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Farmacologia Geral Veterinária 
9.4.4 - Reações Farmacológicas que Afetam a Excreção: 
Reações farmacológicas podem afetar a eficiência dos órgãos que promovem a 
excreção dos fármacos e seus metabólitos. 
Qualquer fármaco que modifique o fluxo sanguíneo renal pode alterar a depuração 
renal de outros fármacos. 
 - Aumento do fluxo sanguíneo Aumento da excreção renal; 
 - Diminuição do fluxo sanguíneo Diminuição da excreção renal. 
Alteração do pH da urina modifica a taxa de excreção pelos rins, especialmente 
quando os valores de pKa dos fármacos se encontram dentro dos limites do pH urinário. 
 
9.5 - Reações Farmacodinâmicas 
Ocorrem quando duas ou mais drogas são administradas simultaneamente, os 
efeitos resultantes podem ser: 
9.5.1 - Benéficos: Exemplos: 
 - Pré-medicação com neurolépticos antes de anestesia geral; 
 - Reversão da narcose por opióides com naloxona. 
9.5.2 - Maléficos: Exemplos: 
 - Efeitos ototóxicos e nefrotóxicos dos antibióticos aminoglicosídeos são 
potencializados por diuréticos como a furosemida. 
 
9.6 - Fatores Patológicos que Modificam a Ação dos Fármacos 
Lesões patológicas em sistemas orgânicos importantes, ou mudanças 
patofisiológicas dentro dos líquidos corporais, podem alterar substancialmente tanto a 
farmacocinética como a ação farmacológica de muitos fármacos. 
9.6.1 - Enfermidade gastrointestinal: Várias afecções podem alterar as taxas 
de absorção dos fármacos administrados por via oral. Afecções tais como: 
9 Vômito 
9 Acidose ruminal 
9 Úlcera duodenal 
9 Gastrite 
9 Enterite 
9 Peritonite 
9 Úlcera gástrica 
9 Estase ruminorreticular 
9 Ruminite 
9 Diarréia 
9 Transtornos 
pancreáticos
 
9.6.2 - Enfermidade hepática: Aguda ou crônica pode alterar a disposição e 
eliminação de muitos fármacos. Pode causar: 
a) Diminuição da atividade de sistemas enzimáticos metabolizadores de fármacos; 
b) Limitação da eficiência do sistema secretório hepatobiliar; 
c) Mudanças no fluxo sanguíneo hepático; 
d) Síntese reduzida de proteínas plasmáticas, especialmente albumina e alteração 
da capacidade de conjugar fármacos; 
e) Desenvolvimento de ascite e edema periférico com aumento conseqüente do 
volume de distribuição para muitos fármacos e prolongamento de suas meias-vidas de 
eliminação. 
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Farmacologia Geral Veterinária 
 
Muitos estados patológicos podem ter impacto sobre o papel do fígado na 
depuração hepática. Ex.: hepatite viral, bacteriana e tóxica, hepatopatias, cirrose, 
abscessos hepáticos e transtornos na circulação do sangue através do fígado. 
9.6.3 - Enfermidade renal: A insuficiência renal causa uma diminuição na 
depuração do fármaco e, portanto, uma eliminação mais lenta. Um regime posológico 
usual em tais casos causa acumulação e finalmente toxicidade. 
Podem ocorrer vários transtornos dentro do rim afetado, todos os quais podem 
influir de uma maneira ou outra sobre a excreção e depuração renal de fármacos. 
Mudanças no pH do filtrado alteram a taxa de excreção do fármaco. Isquemia renal, 
lesões glomerulares, lesão tubular, redução da perfusão intrarrenal, transtornos funcionais 
das células tubulares e lesões obstrutivas dos túbulos, ductos coletores e ureteres podem 
influir na depuração renal eficaz de fármacos e seus metabólitos. 
 9.6.4 - Enfermidades e Conjugação Protéica dos Fármacos 
 9.6.5 - Enfermidade Pulmonar 
 9.6.6 - Enfermidade Cardiovascular 
 9.6.7 - Transtornos Neurológicos 
 
OBS: Os itens acima deverão ser pesquisados e discutidos para melhor 
compreensão, devendo ser ampliados em outras disciplinas como a Terapêutica e a 
Clínica Veterinária. 
 
