Caderno_Didtico_de_Farmacologia_Geral.pdf
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DisciplinaFarmacologia Veterinária I805 materiais4.888 seguidores
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maior parte das oxidases de função mista amadurecem por volta da 
quinta à oitava semana, com leves diminuições após o desmame. As reações de 
sulfatação amadurecem rapidamente nos cães, mas a glicuronidação amadurece mais 
lentamente.Isso causa impacto no metabolismo e distribuição do paracetamol, do 
fenobarbital e da fenitoína em cães. Nos ruminantes, modificações claras no metabolismo 
resultam quando os animais pré-ruminantes tornam-se ruminantes. O citocromo P-450 e 
as redutases dependentes de NADPH aumentam em torno de 50%. 
 d) Doenças hepáticas: 
Hepatotoxicidade, hepatite aguda e lesões hepáticas extensas alteram a atividade 
normal das enzimas microssomais hepáticas, diminuindo a biotransformação e 
aumentando a meia-vida sérica dos fármacos. 
 e) Estado nutricional: 
Casos severos de hipoproteinemia, avitaminose B e deficiência de energia, 
diminuem a atividade funcional das enzimas microssomais. 
 5.3.2 - Metabolismo de Primeira Passagem: 
Alguns fármacos são removidos da circulação de forma muito eficaz pelo fígado e 
metabolizadas, de modo que a quantidade que chega à circulação sistêmica é 
consideravelmente menor que a quantidade absorvida pela veia porta. Um número menor 
é metabolizado na parede do intestino. É conhecido como efeito de primeira passagem ou 
metabolismo pré-sistêmico e é significativo para vários fármacos clinicamente 
importantes. 
 Æ O metabolismo de primeira passagem geralmente é um incômodo na prática, 
porque: 
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- É necessária uma dose muito maior do fármaco quando este é administrado por 
via oral que quando administrado por outras vias. Importante frisar, que este aumento da 
dose já foi considerado no momento da preparação da forma farmacêutica pela indústria, 
não necessitando que o profissional adapte a dosagem. 
- Acentuadas variações individuais ocorrem na extensão do metabolismo de 
primeira passagem de determinado fármaco, o que pode produzir um grau problemático 
de imprevisibilidade quando tais fármacos são usados por via oral. 
Exemplos de fármacos que sofrem metabolismo de primeira passagem: Aspirina, 
clorpromazina, contraceptivos orais, lidocaína, morfina, paracetamol, petidina, 
propranolol, salbutamol, terbutalina, verapamil. 
 
5.4 - Excreção 
Os fármacos podem ser excretados após biotransformação ou mesmo na sua 
forma inalterada. Os principais órgãos responsáveis pela excreção dos fármacos são: os 
rins, onde os medicamentos hidrossolúveis são excretados; o fígado, onde após a sua 
biotransformação os fármacos são excretados pela bile; e os pulmões, responsáveis pela 
excreção de fármacos voláteis. Pequenas quantidades de fármacos também podem ser 
excretadas pelo suor, saliva e leite. 
5.4.1 - Excreção Renal: 
A excreção renal é o principal processo de eliminação dos fármacos, 
principalmente os polares ou pouco lipossolúveis. 
Três processos básicos são responsáveis pela excreção renal: 
9 Filtração glomerular; 
9 Secreção ou reabsorção tubular ativa; 
9 Difusão passiva através do epitélio tubular. 
Filtração glomerular Os capilares glomerulares permitem a passagem de 
qualquer molécula do fármaco para o filtrado glomerular, desde que o seu peso molecular 
seja inferior que aproximadamente 20.000 A . 
