Caderno_Didtico_de_Farmacologia_Geral.pdf
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DisciplinaFarmacologia Veterinária I805 materiais4.890 seguidores
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causa depressão cardiovascular, por efeitos 
sobre o miocárdio e sobre vasos sanguíneos, assim como sobre o sistema nervoso. Os 
agentes anestésicos halogenados causam arritmias cardíacas, acentuadas pelas 
catecolaminas circulantes. 
9 Em doses supra-anestésicas, todos os agentes anestésicos causam morte por 
perda dos reflexos cardiovasculares e por paralisia respiratória. 
 
15.3 - Farmacocinética dos Anestésicos Inalatórios: 
 A absorção, portanto, depende de uma boa ventilação pulmonar, concentração do 
anestésico nos alvéolos e da difusão do anestésico. A excreção por sua vez depende da 
difusão do anestésico, do ponto de ebulição, do coeficiente de solubilidade e da boa 
ventilação pulmonar. 
A indução da anestesia pode ser feita com o próprio agente inalante através de 
máscaras ou com aparelhos anestésicos ou ainda pode-se realizar a indução com 
agentes injetáveis e manutenção com inalante. 
15.3.1 - Captação: o anestésico inalante penetra com o ar inspirado, passa ao ar 
alveolar e neste ponto sofre absorção atingindo o sangue e se difundindo para o 
organismo. A passagem do anestésico inalante do ar alveolar para a corrente sangüínea 
depende: primeiro da pressão do agente no alvéolo; segundo da solubilidade sangue/gás. 
Quanto maior for o coeficiente de solubilidade sangue/gás mais tempo será necessário 
para a saturação total do sangue. 
 Solubilidade de alguns anestésicos: 
9 etileno 0,14 
9 ciclopropano 0,415 
9 óxido nitroso 0,468 
9 halotano 2,3 
9 clorofórmio 8,4 
9 éter 12,1 
9 metoxiflurano 13,0 
 
Ex.: o éter demora mais para saturar o sangue do que o halotano, por isso a indução pelo 
halotano é mais rápida do que pelo éter. 
 A concentração do anestésico é padronizada pelo índice de Concentração 
Alveolar Mínima (CAM), que corresponde á concentração inspirada do anestésico, a 
pressão de uma atmosfera, que previne a resposta á estímulos nociceptivos (incisão 
cirúrgica) em 50% dos pacientes. Emprega-se em 95% dos casos, em média, 1,3 CAM. A 
CAM indica a potência do anestésico, portanto quanto menor a CAM, maior a potência 
anestésica. 
 O valor da CAM é constante para cada anestésico, podendo variar conforme a 
técnica e o paciente individualmente. A hipotermia, gestação, hipoxemia severa, 
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medicação pré-anestésica, outros anestésicos, anemia severa e a idade avançada, 
diminuem a CAM. Já a hipertermia, hipertireoidismo, hipernatremia, uso de anfetaminas, 
cocaína e efedrina, aumentam a CAM. 
 
15.3.2 - Distribuição: ocorre em relação direta com a riqueza de vascularização 
dos tecidos. Assim os primeiro a serem atingidos são: cérebro, coração, rins, fígado e 
glândulas (tecidos ricamente vascularizados); na seqüência o grupo muscular e a pele, 
tecido adiposo e, afinal ossos e cartilagens, tecidos pouco vascularizados. 
 A distribuição e a captação dependem ainda: da concentração e da velocidade de 
administração; da intensidade da função respiratória; alimentação recente; excitabilidade 
nervosa; solubilidade dos inalantes em traquéias e balões dos aparelhos de anestesia. 
Dependendo da ventilação pulmonar adequada e do débito cardíaco ocorrerá a 
distribuição do anestésico inalatório, pois destes são dependentes uma adequada 
captação de ar e de gás; um volume minuto respiratório eficiente; a higidez pulmonar uma 
vez que no enfisema pulmonar tem-se uma insuficiência respiratória e, finalmente da 
plena circulação pulmonar. 
Æ Lei de Dalton: quanto maior for a concentração do gás anestésicos nos 
alvéolos, maior será a sua pressão parcial. 
Æ Lei de Henry: quanto maior a pressão parcial maior será a solubilidade no 
sangue. 
 
