Caderno_Didtico_de_Farmacologia_Geral.pdf
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DisciplinaFarmacologia Veterinária I805 materiais4.888 seguidores
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Órgãos: 
O halotano está associado com o aumento da ocorrência de lesões hepáticas, 
eventualmente, após anestesia e cirurgia. 
 a) aumento moderado das transaminases, com taxa de mortalidade baixa; 
 b) disfunção hepática fatal, associada à exposição repetida do indivíduo em curtos 
intervalos = taxa de mortalidade elevada. 
A exposição múltipla, obesidade, sexo (feminino) e a sensibilidade são fatores que 
aumentam os riscos de hepatotoxicidade fatal. 
A ação direta sobre os hepatócitos com diminuição de O2 hepático; resposta 
imunológica aos fluoretos produzidos, agindo com haptenos que atuam na formação de 
anticorpos são os mecanismos atribuídos à hepatotoxicidade. No homem a possibilidade 
é de 1:800.000 e em animais como cavalos, cães e ovelhas é raro esta toxicidade. 
A hipertermia maligna, caracterizada por uma síndrome com rápido aumento da 
temperatura corporal, taquicardia, hipotensão, cianose e lesões musculares, podem 
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ocorrer no homem e nos suínos. Provavelmente há uma regulação deficiente de cálcio na 
membrana do retículo sarcoplasmático em indivíduos predispostos geneticamente. Outros 
fatores como estresse, temperatura ambiental alta, infecção, injúria muscular, exercícios, 
bloqueadores neuromusculares (succinilcolina administrada previamente), anestésicos 
gerais (tiopental) e potentes anestésicos voláteis, são também fatores predisponentes e 
desencadeantes da síndrome. O halotano é o agente de maior potencial para a 
hipertermia maligna. Trata-se com dantrolene (relaxante muscular potente), bicarbonato 
de sódio, antiarrítmicos e resfriamento muscular. 
Metabolismo: Todos os agentes inalatórios causam diminuição da resposta 
hipofisária, da supra-renal e inibição do ADH. 
15.4.7 - Útero: 
 Os agentes inalatórios atravessam a placenta rapidamente e prontamente, 
causando efeitos em fetos, dependendo da concentração e do tempo de exposição. 
Comprometem a atividade contrátil e o tônus uterino. 
 
15.5 - Toxicidade Anestésica 
 Podem provocar toxicidade crônica ou aguda com um único uso nos rins e fígado, 
pelos efeitos imunossupressores. O enflurano tem potencial nefrotóxico pela 
biotransformação em metabólitos do flúor. A Sociedade Americana de Anestesiologia 
observou aumento na incidência de doenças no pessoal que freqüenta a sala de 
operações, como abortos, mal formações em crianças, câncer em anestesiologistas 
femininos, doenças hepáticas e renais em enfermeiras. 
 
15.6 - Usos dos Agentes Inalatórios 
 Cirurgias prolongadas sem limite de tempo; manutenção da anestesia pós-indução 
anestésica com agentes injetáveis; quando o uso de agentes anestésicos injetáveis é 
desaconselhado em determinados pacientes e associação com medicação pré-
anestésica, bloqueadores neuromusculares, anestésicos gerais e agentes dissociativos. 
15.6.1 - Protóxido de Nitrogênio ou Óxido Nitroso: 
Mais conhecido como gás hilariante, produz baixa toxicidade e euforia, sendo muito 
utilizado como entorpecente, podendo levar o usuário à morte por hipóxia. Não é 
explosivo e inflamável, não irrita as mucosas e nem deprime o miocárdio, sem produzir 
espasmos bronquiolares. 
Por ser pouco potente e ter fraca analgesia, não permite anestesia em planos 
profundos, além de não relaxar muscularmente. Induz a náuseas e vômitos. 
Atualmente é empregado como agente formador de espuma, ação que quando da 
liberação na atmosfera, reage e acaba ajudando a destruir a camada de ozônio. 
15.6.2 \u2013 Halotano: 
Tem uma potência muito elevada, indução anestésica rápida e agradável, permite 
um despertar precoce e suave, além de não ser inflamável e nem explosivo. É o mais 
utilizado em anestesia inalatória. 
Tem fraca ação analgésica, deprime o miocárdio, produz arritmia, altera a função 
hepática e tem um custo relativamente alto. 
 
