentos de todos os músculos sob controle consciente, tais como aqueles usados para andar, agarrar ou falar. Nervos sensitivos transmitem informação sobre experiência sensorial, tais como a sensação de um corte na pele ou um toque leve. Nervos autonômicos regulam atividades biológicas as quais não são controláveis de forma consciente, do tipo respiração, digestão, freqüência cardíaca, piloereção. Algumas neuropatias podem afetar os 3 tipos de nervos, outros afetam apenas um ou dois tipos. Portanto, a medicina utiliza termos como \u201cneuropatia predominantemente motora\u201d, \u201cpredominantemente sensitiva\u201d, \u201cneuropatia sensitivo-motora\u201d ou \u201cneuropatia autonômica\u201d para descrever o quadro clínico do paciente.
Quais são os sintomas da neuropatia periférica?
Sintomas são relacionados ao tipo de nervo afetado e podem acometer ao paciente num espaço de dias, meses ou anos. A fraqueza muscular é o sintoma mais comum das neuropatias. Outros sintomas podem ser câimbras dolorosas, fasciculações (tremor incontrolável visível dos músculos), atrofia muscular, degeneração óssea, alterações em pele, pelos e unhas. Essas lesões degenerativas também podem resultar de alterações sensitivas ou autonômicas.
Lesão dos nervos sensitivos pode causar os mais variados sintomas, uma vez que estes nervos são responsáveis por funções extremamente especializadas. As fibras mais grossas, cobertas por mielina (proteína que encobre e isola muitos nervos) registram sensação de vibração e tato, resultando em parestesias, especialmente nas mãos e pés. É freqüente a sensação de "estar usando luvas e meias", principalmente à noite. Muitos pacientes não reconhecem o toque de pequenos objetos ou não conseguem distinguir formas pelo tato. Lesão neste tipo de fibras pode contribuir para perda de reflexos (bem como as lesões em nervos motores). Perda da sensibilidade da posição das articulações torna os pacientes incapazes de coordenar movimentos complexos do tipo andar, abotoar ou manter-se em pé de olhos fechados. Dor neuropática é um evento de difícil controle e pode acometer a esfera psico-afetiva e, conseqüentemente, a qualidade de vida. Dor neuropática usualmente piora à noite, interfere na arquitetura de sono, com sensação de fadiga matinal, adicionando sofrimento psíquico à lesão nervosa.
Fibras mais finas, amielínicas, transmitem sensação de dor e temperatura. Lesão neste tipo de fibra pode interferir com a capacidade de sentir dores ou mudanças na temperatura. É comum lesões banais transformarem-se em graves feridas devido a infecção, absolutamente assintomáticas. Outros pacientes podem não sentir dores relacionadas a dor isquêmica cardíaca ou outras condições agudas. Perda de sensibilidade é um problema particularmente sério em pacientes diabéticos, contribuindo para alta incidência de amputações nesta população. Receptores de dor na pela podem ficar hiper-sensíveis, causando dores intensas e insuportáveis, estimulados por estímulos banais indolores (do tipo peso dos lençóis ou sopro). É a chamada "alodínia".
Sintomas secundários a lesão autonômica são diversos e dependes de quais órgãos ou glândulas forem afetadas. Disfunção autonômica pode se tornar uma ameaça à vida e pode necessitar atendimento de urgência em casos de prejuízo respiratório ou arritmias. Sintomas comuns de disautonomia são: dificuldade para controle da sudorese, com intolerância a calor; perda de controle urinário; alterações da pressão arterial, causando tonturas de repetição e até perdas de consciência de repetição. Sintomas gastrointestinais freqüentemente acompanham neuropatias autonômicas. disfunção da musculatura intestinal leva a diarréia, obstipação ou incontinência fecal. Algumas pessoas podem ter dificuldades para se alimentar ou deglutir se alguns nervos autonômicos estiverem afetados.
Quais são as causas da Neuropatia Periférica?
Neuropatia periférica pode ter causas congênitas ou adquiridas. Causas de neuropatia adquirida incluem trauma direto, tumores, toxinas, doenças auto-imunes, deficiências nutricionais, alcoolismo, doenças metabólicas ou vasculares.
As neuropatias adquiridas são dividas em 3 grandes grupos: aquelas causadas por doenças sistêmicas, por traumatismo e aquelas causadas por doenças infecciosas ou auto-imunes que afetem tecido nervoso. Um exemplo de neuropatia adquirida é a "neuralgia de trigêmeo" (também conhecida como "tique doloroso"), na qual lesão ao nervo trigêmeo (o maior nervo da face) causa ataques de dores importantes, semelhantes a um choque, em um lado da face. Em alguns casos, a causa é uma infecção viral prévia, pressão sobre o nervo causada pela presença de um tumor ou vaso ou, mais raramente, secundária a esclerose múltipla. Em muitos casos, entretanto, a causa específica não pode ser determinada (causa "idiopática").
Trauma é causa mais comum de lesão a um nervo. Lesão por trauma súbito, do tipo acidente automobilístico, quedas, atividades esportivas, podem causar grave compressão, rompimento