 15.3.3 - Eliminação: quando se interrompe a administração do inalante este 
percorre um caminho inverso da saturação dos tecidos: tecido Æ sangue Æ alvéolo Æ 
ar expirado. De 80% a 90% dos inalantes são expirados com o ar e o restante sofre 
biotransformação primariamente no fígado e posteriormente nos pulmões, rins e trato 
gastrointestinal. As oxidases de função mista são as principais enzimas envolvidas na 
biotransformação, cujo processo principal são as oxidações. 
 
 
15.4 - Efeitos Gerais dos Anestésicos Inalatórios 
15.4.1 - SNC : Metabolismo e Fluxo Sanguíneo: 
 O consumo de energia do Cérebro é relativamente constante, levando ao sono 
profundo. O consumo de oxigênio é o mesmo verificado em condição de intensa 
concentração cerebral. Em situações de alto consumo de energia, há um consumo de 
20% de toda a energia do organismo dentro dos neurônios. 
 A energia é utilizada para síntese, transporte e liberação de neurotransmissores 
nervosos e manutenção de gradiente iônico. Provém do metabolismo oxidativo local da 
glicose e em situações especiais obtém-se energia do metabolismo dos ácidos. 
 Uma brusca redução de glicose no sangue produz rápida depleção de energia e 
morte cerebral. 
 O cérebro recebe 15% do débito cardíaco para as necessidades metabólicas 
comuns ao fluxo constante por auto regulação cerebral. Quando a perfusão diminui, as 
arteríolas cerebrais dilatam-se e com a baixa da resistência o fluxo aumenta. 
15.4.2 \u2013 Anestesia: 
Na anestesia o consumo de energia cerebral reduz em 50%. Anestésicos como o 
óxido nitroso, no homem, reduzem o metabolismo cerebral em 10%, sem modificação do 
fluxo sangüíneo. Já o halotano, anestésico inalatório dos mais utilizados, reduz em 15% o 
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metabolismo e aumenta em 20% o fluxo sangüíneo, características estas comuns a todos 
os outros anestésicos voláteis. 
 Os anestésicos voláteis afetam a auto-regulação vascular cerebral e o fluxo 
sangüíneo não pode ser mantido devido à redução da pressão sangüínea. Deprimem a 
respiração mitocondrial, bloqueando a transferência de elétrons do NADH, alterando as 
funções do SNC, interferindo com o suprimento de reservas de energia sob a forma de 
fosfatos. 
15.4.3 - Sistema Cardiovascular: 
 Todos os anestésicos voláteis alteram a função cardiovascular, dependendo do 
agente utilizado e dose. O óxido nitroso tem poucos efeitos com atividade adrenérgica 
moderada. Os halogenados, como o halotano, diminuem a pressão arterial dose-
dependente, produzindo vasodilatação, queda do débito cardíaco-DC e diminuem o tônus 
do simpático. Produzem efeito direto cronotrópico negativo no nodo sinoatrial-AS. O 
halotano é o que mais sensibiliza o miocárdio por efeitos sobre as catecolaminas. 
15.4.4 - Sistema Respiratório: 
 Todos deprimem a função respiratória de forma significativa, sendo o óxido nitroso 
o que menos deprime. Os efeitos são variáveis de anestésico para anestésico e 
relacionados com o emprego ou não de depressores na medicação pré-anestésica. Há 
diminuição do volume minuto, variando de 20% - óxido nitroso; 28% - halotano; 34% - 
isoflurano; 71% - enflurano. A resposta ventilatória a hipercapnia e hipóxia diminui pela 
depressão da atividade dos quimiorreceptores. 
 O paciente perde a capacidade de responder de forma adequada às alterações da 
pCO2 e pO2, portanto a monitoração da função respiratória é imprescindível. A 
concentração anestésica alta, particularmente do halotano, eleva a pCO2 e baixa a 
pressão arterial, resultando em acidose respiratória. Deprime o reflexo laríngeo, relaxa os 
masseteres, proporciona procedimentos de endoscopia, laringoscopia e entubação 
traqueal. Em pacientes asmáticos, o halotano é indicado, pois promove broncodilatação. 
15.4.5 - Sistema Muscular: 
 A musculatura esquelética relaxa por mecanismos centrais e, na placa mioneural, 
relaxa também a musculatura uterina, permitindo manobras do parto. Inibe contrações 
intensas, prolongando o tempo de parto e agindo sinergicamente com relaxamento 
muscular despolarizante, facilitando os procedimentos em cirurgia ginecológica 
abdominal. 
15.4.6 - Fígado e Outros