Caderno_Didtico_de_Farmacologia_Geral.pdf
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DisciplinaFarmacologia Veterinária I803 materiais4.876 seguidores
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podem ser benéficas (droga-medicamento) ou maléficas (droga-tóxico). Podem 
também ser utilizadas como instrumento auxiliar em investigação científica. 
 Æ REMÉDIO: do latim remedium, re= inteiramente + mederi = curar. Portanto, tudo 
aquilo que cura, alivia ou evita uma enfermidade. Palavra usada pelo leigo como sinônimo 
de medicamento e especialidade farmacêutica. Este termo abrange não só os agentes 
químicos (medicamentos) como outros recursos como tratamento psicológico, alterações 
de hábitos, higiene, massagem, orações ou crença religiosa, exercícios. O conceito de 
remédio exclui a necessidade de comprovação científica de sua eficácia e segurança. 
 Æ FORMA FARMACÊUTICA: é a forma pela qual se apresenta o medicamento 
para ser utilizado. Exemplo: comprimido, tablete, cápsula, xarope, elixir, etc... 
 Æ VENENO: toda a substância que ingerida ou aplicada externamente, sendo 
absorvida, determine a morte ou ponha risco a vida. 
 Æ PLACEBO: é uma palavra derivada do latim placere = agradar. Segundo 
definição de 1881: \u201cplacebo é um qualitativo dado a toda medicação prescrita mais para 
agradar ao paciente do que para lhe ser útil\u201d. Outra definição é que \u201cplacebo é qualquer 
tratamento que não tem ação específica nos sintomas ou doença do paciente, mas que, 
de qualquer forma, pode causar um efeito no paciente\u201d. Usado em ensaios clínicos 
controlados para determinar a eficácia de novos medicamentos. A palavra também pode 
ser aplicada a algum processo sem valor terapêutico intrínseco, porém realizado pela sua 
influência psicológica sobre o paciente. Mesmo os medicamentos já consagrados ou em 
investigação possuem, além de sua ação farmacológica intrínseca, o chamado efeito 
placebo quando o paciente acredita na atividade do medicamento. 
 Æ POSOLOGIA: do grego pósos = quanto + logos = estudo. É o estudo das 
dosagens do medicamento com fins terapêuticos. 
 Æ DOSE: é a quantidade de medicamento necessária para promover a resposta 
terapêutica. 
 Æ DOSAGEM: Inclui além da dose, a freqüência de administração e duração do 
tratamento. 
 Æ DOSE EFETIVA OU TERAPÊUTICA: é a dose capaz de produzir efeito 
determinado. 
 Æ DOSE EFETIVA 50 (DE 50): dose que produz determinado efeito em 50% dos 
indivíduos testados. 
 Æ DOSE LETAL 50 (DL 50): dose que produz a morte de 50% dos indivíduos 
testados. 
 Æ ÍNDICE TERAPÊUTICO: é a relação existente entre a DL50/DE50. Este índice 
será tanto melhor quanto maior o quociente. 
 Æ MARGEM DE SEGURANÇA: é a relação estabelecida entre DL10/DE90. 
 Æ MEDICAMENTO OFICIAL: é aquele que faz parte da farmacopéia. 
 Æ MEDICAMENTO OFICINAL: é aquele que se prepara na própria farmácia, de 
acordo com as normas e doses estabelecidas por farmacopéias ou formulários e com 
designação uniforme. 
 Æ MEDICAMENTO MAGISTRAL: é aquele prescrito pelo profissional e preparado 
para cada caso, com indicação de composição qualitativa e quantitativa, da forma 
farmacêutica e da maneira de administração. 
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Farmacologia Geral Veterinária 
 
 Æ FARMACOPÉIA: publicação na forma de livro que oficializa as drogas-
medicamentos de uso corrente e consagradas pela experiência como eficazes e úteis. 
Descreve testes químicos para determinar a identidade e pureza das drogas e fórmulas 
para certas misturas dessas substâncias. As farmacopéias são publicações oficiais do 
governo de cada país e são atualizadas periodicamente por comissões designadas pelo 
órgão oficial. 
 
