Caderno_Didtico_de_Farmacologia_Geral.pdf
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DisciplinaFarmacologia Veterinária I803 materiais4.872 seguidores
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Idade Média houve uma completa estagnação nas ciências nas artes e 
praticamente não ocorreram fatos relevantes dentro da Farmacologia. 
 A grande arrancada desta disciplina ocorreu juntamente com a Renascença, 
destacando-se, entre outros, PHILIPUS AUREOLUS THEOPHRASTUS BOMBAST VON 
HOHENHEIM (Paracelso) que foi o primeiro a se insurgir contra o sistema de polifarmácia 
preconizado por Galeno; estimulou o uso clínico do enxofre, ferro, sulfato de cobre, sulfato 
de potássio, mercúrio, láudano, tinturas e extratos de várias plantas no tratamento das 
enfermidades. 
 SIR CHRISTOPHER WREN e assistentes, em 1656, realizaram a primeira injeção 
de drogas no cão. Quase que na mesma época, membros da Ordem dos Jesuítas 
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 levaram da América do Sul a casca da árvore da quina para tratarem indivíduos 
acometidos de malária. A partir de então, se concluiu que era possível de realizar uma 
terapêutica específica e este fato iniciou a pesquisa contínua na Farmacologia, com a 
finalidade de se achar droga específica para tratar enfermidade específica. 
 WILLIAN WITHERING, em 1783 registrou sua experiência com o uso da Digitalis 
no tratamento da hidropsia. A investigação experimental desta planta foi realizada por 
CLAUDE BERNARD (1813-1873) e SCHMIEDENBERG demonstrou que a ação era 
exercida sobre o coração. 
 Durante o transcorrer dos séculos XVIII e XIX as ciências experimentais tiveram um 
crescimento vertiginoso, principalmente pelo isolamento de princípios ativos de plantas e 
a síntese de compostos orgânicos. Destacamos desta época as figuras de FRANÇOIS 
MAGENDIE (1783-1855) que publicou suas observações experimentais sobre os efeitos 
de inúmeras substâncias, destacando-se a injeção endovenosa da ipeca, morfina, ácido 
cianídrico, estricnina, iodo, potássio, veratrina, quinina, dentre outras. ORFILA (1787-
1853) químico e médico, realizou investigações aprofundadas dos venenos e se tornou 
conhecido como o fundador da TOXICOLOGIA. 
 O termo PHARMAKOLOGIE foi usado pela primeira vez em 1692. 
 Em 1885, BUCHEIM publicou um tratado onde, pela primeira vez, classificou as 
drogas de acordo com sua ação farmacológica sobre o tecido vivo. Por este motivo 
RUDOLF BUCHEIM é considerado como o pai da farmacologia. 
 OSWALD SCHMIEDENBERG (1838-1921), discípulo e substituto de Bucheim na 
Cátedra de farmacologia teve como meta fazer da farmacologia uma disciplina 
independente e baseada numa metodologia experimental exata. 
 JOÃO BAPTISTA DE LACERDA (1846-1915), fluminense, dedicou-se ao estudo 
dos efeitos de plantas e venenos, sendo o fundador do primeiro laboratório brasileiro de 
fisiologia e farmacologia; EMIL FISCHER (1852-1919) alemão, sintetizou e introduziu o 
uso em medicina do primeiro barbitúrico, o barbital; PAUL EHRLICH (1854-1915) foi o 
fundador da quimioterapia moderna; JOHN JACOB ABEL (1857-1938) farmacologista 
americano, pioneiro na investigação das secreções endócrinas: estudou a adrenalina, 
cristalizou a insulina, estudou os hormônios da hipófise; WALTER CANNON (1871-1945) 
fisiologista americano demonstrou a mediação química da adrenalina (e hoje sabe-se da 
noradrenalina, também) no sistema simpático; OTTO LOEWI (1873-1961) austríaco, criou 
a teoria de mediação química do parassimpático pela acetilcolina (vagusstoff) e explicou a 
ação da eserina pela inibição da colinesterase; RUDOLF MAGNUS (1837-1927) 
farmacologista holandês, foi o primeiro a estudar a ação das drogas sobre o músculo 
intestinal isolado; Sir HENRY DALE (1857-1968) farmacologista e fisiologista inglês, 
estudou os princípios ativos de ergô, das aminas simpaticomiméticas e 
parassimpaticomiméticas, descreveu as ações da histamina analisando seu papel na 
anafilaxia, e, criador das expressões adrenérgico e colinérgico; Sir ALEXANDER 
FLEMING (1881-1953) escocês, descobridor da penicilina e da lisozima e iniciador da era 
da antibioticoterapia; GERHARD DOMAG (1895-1964) alemão, introdutor da sulfanilamida 
em terapêutica; DANIEL BOVET (1907- ) suíço, estudou as ações farmacológicas dos 
primeiros anti-histamínicos e curares sintéticos; ALFRED JOSEPH CLARCK (1885-1941) 
médico e farmacologista inglês, fundador da Farmacologia Molecular. 