 
 
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Promove hipotensão o que leva a miopatia pós-operatória e recuperacão tardia no 
eqüino. 
15.6.3 \u2013 Enflurano: 
É um agente inalatório não explosivo e nem inflamável, permitindo uma anestesia 
rápida e agradável, não irritando as vias aéreas. Permite também um despertar e 
relaxamento precoce, sendo muito potente e raramente produz náuseas ou vômitos. 
Por outro lado deprime as funções cardiovasculares, provoca hipotensão arterial e 
deprime a respiração, também pode levar a mioclonias o equino. É considerado o 
anestésico de eleição em pequenos animais e animais selvagens e nos animais com 
insuficiência renal. 
15.6.4 \u2013 Isoflurano: 
 Tem o menor índice de biotransformação (0,2%) e sem toxicidade renal ou 
hepática, mas pela pouca disponibilidade tem um custo elevado. 
15.6.5 - Sevofluorano e Desflurano: 
 Também são pouco biotransformados (-5%) e tem rápida excreção pela urina, além 
de relativa insolubilidade. O uso é mais recente embora o custo já se tornou mais 
acessível. O desfluorano é menos estável. 
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16. ANESTÉSICOS GERAIS INJETÁVEIS E DISSOCIATIVOS 
 
 O uso destes agentes anestésicos iniciou em 1628, por W. Harvey, com estudos 
sobre o sistema cardiovascular, pela administração de fármacos por via intravenosa. 
Riynd, 1845, por sua vez criou a seringa hipodérmica e dez anos após Wood, a agulha 
hipodérmica. O introdutor da anestesia geral intravenosa, no homem, foi Oré, em 1872, 
com o hidrato de cloral e Pirogoff, 1924 utilizou os barbituratos. Posteriormente, outros 
compostos do ácido barbitúricos foram descobertos e utilizados, como o tiopental sódico 
é até hoje, aumentando assim a margem de aceitação e utilização deste tipo de 
anestesia. 
 A anestesia injetável tem como grande vantagem o acesso fácil a via venosa; 
comodidade de aceitação pelo paciente; uma indução menos desagradável que pelos 
inalatórios e não requer uma aparelhagem sofisticada. 
 Como desvantagens a margem de perigo é grande, principalmente por pessoas 
não habilitadas, além do que o profissional precisa conhecer: doses e diluições; técnicas 
adequadas de administração; capacidade de realizar manobras de entubação traqueal em 
uma emergência e conhecimento pleno de procedimentos de reanimação 
cardiorespiratória. 
 Além disso, a anestesia injetável tem efeito reversível lento, pois uma vez injetado 
o agente, pouco se pode fazer para retirar do organismo. Quanto menor a concentração 
da diluição ou a quantidade injetada, melhor será a capacidade do organismo regular a 
profundidade anestésica e a avaliação dos parâmetros da profundidade. 
 A anestesia inalatória tem vantagens, pois a suspensão da administração do 
anestésico e o uso de ar (oxigênio), fazem cair a concentração alveolar do gás e diminui a 
absorção e a concentração no organismo. 
 A superdosagem pode facilmente ser atingida quando da infusão venosa contínua, 
por outro lado em dose única proporciona anestesia de curta duração e indução de 
anestesia geral, mantida via inalatória. 
 Os anestésicos injetáveis produzem diferentes graus de depressão no sistema 
nervoso central. 
 Os principais usos são para indução de anestesia geral, anestesia de curta duração 
como reduções de fraturas; retirada de corpo estranho; curetagem uterina; curativo de 
queimaduras; drenagem de abscessos e exames especializados. 
 
16.1 - Barbitúricos 
 O ácido barbitúrico foi sintetizado em 1864 por Adolph Bayer, através da reação do 
ácido malônico com uréia (maloniluréia). A utilização como depressor do SNC, só ocorreu 
em 1903. 
 O único barbitúrico que tem importância em anestesia é o tiopental. 
9 Tem lipossolubilidade muito alta; 
9 São ácidos fracos formados por sais com metais alcalinos de pH 10 - 12,5, 
instáveis em soluções alcalinas e decompõem-se facilmente, ionizando-se na água. 
9 A administração principal é por via intravenosa; 
9 Ação rápida por causa da rápida transferência pela membrana 
hematoencefálica; curta duração