Caderno_Didtico_de_Farmacologia_Geral.pdf
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DisciplinaFarmacologia Veterinária I803 materiais4.872 seguidores
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leva ao recrudescimento dos sintomas iniciais da doença. 
Æ Efeito paradoxal: Caracteriza-se pelo aparecimento de manifestações opostas 
às esperadas após o uso de fármaco. 
 
 
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Farmacologia Geral Veterinária 
 
9. FATORES QUE MODIFICAM A AÇÃO FARMACOLÓGICA 
DOS FÁRMACOS 
 
9.1 - Fatores que Dependem dos Fármacos: 
9.1.1 - Qualidade: medicamentos de baixo custo e qualidade inferior merecem um 
cuidado especial do clínico. Embora a terapêutica veterinária seja essencialmente 
econômica, devemos procurar receitar medicamentos de boa qualidade e recorrer a 
laboratórios idôneos, a fim de obtermos resultados seguros. Ex: fenotiazina purificada ou 
comum, ivermectinas, penicilinas, benzimidazóis. 
9.1.2 - Veículo: o veículo ao qual se incorpora o medicamento também pode 
fazer variar a sua ação. Ex: o sulfato de cobre em solução de 1% é adstringente, 
pulverizado com açúcar a 1:5 é vomitivo, puro é cáustico. 
9.1.3 - Formas Farmacêuticas: dependendo da forma farmacêutica, o 
medicamento pode variar sua velocidade de absorção. 
Os líquidos agem mais rapidamente que os sólidos quando administrados 
oralmente e estes conforme a consistência(comprimidos, drágeas, cápsulas), varia a 
ação. 
Medicamentos em cápsulas gelatinosas passam pelo estômago sem sofrer 
alteração. 
9.1.4 - Dose: dependendo da dose, um medicamento pode se tornar veneno. Há 
vários medicamentos num só, dependendo da dose em que é administrado. 
9.1.5 - Via de Administração: os fármacos podem agir diferentemente conforme 
a via de administração. Ex: sulfato de magnésio por via oral é purgante, por via 
endovenosa é hipnótico. A digital por via oral é ineficaz em bovinos. 
 