Secreção e reabsorção tubular A filtração remove cerca de 20% do fármaco 
que chega ao rim. Os 80% restantes passam para os capilares peritubulares do túbulo 
proximal, onde há 2 sistemas transportadores independentes e relativamente não 
seletivos que transportam as moléculas dos fármacos para a luz tubular. Assim a 
secreção tubular é potencialmente o mecanismo mais efetivo para a eliminação renal do 
fármaco. Ao contrário da filtração glomerular, o transporte mediado por transportador 
pode atingir depuração máxima do fármaco mesmo quando a maior parte do fármaco se 
liga às proteínas plasmáticas. Este transporte mediado por carreador de determinados 
fármacos e metabólitos para o líquido tubular ocorre no túbulo proximal. Requer uma fonte 
de energia e substâncias carreadoras intracelulares, que são relativamente inespecíficos, 
porque transportam tanto ácidos como bases orgânicas, porém sua capacidade é 
limitada. A ligação protéica extensa não impede a excreção tubular do fármaco, 
presumivelmente porque o complexo fármaco-albumina dissocia-se pela remoção do 
fármaco livre a partir do plasma. A penicilina, por exemplo, embora se apresente 80% 
ligada e portanto seja depurada lentamente por filtração, é quase completamente 
removida por secreção tubular proximal, e sua taxa de eliminação é muito alta. 
Vários fármacos excretados pelos rins compartilham o mesmo sistema de 
transporte, e pode haver competição entre eles. Ex. é a probenecida que retarda a 
excreção da penicilina G. 
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Difusão através do túbulo renal A medida que o filtrado glomerular passa 
através do túbulo renal, a água é progressivamente reabsorvida, sendo o volume da urina 
que emerge apenas aproximadamente 1% daquele do filtrado. Se o túbulo é livremente 
permeável às moléculas do fármaco, aproximadamente 99% do fármaco filtrado será 
reabsorvido passivamente. Os fármacos com elevada lipossolubilidade, e portanto 
elevada permeabilidade tubular, são lentamente excretados. Se o fármaco é altamente 
polar, e possui baixa permeabilidade tubular, o fármaco filtrado não será capaz de sair do 
túbulo, e sua concentração se elevará continuamente até que seja aproximadamente 100 
vezes maior na urina que no plasma. 
Vários fármacos sendo ácidos ou bases fracas alteram sua ionização quando o pH 
é alterado, e isto pode afetar significativamente a excreção renal. Um fármaco básico será 
excretado mais rapidamente em urina ácida, porque o baixo pH no túbulo favorecerá a 
ionização e assim inibirá a reabsorção. Um fármaco ácido será da mesma forma 
excretado mais rapidamente se a urina se tornar alcalina. 
O pH urinário usual de carnívoros como cães e gatos é ácido (5,5 -7,0), enquanto 
que nas espécies herbívoras (eqüinos, bovinos e ovinos) é alcalino (7,0 -9,0). Em 
qualquer espécie, entretanto, o pH urinário depende do hábito dietético. Em humanos, a 
reação urinária é geralmente ácida, mas pode variar (5,0 \u2013 8,5). 
5.4.2 - Excreção Biliar: 
Alguns fármacos e seus metabólitos são eliminados pela via hepática por 
intermédio da bile. 
Os fatores que determinam esta forma de excreção incluem o tamanho e a 
polaridade da molécula. Fármacos com peso molecular elevado, acima de 300, têm 
grandes probabilidades de serem excretados pela bile. A excreção biliar também elimina 
substâncias orgânicas polares que não são reabsorvidas no intestino como por ex., 
cátions e ânions orgânicos. 
Cães e ratos apresentam boa capacidade de excreção via bile; gato e ovino, 
moderada; cobaias, coelhos e primatas, má excreção por esta via. Ao alcançarem o 
intestino, algumas substâncias eliminadas na bile podem ser reabsorvidas. Este fato 
dependerá da lipossolubilidade, ou ainda da conjugação destes fármacos com 
glicuronídeos, sendo que, neste último caso, estes compostos podem sofrer hidrólise 
causada pela -glicuronidase, voltando a se reabsorvidos pelo organismo. Esta excreção 
hepática, seguida de reabsorção intestinal, é denominada ciclo êntero-hepático de um 
fármaco. 
5.4.3 - Excreção Pelo Leite: 
O epitélio secretor da glândula mamária tem características de uma membrana 
lipídica e separa o sangue do leite. O pH tem levemente inferior ao do sangue (7,4) 
variando entre 6,4 e 6,8 em animais sadios. Este fato resulta em facilitação da excreção 
de medicamentos de caráter básico pelo leite. 
 
Quantificação da eliminação dos fármacos 
A taxa de eliminação de um fármaco/droga é determinada principalmente pelos 
mecanismos do processo. Pode ser influenciada: 
 Pela alta ligação às proteínas plasmáticas (+ 80%);