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Farmacologia Geral Veterinária 
UNIDADE II \u2013 FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO 
AUTÔNOMO 
 
10. ADRENÉRGICOS E ANTIADRENÉRGICOS 
10.1 - Fármacos Simpaticomiméticos ou Agonistas Adrenérgicos 
 Imitam os efeitos das catecolaminas endógenas sobre os órgãos efetores. Existem 
fármacos seletivos para os quatro subtipos de receptores: 1, 2 , 1, 2. 
Classificação dos fármacos simpaticomiméticos: 
Tipo de ação Fármaco Ação Principal 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ação direta 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ação indireta 
 
Noradrenalina 
Adrenalina 
Isoproterenol 
Dopamina 
 
Salbutamol 
Terbutalina 
Orciprenalina 
Isoetarina 
Ritodrina 
Clembuterol 
 
Dobutamina 
 
Nafazolina 
Fenilefrina 
 
Clonidina 
Guanfacina 
 
 
 
Anfetaminas e derivados 
 
 
 
Efedrina 
 
Dopamina 
 
agonista e 
agonista e 
agonista não-seletivo 
agonista e 
 
 
 
agonistas 2 
 
 
 
 
agonista 1 
 
agonistas 1 
 
 
agonistas 2 
 
 
liberação de noradrenalina 
inibem a MAO 
inibem a captação 1 
estimulante do SNC 
 
agonista e 
liberação de noradrenalina 
fraco estimulante do SNC 
 
liberação de noradrenalina 
 
 
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Farmacologia Geral Veterinária 
 
Catecolaminas 
Adrenalina é uma catecolamina endógena. Potente agonista de todos os adrenoceptores 
( 1, 2, 1, 2). 
Noradrenalina é um potente agonista de adrenoceptores 1, 2, 1. Tem pouco efeito 
sobre receptores 2. 
Dopamina 
Precursor da síntese de adrenalina e noradrenalina. A dopamina causa liberação de 
norepinefrina de neurônios adrenérgicos. Em doses intermediárias ativa adrenoceptores 
 1 e altas doses ativa 1, podendo resultar em vasoconstrição. 
A dopamina ativa receptores específicos de dopamina. 
Receptores D1 estão presentes na circulação coronariana, mesentérica e renal e são 
ativados por baixas concentrações de dopamina. A ativação produz vasodilatação. 
Receptores D2 estão presentes em gânglios, córtex da adrenal e certas áreas do SNC. 
 
As catecolaminas são pobremente absorvidas após administração oral, parte porque as 
drogas são rapidamente conjugadas e oxidadas. Elas são absorvidas do trato respiratório 
quando nebulizadas e inaladas. A absorção subcutânea é lenta devido a vasoconstricção. 
As catecolaminas não atravessam facilmente a barreira sangue-cérebro. 
 
Adrenalina 
 
Efeitos sobre a pressão arterial 
Em dose baixas causam pouca alteração na pressão sangüínea. Elas aumentam a fluxo 
sangüíneo na musculatura esquelética através da ativação de adrenoceptores 2 e 
aumentam a freqüência e força de contração do coração através da ativação de 
adrenoceptores 1. Doses altas de adrenalina leva a ativação dos adrenoreceptores , 
que causam vasoconstricção e reduzem o fluxo sangüíneo para a musculatura 
esquelética. Ocorre aumento da pressão arterial. A ativação de adrenoceptores 
aumenta a resistência periférica total e neutraliza a vasodilatação induzida pelos 
adreneceptores 2. Em adição, as altas doses de epinefrina ativam os receptores 1 no 
coração o que aumenta o débito cardíaco e contribui para o aumento da pressão 
sangüínea. Como a pressão sangüínea aumenta são ativados os baroreceptores no arco 
aórtico e nos seios carotídeos. Estes, em ação, ativam o vago e aumentam o tonus vagal 
cardíaco para reduzir o débito, reduzindo a pressão sangüínea sistêmica. 
Músculo liso vascular 
A ativação de adrenoceptores causa vasoconstricção generalizada de vasos 
sanguíneos, conduzindo a um aumento da resistência vascular periférica e aumento da 
pressão arterial. 
Músculo esquelético. Em baixas concentrações são ativados os adrenoceptores 2 
aumentado o fluxo sangüíneo para o músculo esquelético. Em concentrações maiores a 
ativação de adrenoceptores reduz o fluxo de sangue. 
Músculo liso 
A adrenalina potente broncodilatador atuando em receptores . Reduz a frequência e a 
amplitude das contrações do TGI, devido ativação de receptores e . A estimulação de 
adrenoceptores relaxa fundos da bexiga e a estimulação contrai trígono e esfíncter. O 
efeito no músculo uterino depende da espécie e da fase estral e gestacional. A 
estimulação dos receptores na musculatura radial da íris causa