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SINTAXE II -aulas 1,2,3,4,5,6,7,8

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AULA 1
Profª. José Arnaldo Guimarães Filho
Revisitando conceitos de Sintaxe 
Nesta primeira aula, trataremos de conceitos como frase, oração, período. Para que possamos entender a que cada um desses conceitos equivale, vamos começar lendo alguns parágrafos que tratam de variação linguística.
“Que as línguas naturais não são homogêneas todo mundo sabe. Elas variam segundo parâmetros bem conhecidos: variam no tempo (donde o português arcaico, médio, moderno e contemporâneo), no espaço geográfico (donde o português europeu, africano, brasileiro), no espaço social (donde o português padrão, ou culto, e o português vernacular), e até no espaço individual (donde o português espontâneo e o formal, o de idosos e o dos jovens).
A pesquisa tem mostrado que qualquer um desses parâmetros pode ser detalhado. A dimensão geográfica do português brasileiro, por exemplo, compreende o português do Norte, do Nordeste e do Sul. Os pesquisadores ligados ao Projeto do Atlas Linguístico do Brasil têm comprovado isso. Basta consultar o sítio www.alib.ufba.br/.
Curiosamente, persiste entre nós a ideia de que a variedade padrão, a norma culta, escapa a essa heterogeneidade. Não é o que as pesquisas têm demonstrado.”
Fonte: Adaptado de Revista Língua.
Bem, contar verbos é uma forma de sabermos quantas orações temos. Isso porque a existência da oração está obrigatoriamente vinculada à existência de um verbo:
“A oração se caracteriza por ter uma palavra fundamental que é o verbo (ou sintagma verbal) [...]”.
Estruturas como tem mostrado, pode ser detalhado, têm comprovado e têm demonstrado são locuções verbais e, por isso, embora tenhamos 2 ou 3 verbos, contamos uma única vez.  
Observe, no entanto, que, em alguns casos, uma forma semelhante ao particípio, mas que não forma locução verbal. Nesses casos, temos o que se chama de 'adjetivo participial'. 
Esse adjetivo concorda com seu referente em gênero e número. Vejamos os exemplos a seguir:
Um integrante do grupo foi envolvido no escândalo.
Uma integrante do grupo foi envolvida no escândalo.
O que é período?
Já conversamos sobre oração e já sabemos como encontrá-la. Vale lembrar que a oração pode, também, ser chamada de frase verbal.
Simplificando essa definição, podemos dizer que um período é formado por uma ou mais orações.  
Tipos de períodos
Período simples
Formado por uma única oração, chamada de oração absoluta. Desse modo, um período simples só apresenta um verbo. Ex.:
Nós compramos um carro.
Eles saíram cedo da festa.
Período composto
É um período formado por mais de uma oração, que pode ser coordenada ou subordinada.
Independentemente das orações serem ligadas por coordenação ou por subordinação, ao unirmos duas orações temos uma intenção em termos de significado.
Período composto por coordenação 
Também chamado por Bechara (2000:48) de parataxe, reúne orações independentes, isto é, orações que não são função sintática uma da outra.
Ex.: Nós compramos um carro e demos de presente
Segundo a tradição gramatical, as orações coordenadas são independentes sintaticamente, porque possuem, internamente, todos os termos necessários à sua estrutura, uma não sendo função sintática da outra. 
Ex.: Nós compramos um carro.
       Nós demos o carro de presente.
Período composto por subordinação
Segundo a tradição gramatical, resulta em orações dependentes, isto é, em orações em que uma é função sintática da outra. 
 
