Caderno_Didtico_de_Farmacologia_Geral.pdf
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DisciplinaFarmacologia Veterinária I803 materiais4.872 seguidores
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Grau de perfusão dos órgãos eliminadores; 
 Atividade das enzimas metabolizadoras do fármaco; 
 Eficácia da excreção renal 
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Farmacologia Geral Veterinária 
 
As concentrações plasmáticas dos fármacos declinam tipicamente de acordo com: 
1. Cinética de primeira ordem. Onde a velocidade de biotransformação do 
fármaco é diretamente proporcional à concentração de fármaco livre. Isso indica que uma 
fração constante do fármaco é biotransformada por unidade do tempo. Ocorre geralmente 
com doses baixas do fármaco. 
2. Cinética de ordem zero. Ocorre quando doses muitos grandes de 
fármacos como o ácido acetil salicílico, o etanol e a fenitoína são administradas. As 
enzimas envolvidas na biotransformação são saturadas pela concentração elevada de 
fármaco livre, e a velocidade de biotransformação permanece constante no tempo. 
 
A eliminação de um fármaco em geral segue a cinética de primeira ordem, e 
sua concentração no plasma cai exponencialmente com o tempo. Isso pode ser usado 
para determinar a meia-vida do fármaco. 
 
Meia-vida Plasmática - Em farmacocinética meia-vida se refere ao tempo que leva 
determinada concentração do fármaco para reduzir-se a sua metade. 
A meia-vida plasmática dos fármacos origina dados importantes para interpretação 
dos efeitos terapêuticos ou tóxicos das drogas, da duração do efeito farmacológico e do 
regime posológico adequado. 
 
Situações clínicas que resultam em aumento da meia-vida do fármaco 
 Diminuição do fluxo sanguíneo renal ou hepático, como por exemplo, no choque 
cardiogênico, insuficiência cardíaca ou hemorragia; 
 Redução na velocidade de excreção, por exemplo, na doença renal; 
 Diminuição da biotransformação, por exemplo, na cirrose ou inibição enzimática. 
 
5.5 - Biodisponibilidade 
 Biodisponibilidade indica a porção do fármaco que atinge a circulação geral de 
forma inalterada após sua administração. É a quantidade da droga disponível para ser 
utilizada pelo organismo. 
 Objetivos dos estudos das biodisponibilidades: 
9 Consiste em determinar quanto de determinado fármaco é absorvido pelo 
paciente, que dele necessita para prevenir ou curar uma doença. 
9 Determinar a velocidade de absorção do fármaco. 
9 Determinar a permanência do fármaco nos líquidos do organismo e sua 
correlação com as respostas farmacológicas e/ ou tóxicas. 
Estas informações têm importância para a determinação da posologia de um 
fármaco e de sua forma farmacêutica, principalmente quando se usam medicamentos 
com pequena margem de segurança, como 0s digitálicos e alguns antibióticos. Também 
servem para a adequação da dose utilizada em pacientes portadores de insuficiência 
hepática e renal. 
A determinação da biodisponibilidade é mais freqüentemente realizada através da 
concentração plasmática do fármaco. 
5.5.1 - Fatores que Influenciam na Biodisponibilidade das Drogas 
Administradas por Via Oral: 
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 a) Características da droga: 
9 Inativação antes da absorção GI; 
9 Absorção incompleta; 
9 Efeito de primeira passagem. 
 b) Forma farmacêutica: 
9 Estado físico da droga; 
9 Tamanho da partícula; 
9 Tipo de sal; 
9 Excipiente ou veículo da droga. 
 c) Interação com outras substâncias no TGI: 
9 Alimentos e drogas. 
 d) Características do paciente: 
9 pH gastrointestinal; motilidade GI; perfusão; flora; estrutura; estado de má 
absorção; função hepática; fenótipo genético. 
 
5.5.2- Bioequivalência- Dois fármacos são bioequivalentes se mostram 
biodisponibilidade comparáveis e tempos similares para alcançar o pico de concentração 
plasmática. Dois fármacos relacionados com biodisponibilidades significativamente 
diferentes são bioinequivalentes. 
 
5.5.3- Equivalência terapêutica- Dois fármacos são terapêuticamente equivalentes se 
tem eficácia e segurança comparáveis. Dois fármacos que são bioequivalentes podem 
não ser equivalentes terapeuticamente. 
 
