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NEUROPATIA PERIFERICA

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ou estiramento, principalmente à altura das raízes dos nervos, ponto de conexão com a medula. Lesões menos dramáticas também podem causar danos sérios aos nervos. Ossos quebrados ou deslocados podem exercer pressão nos nervos vizinhos, bem como discos intervertebrais podem comprimir fibras nervosas que emergem da coluna.
Doenças sistêmicas, ou seja, doenças que acometem várias partes do organismo, freqüentemente causam neuropatia. Podem incluir:
-Doenças metabólicas e endocrinológicas: O tecido nervoso é altamente vulnerável a doenças que acometem a capacidade do organismo em transformar nutrientes em energia ou excreção de substâncias tóxicas. Diabetes mellitus, caracterizada por níveis crônicos elevados de glicose no sangue, é a causa principal de neuropatia periférica nos Estados Unidos. Entre 60 a 70% dos pacientes diabéticos apresentam formas leves a moderadas de neuropatia. Doenças renais podem levar a acúmulo de substâncias tóxicas no sangue. A maioria dos pacientes sob diálise desenvolve polineuropatia. Algumas doenças hepáticas também produzem neuropatia como resultado de desbalanço químico. Distúrbios hormonais podem levar a alterações metabólicas e causar neuropatia. Por exemplo, a menor produção de hormônio tireoidiano leva a um retardo no metabolismo, retenção de fluidos e inchaço tecidual, causando pressão sobre os nervos. Excesso de produção do hormônio de crescimento (GH) leva a "acromegalia", condição caracterizada por crescimento anormal de muitas partes do esqueleto, incluindo as articulações. Nervos que trafegam perto destas articulações podem ficar aprisionados.
-Deficiências vitamínicas e alcoolismo podem causar dano tecidual. Vitamina E, B1, B6, B12 e niacina são essenciais para funcionamento neuronal. A deficiência de tiamina (B1), em particular, é comum entre alcoólatras devido a seus péssimos hábitos alimentares. A deficiência de tiamina pode causar neuropatia dolorosa das extremidades. Alguns pesquisadores acreditam que o excesso de álcool pode, por si, contribuir diretamente a uma lesão nervosa, condição chamada "neuropatia alcoólica".
-Lesão vascular levará a uma menor oxigenação do tecido do nervo, rapidamente acarretando a morte neuronal (assim como a falta de oxigênio leva ao acidente vascular cerebral no encéfalo). Diabetes freqüentemente leva a vasoconstrição. Várias formas de "vasculite" (inflamação dos vasos que irrigam os nervos) levam a edema tecidual. Esta categoria de lesão nervosa, na qual nervos isolados em diferentes áreas são danificados, chama-se "mononeuropatia múltipla" ou "mononeuropatia multifocal".
-Doenças do tecido conectivo e inflamação crônica podem lesar o nervo direta ou indiretamente. Quando múltiplas camadas do tecido que protegem os nervos tornam-se inflamadas, o próprio tecido nervoso pode ser acometido pela inflamação. Inflamação crônica leva a destruição progressiva do tecido conectivo, tornando os nervos mais vulneráveis a infecções e/ou compressões.
-Neoplasias malignas ou benignas podem se infiltrar ou exercer pressão sobre os nervos. Tumores podem se originar diretamente das células nervosas. Polineuropatia difusa é freqüentemente associada a neurofibromatose, doença genética que causa tumores benignos em múltiplos nervos. Neuromas são massas benignas de crescimento exagerado de tecido nervoso e que aparecem após qualquer lesão penetrante que atinja algum nervo. Causam intensa dor e podem acometer nervos vizinhos, levando a dano maior ainda e dor conseqüentemente maior. A formação de neuromas pode ser um dos elementos de uma condição neuropática mais grave, chamada "síndrome complexa de dor regional" ou "distrofia simpático-reflexa". Síndromes paraneoplásicas, um grupo de raras doenças degenerativas causadas por resposta imune secundária a tumores malignos, podem causar indiretamente lesões de troncos nervosos.