 
1.2 - Divisão da Farmacologia 
FARMACOLOGIA GERAL: tem por objetivo o estudo dos conceitos farmacológicos 
básicos e comuns a todos os fármacos. Ex: vias de administração, absorção, distribuição, 
biotransformação e excreção. 
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FARMACOLOGIA ESPECIAL OU APLICADA: estuda os fármacos reunidos em 
grupos que tenham ação farmacológica similar. Ex: fármacos que agem sobre o sistema 
nervoso periférico, que agem sobre o sistema cardiovascular, sobre o sistema digestivo, 
estimulantes do sistema nervoso central, etc... 
 FARMACOGNOSIA: é a parte da farmacologia que estuda a origem dos fármacos. 
 FARMACODINÂMICA: estuda os efeitos bioquímicos e fisiológicos dos fármacos e 
seus mecanismos de ação. 
 FARMACOCINÉTICA: estuda o destino dos fármacos (absorção, distribuição, 
metabolização e excreção), ou seja, como o organismo se comporta frente aos fármacos. 
 FARMACOLOGIA MOLECULAR: é a área da farmacologia que estuda os efeitos 
das drogas correlacionando-as com a estrutura química das mesmas. 
 FARMACOTÉCNICA: estuda a maneira de preparar as formas medicamentosas. 
 FARMACOTERAPIA: é o ramo da farmacologia que estuda a aplicação dos 
medicamentos no tratamento das enfermidades. 
 TOXICOLOGIA: é a área que se dedica a estudar os efeitos nocivos dos fármacos, 
as doses tóxicas, os sintomas e o tratamento das intoxicações. 
 CRONOFARMACOLOGIA: é a área que se dedica ao estudo das variações 
rítmicas dos medicamentos no corpo, com o objetivo de encontrar horários em que as 
medicações sejam mais eficientes e provoquem menos efeitos colaterais. 
 FARMACOGENÉTICA: É o estudo das influências genéticas sobre as respostas 
dos fármacos. 
 FARMACOGENÔMICA: Descreve o uso da informação genética para guiar a 
escolha de uma terapia medicamentosa em bases individuais. Associando as variações 
genéticas específicas às variações na terapêutica ou nos efeitos indesejáveis de um 
fármaco em particular permitiria a individualização da escolha terapêutica com base no 
genótipo do paciente. 
 FARMACOECONOMIA: Ramo da economia da saúde que visa quantificar em 
termos econômicos o custo e o benefício dos fármacos utilizados terapêuticamente. 
 FARMACOEPIDEMIOLOGIA: É o estudo dos efeitos dos fármacos em nível 
populacional. Estuda a variabilidade dos efeitos dos fármacos entre indivíduos de uma 
população, e entre populações. 
 
1.3 - Conceitos Gerais 
 Æ FARMACOLOGIA: é uma ciência que estuda os fármacos e os medicamentos 
sob todos os aspectos. Compreende o conhecimento da história, origem, propriedades 
físicas e químicas, composição, efeitos bioquímicos e fisiológicos, mecanismo de ação, 
absorção, distribuição, biotransformação, eliminação, usos terapêuticos, além de outros 
empregos das substâncias medicamentosas. 
Etimologicamente vem do grego Phármakon = fármaco, droga ou medicamento e 
do sufixo Lógos = estudo, tratado. 
 Æ FÁRMACO: são substâncias que possuem estrutura química definida e que são 
utilizadas com a finalidade de modificar ou explorar sistemas fisiológicos ou patológicos, 
para o benefício do organismo receptor. É a droga-medicamento de estrutura química 
bem definida. 
 Æ MEDICAMENTO: do latim medicamentum, de medicare = curar. Portanto, 
medicamento é qualquer substância química ou associação de substâncias empregadas 
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num organismo vivo, visando-se obter efeitos benéficos. São substâncias químicas 
destinadas a curar, diminuir, prevenir e/ou diagnosticar enfermidades. 
 Æ DROGA: qualquer substância química capaz de agir num organismo vivo, 
produzindo efeito farmacológico, provocando alterações somáticas ou funcionais. Estas 
alterações