1.4 - Importância da Farmacologia na Medicina Veterinária 
 A Farmacologia pode ser considerada a \u201ccensura\u201d dos medicamentos, uma vez que 
para a obtenção de um fármaco que seja eficaz na terapêutica medicamentosa, na 
maioria das vezes é necessário examinar milhares de outras substâncias químicas 
derivadas de um só produto, como é o caso das sulfas, antibacteriano que para a sua 
obtenção, examinaram-se mais de cinco mil produtos. Portanto um laboratório de 
Farmacologia pesquisa em média de quatro a cinco mil outros medicamentos até chegar 
a um medicamento que venha a ser utilizado no arsenal terapêutico. 
 Antes de um fármaco ser testado clinicamente, deverá passar por etapas 
consideradas básicas que iniciam pela descoberta de um novo composto ou a descoberta 
de um novo uso para um composto já conhecido; a pesquisa inicial por meio de testes 
específicos ou gerais para determinar a real atividade farmacológica; estudos da 
toxicidade aguda em animais para estabelecer a margem de segurança, dose letal e dose 
terapêutica eficaz; estudos mais amplos para estes aspectos de toxicidade e eficácia; 
estudos da toxicidade subaguda para determinação da dosagem correta, e o que a nova 
droga faz e como faz, usando no mínimo duas espécies de animais e estudos anátomo-
patológicos; informações às autoridades competentes e solicitação de um requerimento 
para uma droga investigacional iniciando estudos em seres humanos, pacientes 
voluntários. Por fim, estudos de toxicidade a longo termo em animais, preferencialmente 
primatas, podendo então a partir daí, iniciarem os testes clínicos, continuando os testes 
em animais. 
 Observa-se, portanto a necessidade de conhecimentos principalmente nas áreas 
de Fisiologia e Patologia, destacando-se o Médico Veterinário como um dos profissionais 
indicados para estes estudos básicos e clínicos na pesquisa de fármacos. 
 Os conhecimentos exatos em Farmacologia são necessários para o desempenho 
pleno da profissão de médico-veterinário. 
 É evidente que a farmacologia com suas raízes profundas na fisiologia e 
bioquímica é útil a qualquer que seja a especialização dentro da área da saúde. 
 A farmacologia fornece as bases para o estabelecimento de uma terapêutica 
científica e racional. 
 
1.5 - Sistemas de Tratamentos 
Æ ALOPATIA: (allos = outro; pathos = doença). É o sistema terapêutico em que as 
doenças são tratadas criando-se condições compatíveis com o estado patológico, 
mediante antagonismo do agente causal. 
Æ HOMEOPATIA: (homeo = semelhante; pathos = doença). Ramo paralelo a 
Farmacologia, baseado numa teoria criada no final do século XVIII por SAMUEL 
HAHNEMANN (1755-1843) de que o \u201csemelhante combate semelhante\u201d. Hahnemman 
propõe o uso de doses infinitesimalmente menores do que as usadas em terapias com 
medicamentos, a tal ponto que é praticamente impossível dosar o que considera 
princípios ativos. Baseado na observação de efeitos tóxicos, a homeopatia procura curar 
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administrando um agente que pode causar o mesmo sintoma da moléstia. Utiliza os 
princípios da potenciação e similaridade (similia similibus curantur), abordando o indivíduo 
como um todo, trata o doente e não somente a doença. Seus medicamentos são 
preparados, empregando-se técnicas especiais de diluições sucessivas, intercaladas de 
agitações vigorosas e dinamizações. 
Æ FITOTERAPIA: é o emprego correto de plantas medicinais para fins 
terapêuticos, com o uso de plantas medicinais selecionadas por sua eficácia e segurança 
terapêuticas, baseadas na tradição popular ou cientificamente validadas como medicinais. 
As apresentações e preparações fitoterápicas são divididas em uso farmacêutico (produto 
fitoterápico) e uso doméstico (planta medicinal). 
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2. FORMAS FARMACÊUTICAS E FÓRMULAS 
 
2.1 - Introdução 
Historicamente, sabe-se que as primeiras formas farmacêuticas foram descritas 
nos papiros médicos dos egípcios e que através das crenças espirituais, que utilizavam o 
encantamento, a música e os perfumes tentava-se a cura de enfermidades. Também as 
chamadas beberagens mágicas utilizadas no preparo de medicamentos foram descritas 
por Hipócrates na Grécia Antiga e Galeno no Império Romano. 
A formulação farmacêutica propriamente dita foi descrita no século XIV por 
Paracelsus e por Lavoisier no século XVII na chamada \u201cRevolução Química\u201d. 
No século XIX e XX sucedeu-se a criação das