-Estresse de repetição freqüentemente causa neuropatia por compressão (aprisionamento). Lesões cumulativas podem ser conseqüência de movimentos repetitivos, forçados, que exijam flexão de algumas juntas por período prolongado. A irritação resultante pode causar uma inflamação em ligamentos, tendões e músculos, tornando-os inchados, comprimindo túneis por onde passam os nervos, entre estas estruturas. Tais lesões são mais comuns durante gravidez, provavelmente relacionadas a ganho de peso e retenção de fluido.
-Toxinas podem causar lesão nervosa. Exposição a metais pesados (arsênico, chumbo, mercúrio), drogas industriais ou toxinas ambientais freqüentemente desenvolvem neuropatias. Certos quimioterápicos, anticonvulsivantes, drogas antivirais e antibióticos incluem como efeito colateral o desenvolvimento de neuropatias, limitando seu uso a longo prazo.
-Infecções e doenças auto-imunes podem causar neuropatia periférica. Vírus e bactérias podem atacar tecidos nervosos, incluindo o vírus da Herpes, Herpes Zoster, Mononucleose Infecciosa, citomegalovírus (todos membros da mesma família). Estes vírus podem causar lesões graves aos nervos, causando dores em pontada ou em choque. A neuralgia pós-herpética freqüentemente ocorre depois da lesão dermatológica do Herpes e pode ser particularmente dolorosa. O vírus do HIV, causador da AIDS, também acomete o sistema nervoso periférico e central. O vírus pode causar diferentes formas de neuropatia, todas relacionadas ao grau de imunodeficiência. Polineuropatia dolorosa, rapidamente progressiva, afetando pés e mãos, pode ser o primeiro sinal clínico da infecção pelo HIV. A doença de Lyme, difteria e hanseníase são doenças causadas por bactérias; muitas vezes os sintomas neuropáticos iniciam-se semanas após o contágio.
Infecções bacterianas e virais podem causar lesão indireta nervosa através de uma condição chamada doença auto-imune, nas quais células do sistema imune produzem anticorpos que atacam o tecido do próprio paciente. Estes ataques causam destruição da bainha de mielina ou do axônio (parte do neurônio que se estende do corpo central do nervo até a sua porção mais periférica). Neuropatia inflamatória aguda desmielinizante, mais conhecida como doença de Guillain-Barré, pode levar a lesão motora, sensitiva ou autonômica. A maioria das pessoas consegue se recuperar desta síndrome, embora alguns casos graves possam ser fatais. Polineuropatia inflamatória crônica desmielinizante (PDIC), geralmente menos perigosa, deixa intactos as fibras autonômicas. Mononeuropatia multifocal é uma forma de neuropatia inflamatória que afetas as fibras motoras exclusivamente; pode ser aguda ou crônica
-Formas congênitas de neuropatia periférica são causadas por alterações no código genético ou por alterações mutacionais. Alguns erros genéticos levam a neuropatias leves, cujos sintomas começam apenas na fase adulta, com pouco acometimento. As neuropatias hereditárias mais graves iniciam-se mais precocemente.
A mais comum das neuropatias hereditárias são um grupo de doenças conhecidas como "doença de Charcot-Marie-Tooth". Esta neuropatia resulta de erro genético na produção de mielina. Marcadores clínicos da doença de Charcot-Marie-Tooth incluem fraqueza progressiva, atrofia dos músculos dos pés e pernas, alterações de marcha, perda dos reflexos e formigamento nos pés.
Como a Neuropatia pode ser diagnosticada?
O diagnóstico da Neuropatia Periférica normalmente é difícil porque os sintomas são variáveis. Um exame neurológico minucioso é necessário, além de um extenso histórico do paciente, principalmente no tocante a sintomas, ambiente de trabalho, hábitos sociais, exposição a agentes tóxicos, alcoolismo, fatores de risco para doenças infecciosas, além de antecedentes familiares.
O exame físico geral e testes relacionados podem revelar a presença de doenças sistêmicas que podem ser a origem da neuropatia. Testes sangüíneos podem detectar diabetes, deficiências vitamínicas, insuficiência hepática ou renal, outras doenças metabólicas e sinais de doença auto-imune.
O exame do líquido cefalorraquidiano, que envolve o cérebro e medula espinal, pode revelar anticorpos associados a neuropatias.

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