5.6 - Relação Dose-Resposta 
5.6.1 - Relação Dose-Resposta Gradual: aumentos na dose produzem 
aumentos na resposta. As curvas dose-resposta graduais tem 4 variáveis características: 
9 Potência: refere-se à dose (concentração) da droga necessária para produzir 
um efeito. Quanto menor a dose para produzir um efeito maior a potência. 
9 Inclinação: as drogas que atuam em um mesmo receptor têm curvas com 
inclinações paralelas; drogas que tem curvas dose-resposta íngremes são potencialmente 
mais difíceis de usar porque pequeno aumento na dose pode produzir toxicidade. 
9 Variabilidade: na resposta de uma dose específica pode ser esperada e podem 
ser necessárias variações na dosagem para produzir uma dada resposta. 
9 Efeito máximo: é a maior resposta possível de um efetor. 
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Figura 1 - Curva representando a relação entre dose 
em escala logarítmica versus intensidade do efeito. 
 
5.6.2 - Relação Dose-Resposta Quantais: são baseadas em resposta de tudo 
ou nada. 
 Relação dose-resposta quantais são usadas para estabelecer o efeito útil da droga 
e as curvas de efeitos tóxicos da droga. 
 Com o gráfico da relação dose-resposta quantal podemos obter: 
 a) Índice Terapêutico (IT): relação usada para avaliar a segurança da droga: 
 
IT = DL50 
 DE50 
 
Teoricamente, quanto maior o índice terapêutico maior a segurança da droga. 
 
 b) Margem de segurança padrão: é um parâmetro mais seguro da segurança de 
um fármaco do que o índice terapêutico. Ele é a porcentagem pela qual a DE99 precisa 
ser aumentada antes que a DL1 seja alcançada. 
 
 Margem de segurança padrão= DL1 \u2013 DE99 x 100 
 DE99 
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Figura 2 - (A) A concentração eficaz para produzir uma resposta quantal foi determinada em 100 
indivíduos. O número de indivíduos que exigiu cada dose foi lançado no gráfico resultando numa 
distribuição de freqüências log normal (barras brancas). As barras empilhadas demonstram que a 
distribuição de freqüência normal, quando somada, resulta numa distribuição de freqüências 
acumulativa- uma curva sigmóide que é uma curva concentração-efeito quantal. (B) Curvas dose-
resposta quantais para a ação útil e tóxica da droga. 
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6. MECANISMO DE AÇÃO DOS FÁRMACOS - Considerações 
Gerais e Receptores 
 A Farmacodinâmica estuda os mecanismos pelos quais um fármaco atua sobre as 
funções bioquímicas ou fisiológicas de um organismo vivo. Este ramo da Farmacologia 
realiza o estudo quantitativo, isto é, a relação dose-resposta dos efeitos biológicos e 
terapêuticos dos fármacos. 
 
6.1 - Local de Ação dos Fármacos 
Para que se desenvolva uma ação farmacológica, o fármaco deve alcançar o local 
do organismo onde deve atuar numa concentração determinada e esta parte do 
organismo deve ter a capacidade de responder ao fármaco. Assim os fármacos podem ter 
ação local ou tópica que corresponde à produzida no local de aplicação, sem penetrar 
na circulação. Esta ação ocorre sobre a pele e mucosas, especialmente a respiratória e a 
digestiva. É evidente que a natureza química do fármaco é que determina sua não 
absorção. O subnitrato de bismuto exerce seu efeito localmente no trato digestivo 
protegendo a mucosa. 
Æ A ação geral ou sistêmica é aquela produzida após a penetração do fármaco 
na circulação (absorção) e seu efeito manifesta-se nos diferentes órgãos, segundo a 
afinidade dos mesmos pelo fármaco. 
Æ A ação indireta ou remota é exercida sobre um órgão que não está em contato 
com o fármaco ou não tem afinidade pelo fármaco, mas como conseqüência da ação do 
fármaco sobre outras estruturas, o mesmo age indiretamente sobre o órgão com o qual 
estas estruturas mantém ligações nervosas ou hormonais. A cânfora, por exemplo, irrita a 
pele quando aplicada localmente e pode provocar alterações da freqüência