Caderno_Didtico_de_Farmacologia_Geral.pdf
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DisciplinaFarmacologia Veterinária I803 materiais4.872 seguidores
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agentes bacteriostáticos depende do sistema imune competente. 
Animais neonatos e velhos geralmente não são imunocompetentes, é preferível usar 
drogas bactericidas para controlar infecções bacterianas. 
9.2.5 - Sexo: A influência do sexo sobre o efeito dos fármacos e as reações 
farmacológicas adversas se relaciona principalmente com a função reprodutiva. 
As preocupações farmacoterapêuticas principais, associadas com o tratamento das 
fêmeas são as seguintes: 
Æ Efeito potencial dos fármacos usados sobre os órgãos reprodutivos e sua 
função; 
Æ Possível atividade teratogênica, embriocida e abortificante dos fármacos usados 
em fêmeas prenhes; 
Æ Influência potencial do fármaco administrado sobre o processo de parição - 
indução ou atraso do parto; 
Æ Possível efeito do fármaco sobre a lactação; 
Æ Presença do fármaco administrado como resíduo no leite de um animal lactente. 
9.2.6 - Peso e Superfície Corporal: As doses dos fármacos são determinadas 
em função do peso do animal. Mas o uso do peso corporal tem várias limitações que 
devem ser reconhecidas quando se administram agentes terapêuticos de grande potência 
nas seguintes situações: obesidade, inanição, ascite ou edema generalizado, 
desidratação severa, falta de maturidade, idade avançada e presença de grandes 
tumores. 
9.2.7 - Dieta e estado de nutrição: Animais bem nutridos normalmente podem 
eliminar os fármacos com pouca dificuldade. Animais que apresentam desnutrição 
protéica-calórica, a absorção, distribuição, biotransformação e excreção podem estar 
afetadas em maior ou menor grau. 
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9.2.8 - Temperamento: Pode influenciar sobre a resposta de um fármaco, 
especialmente no caso de agentes com ação no SNC. 
9.2.9 - Atividade relativa e ritmos circadianos: Foram identificados e 
caracterizados muitos \u201critmos\u201d biológicos nos animais domésticos. Os ciclos circadianos 
podem apresentar máximas diurnas ou noturnas. Sua importância cronofarmacológica se 
relaciona com a possibilidade de que seja mais desejável indicar regimes terapêuticos 
para seguir certos ciclos específicos ao invés de modificá-los ou inibir os mecanismos de 
controle que funcionam através de círculos de informação recíproca. 
9.2.10 - Condições do Meio Ambiente: Extremos de calor e de frio causam 
vasodilatação ou vasoconstrição periférica respectivamente, com possíveis efeitos sobre 
a disposição dos agentes. Temperaturas elevadas aumentam a taxa de volatilização dos 
anestésicos inalatórios e aumentam também a taxa respiratória, facilitando assim a 
anestesia inalatória quando são usados métodos abertos de administração. Temperaturas 
extremas também podem influir sobre as concentrações sanguínea de vários hormônios 
como a adrenalina, tiroxina, triiodotironina e os glicocorticóides. 
 
9.3 - Fatores Farmacológicos que Modificam a Ação dos Fármacos: 
9.3.1 - Posologia e Administração: Na maioria dos casos a administração de 
uma fórmula farmacêutica na taxa e freqüência adequadas, pela via indicada, produz um 
padrão cinético e uma resposta terapêutica satisfatória quando se usa para a afecção 
indicada. Mas há vários fatores relacionados com as formas posológicas dos fármacos e 
sua administração que poderiam causar inesperadamente uma alteração na resposta ao 
fármaco. 
A absorção de um agente desde o sítio de administração parenteral (menos 
intravenoso), é determinado pela fórmula do agente, vascularização do tecido em que se 
depositou a preparação, grau de ionização e solubilidade em lipídios da preparação. 
A forma química utilizada do fármaco, assim como os veículos, solubilizantes, 
estabilizantes, tampões e agentes emulsificantes incluídos, são capazes de modificar a 
taxa de absorção do fármaco desde o sítio da injeção. 
Todas as formas posológicas sólidas necessitam passar por desintegração e 
dissolução antes de ocorrer a absorção. A dissolução a princípio controla a taxa de 
absorção do fármaco e para tanto pode haver diferenças entre a biodisponibilidade de 
várias formas farmacêuticas do mesmo agente. 