9.2 - Fatores Fisiológicos: 
9.2.1 - Espécie: Mesmo que o mecanismo básico de ação de um fármaco seja o 
mesmo, a intensidade e a duração do efeito produzido nas várias espécies de animais 
pode variar consideravelmente. As variações de acordo com a espécie nas respostas 
obtidas por uma dose fixa de uma droga podem ser atribuídas a diferenças nos processos 
farmacocinéticos (absorção, distribuição, biotransformação e excreção) ou na 
sensibilidade farmacodinâmica dos receptores tissulares específicos. 
Existem diferenças anatômicas e funcionais entre os aparelhos digestivos das 
diversas espécies de animais selvagens e domésticos que podem influenciar na 
disposição de fármacos administrados por via oral. 
Æ Carnívoros - se alimentam periodicamente; aparelho gastrointestinal curto; 
paredes grossas; trânsito intestinal do bolo digestivo aproximadamente 6 h; pH do suco 
gástrico varia de 1 a 3. Podem vomitar facilmente. A absorção de fármacos no cão e no 
gato é sem complicações, ocorrendo principalmente no trato gastrointestinal superior. 
Æ Herbívoros monogástricos (eqüinos, cobaios e coelhos) - Possuem ceco e cólon 
retal volumosos nos quais ocorre degradação microbiana ativa da celulose e outros 
carboidratos insolúveis. Estes processos de fermentação são sensíveis a agentes 
antimicrobianos de amplo espectro, as vezes com conseqüência fatal. O metabolismo de 
fármacos pela microflora pode dar origem a metabólitos diferentes daqueles observados 
nas espécies monogástricas simples. 
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Æ Eqüinos - tem trânsito intestinal de mais de 30 horas. Não possuem vesícula 
biliar e excretam bile constantemente com eliminação biliar ativa de fármaco. Realiza ciclo 
êntero-hepático. Não são capazes de vomitar. 
Æ Ruminantes - A absorção de fármacos a partir do rúmem e retículo é retardada 
devido à diluição no líquido ruminal. Com estase ruminal a taxa de absorção diminui. O 
pH do líquido ruminal varia de 6,0 - 8,0, porém depende da dieta. Dieta rica em grãos o 
pH intra-ruminal varia 5,5 a 6,0, embora a ingestão excessiva de proteínas pode elevar o 
pH até 8,0. 
A biodisponibilidade de fármacos administrados por via oral é variável, devido a 
complexidade da atividade dos estômagos anteriores. A microflora anaeróbia é capaz de 
inativar várias drogas no rúmen como o cloranfenicol e glicosídeos cardíacos. O contrário 
também é possível, quando antimicrobianos de amplo espectro destroem a microflora 
ruminal com atonia ruminal resultante. 
Æ Suínos, cordeiros e novilhos gordos - o tecido adiposo pode representar um 
grande compartimento de distribuição para os agentes solúveis em lipídios que se 
metabolizam lentamente. 
A passagem de fármacos através da placenta nas fêmeas prenhas varia também 
entre as espécies. Parece que espécies com placentas menos íntimas (epiteliocorais) 
tendem a excluir drogas do feto mais que outros animais com placenta mais íntima 
(endoteliocorial, hemocorial ou hemoendotelial). 
9.2.2 - Fatores Ambientais e Nutricionais: podem influir nas reações da fase 1 
e 2 em diferentes espécies de animais. 
Æ Carnívoros tendem a conjugar as drogas e seus metabólitos lentamente, 
enquanto que estas reações são bastante rápidas em herbívoros. 
Æ Gatos metabolizam o fenol muito lentamente em comparação com outros 
animais e por isso se intoxicam mais facilmente. 
Æ Gatos têm deficiência de glicuroniltransferase hepática, que retarda a 
biotransformação de certos compostos, com aumentos freqüentes na duração de ação e 
toxicidade potencial destes agentes. 
Æ Suínos são deficientes em realizar reações de conjugação com sulfato. 
Fármacos cuja excreção renal pode ser influenciada pelo pH da urina tem taxas de 
eliminação diferentes em: 
9 Ruminante - pH da urina de 7.0 a 8.0 
9 Cavalo e suíno - pH da urina 7.0 
9 Carnívoros - pH da urina de 5.0 a 6.5 
9.2.3 - Raça: Certas características genéticas ou da raça também podem alterar a 
sensibilidade de um agente farmacológico. Os poucos exemplos de respostas 
características conhecidas de uma raça incluem: 
Æ Cavalos puro sangue - resposta imprevisível aos depressores do SNC; 
Æ Gado bovino Brahman é mais sensível ao efeito da xilazina que outras raças 
européias; 
Æ Cães galgos e lebreiros mostram sono prolongado depois da administração de 
tiopental sódico; 
Æ Raças braquicefálicas como Boxer, Pequinês e Bulldog podem ter síncope 
depois da administração de acepromazina. 
\u2192 Raças collie e shepdog são muito sensíveis a ivermectinas 
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9.2.4 - Idade: O recém nascido (até aproximadamente um mês de vida) se 
diferencia dos mais velhos da mesma espécie em várias áreas significativas: 
Æ A barreira hematoencefálica está pouco desenvolvida no feto e recém nascido 
de várias espécies; 
Æ A hemoglobina fetal é diferente da hemoglobina do adulto. Vários fármacos 
podem produzir metahemoglobinemia no recém-nascido, como as sulfonamidas, 
nitrofuranos, azul de metileno, ácido salicílico e as fenotiazinas; 
Æ Há um aumento da permeabilidade do intestino delgado logo após o nascimento 
e a absorção de drogas retidas no intestino pode ser maior; 
Æ É comum a hipoproteinemia em recém-nascidos, o que pode aumentar a 
quantidade de fármaco disponível para se difundir nos tecidos; 
Æ Recém-nascido é deficiente na função enzimática de microssomas hepáticos 
durante as primeiras 4 semanas e especialmente os primeiros 7 dias. Os fármacos que 
tem meias-vidas mais prolongadas no recém-nascido, especialmente na primeira semana, 
são a fenitoína, fenobarbital, cloranfenicol, salicilatos e teofilina; 
Æ A função renal é deficiente ao nascer e seu desenvolvimento se completa nos 
primeiros um ou dois meses; para tanto as taxas de eliminação de fármacos são lentas e 
o neonato ou animal jovem pode ser mais sensível ao efeito tóxico de drogas nos rins; 
Æ Em pacientes geriátricos há indicações de que a atividade das enzimas 
microssomais hepáticas está reduzida. A meia-vida de alguns fármacos pode aumentar 
em até 50% nos pacientes geriátricos, o que normalmente se acompanha de uma 
redução na depuração plasmática total; 
Æ A eficácia de