Quando a oração tem um ou mais de seus termos sob a forma de oração subordinada é chamada de oração complexa. Em um período composto por subordinação, temos uma oração principal e uma oração subordinada a ela relacionada sintaticamente.
Vejamos as palavras de Bechara (idem: 462) sobre o processo de subordinação:
“Uma oração independente do ponto de vista sintático, que sozinha, considerada como unidade material, constitui um texto se este nela se resumir como em
A noite chegou, pode, pelo fenômeno de estruturação das camadas gramaticais conhecido por hipotaxe ou subordinação, passar a uma camada inferior e aí funcionar como pertença, como membro sintático de outra unidade;
O caçador percebeu que a noite chegou. 
[...]
Dizemos, então, que a unidade sintática que a noite chegou é uma oração subordinada. A gramática tradicional chama à unidade o caçador percebeu oração principal.”
Na subordinação, as orações não existem separadamente, porque uma não possui os termos ne­cessários a sua estrutura sintática; a outra não tem nexo isoladamente.
Vejamos o exemplo: Ele sabe que você estuda muito.
a) Ele sabe... (o quê?) é incompleta.
b) que você estuda muito. — só tem sentido como objeto direto da oração anterior.
Castilho cita Rojas Nieto (1970: 18-19) e afirma que “a coordenação é um procedimento combinatório de termos equivalentes, insertos no mesmo nível da estrutura hierárquica, que opera seja por simples justaposição, seja por meio de um elemento conectivo.” 
 Castilho (2010, 346) ainda acrescenta que “Do ponto de vista semântico, um elemento coordenado não modifica o outro, visto que não lhe dá qualquer contribuição de sentido”.  
Período composto por coordenação e subordinação
Período composto por coordenação e subordinação. Combina os dois tipos de período: Desejo que ela compre um carro e não chegue mais atrasada. 
 
Nesse tipo de período, para classificar as orações é preciso que se considere uma oração em relação às outras. Assim, teríamos:
Desejo: oração principal em relação à 2ª e à 3ª oração;
que ela compre uma carro: subordinada à 1ª e coordenada à 3ª oração;
e não chege mais atrasada.: subordinada à 1ª e coordenada à 2ª  oração.
Como devemos proceder para dividir um parágrafo?
Relembrando o que vimos em sintaxe do português I:
1.Observar a pontuação para saber quantos períodos temos: um período se inicia por letra maiúscula e um sinal de pontuação final que pode ser um ponto final, um ponto de exclamação, um ponto de interrogação ou reticências;
2. Separar os verbos para sabermos quantas orações compõem cada período e fazer a separação, observando questões como a presença de conectivos e a manutenção do significado;
3. Observar se há conjunções ou pronomes relativos.
AS CONJUNÇÕES
Segundo Bechara (2000:319), conjunções são unidades que têm por missão reunir orações em um mesmo enunciado.  Esse autor afirma que as conjunções podem ser conectores e transpositores:
Conectores
A conjunção coordenativa é um conector, pois reúne orações que possuem o mesmo nível sintático. 
Orações que possuem o mesmo nível sintático são independentes e podem aparecer separadas. Mais adiante, conversaremos sobre o processo de coordenação e veremos melhor essas conjunções. 
O conector ligam orações coordenadas.
Transpositores
A conjunção subordinativa transpõe um enunciado à função de palavra passando a exercer uma das funções sintáticas próprias do substantivo, do adjetivo ou do advérbio.
 A oração transposta ou degradada ao nível de um substantivo exerce, na oração complexa, uma das funções sintáticas que têm por núcleo um substantivo.
O transpositor ligam orações subordinadas.
“Os alunos sabem sintaxe; por isso, alcançarão ótimas notas nas Avs”
O termo “por isso” é um conector e não um tanspositor porque não provocou nenhuma mudança, as orações continuam sendo independentes, ou seja, coordenadas.
“Os alunos sabem que sintaxe é importante para suas vidas”
O termo “que” é um transpositor 
Orações independentes
A tradição gramatical considera que há dois tipos de orações independentes: as orações coordenadas e as orações intercaladas ou interferentes. Veremos agora as orações intercaladas e, mais adiante, as orações coordenadas.
Oração Intercalada ou interferente Kury (1993), em suas Lições de análise sintática e Bechara (2000) consideram que essas orações são, na verdade, orações independentes, “[...] visto que nenhuma função sintática exercem na frase a que se justapõem. Representam um comentário subjetivo, uma

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