Tanto na administração parenteral quanto oral, quanto maior a concentração do 
fármaco na preparação, mais rápida será sua taxa de absorção na circulação sistêmica e 
mais cedo se terá em evidência seus efeitos farmacológicos. 
9.3.2 - Relações diretas entre um fármaco e outro: Quando as preparações 
farmacêuticas se misturam indiscriminadamente antes de sua administração por qualquer 
rota, podem ocorrer reações entre os ingredientes ativos das mesmas ou entre os 
ingredientes ativos e os coadjuvantes da fórmula. 
As incompatibilidades que ocorrem podem resultar em precipitação, inativação 
química ou mudanças na cor, sabor ou forma física das preparações. 
A temperatura, umidade, agitação e luz ultra-violeta podem iniciar reações lesivas 
em fórmulas misturadas de modo inapropriado. 
A regra geral para evitar interações farmacológicas diretas consiste em não 
misturar preparações farmacêuticas antes ou durante sua administração, a menos que se 
tenha segurança que as fórmulas são compatíveis. 
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9.3.3 - Relações entre um fármaco e a dieta: Um componente dietético ou a 
simples presença de alimentos pode influir na absorção de fármacos e estes por sua vez, 
podem reduzir a absorção de elementos nutritivos. Exemplos: 
 - A absorção de tetraciclinas é diminuída pelo leite e produtos lácteos; 
 - A presença de alimentos pode reduzir a absorção do sulfisoxazol, ampicilina e 
algumas penicilinas semi-sintéticas, cefalexina, tetraciclinas, lincomicina e rifampicina. 
 Alguns fármacos administrados por via oral podem interferir com a absorção de 
certos agentes nutritivos. Exemplos: 
 - Tratamento crônico com fenitoína suprime a absorção de ácido fólico dietético. 
 - Administração diária de óleo mineral impede a absorção de vitaminas 
lipossolúveis; 
 - Administração oral de antibióticos como tetraciclinas e aminoglicosídeos podem 
causar depressão da síntese microbiana de vitamina K e do complexo vitamínico B. 
 
9.4 - Reações Farmacocinéticas 
9.4.1 - Reações Farmacológicas que Afetam a Absorção 
Gastrointestinal: 
Existem muitos mecanismos que podem modificar a taxa de absorção de drogas 
desde o TGI pela ação de um segundo fármaco: 
 - Os antiácidos e a cimetidina elevam o pH intragástrico e podem mudar a taxa de 
desintegração e dissolução das formas farmacêuticas orais sólidas e retardar a absorção 
de fármacos levemente ácidos. 
 - A taxa de esvaziamento gástrico e o grau de motilidade intestinal podem 
influenciar sobre a taxa de absorção do fármaco. 
 - Agentes anticolinérgicos, adrenérgicos, neurolépticos, anti-histamínicos e opióides 
diminuem a motilidade gastrointestinal e os agentes colinérgicos, metoclopramida, 
antiácidos e alguns purgantes aumentam a motilidade gastrointestinal. 
 - O caulim, carvão ativado reduzem a absorção gastrointestinal de fármacos 
concomitantemente por via oral - promovem adsorção. 
 - Certos fármacos como cloranfenicol, neomicina e tetraciclina podem lesar as 
células da mucosa intestinal em terneiros e causar síndrome da má absorção. 
9.4.2 - Reações Farmacológicas que Afetam a Distribuição: 
A administração concomitantemente de dois ou mais fármacos pode alterar o 
padrão de distribuição intracorpórea para cada um deles. 
A competição pelos sítios de ligação às proteínas plasmáticas é comum e o 
fármaco deslocado pode causar resposta exagerada ou tóxica. Exemplos: 
 - Fenilbutazona desloca warfarin; 
 - AINE desloca sulfonamidas; 
 - Ácido valpróico desloca fenitoína. 
9.4.3 - Reações Farmacológicas que Afetam a Biotransformação: 
Interações que causam mudança na taxa do metabolismo do fármaco podem ter 
grande significado clínico. Um fármaco pode alterar o metabolismo de outro estimulando 
ou inibindo os sistemas enzimáticos microssômicos.