Caderno_Didtico_de_Farmacologia_Geral.pdf
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DisciplinaFarmacologia Veterinária I805 materiais4.888 seguidores
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utilizando preferencialmente a corrente sangüínea como meio de circulação. 
O modo como o fármaco é fornecido ao organismo constitui a via de 
administração, que deverá ser escolhida em função do princípio ativo, do veiculo 
utilizado (que tem grande influência na cinética do transporte), do objetivo terapêutico e 
das condições em que se encontra o paciente. Portanto o efeito desejado (se sistêmico ou 
local), o período de latência (tempo de inicio da ação), as propriedades físico-químicas, a 
forma farmacêutica do fármaco são fatores que influenciam na administração e 
conseqüentemente no efeito farmacológico. 
 3.1.1 - Classificação das vias de administração quanto à velocidade de 
absorção: 
 Como vimos, é necessário que o fármaco entre na circulação sanguínea para que 
atinja o local onde irá atuar. Para isso, ele poderá ser introduzido diretamente no sangue 
(penetração direta no organismo - administração imediata) ou poderá ser colocado em 
determinado local (depósito - administração mediata) de onde irá passar para o sangue, 
com determinada velocidade. Um dos fatores que influencia grandemente a velocidade de 
absorção é o veículo da preparação medicamentosa. Baseados em numerosos ensaios, e 
única e exclusivamente com fins pedagógicos, elaborou-se uma lista, em ordem 
decrescente, da velocidade média de absorção: 
 
1º Via intramedula-óssea +++++ 
2º Via alveolar ++++ 
3º Via intraperitoneal/ endovenosa +++ 
4º Via intramuscular ++ 
5º Via subcutânea + 
6º Via retal + 
7º Via digestiva + 
8º Via cutânea/ dérmica (tópica) - 
 
3.1.2 \u2013 Absorção: 
Esta poderá ser mediata ou indireta, sempre que não há traumatismo na deposição 
do fármaco, e imediata ou direta quanto há. Portanto, absorção é um processo 
fisiológico através do qual uma substância administrada do exterior chega até à 
corrente circulatória, passando através de barreiras fisiológicas. 
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Farmacologia Geral Veterinária 
3.1.3 \u2013 Aspectos a Considerar na Escolha da Via de Administração: 
Quando perante determinado paciente se pretende fazer a administração de um ou 
mais fármacos, deve-se levar em conta o paciente, o fármaco utilizado, a velocidade de 
absorção da via escolhida, a contenção do paciente, o objetivo terapêutico e no caso das 
fêmeas em gestação, a absorção por via transplacentária. 
a) Aspectos dependentes do paciente: aqui deve-se levar em consideração a 
espécie animal, a idade, a raça, o sexo, e o estado físico do paciente. 
b) O Fármaco utilizado: depende do fim que se pretende deve-se escolher o 
fármaco em função da sua farmacodinâmica. Um fator importante são as possíveis 
incompatibilidades existentes; fenômenos de destruição pelo pH ácido do estômago ou 
enzimas ou bactérias existentes no tubo digestivo; e eliminação na primeira passagem 
pelo fígado (efeito de primeira passagem). 
c) A velocidade de absorção da via: está dependente do estado físico do animal 
e da preparação medicamentosa. 
d) Contenção do paciente: não existe, normalmente, grande colaboração por 
parte dos animais na administração de fármacos, e na maior parte das vezes temos que 
nos socorrer de meios de contenção, que diferem entre as espécies e o grau de sujeição 
que se pretende. 
e) Objetivo terapêutico: são variadas as situações em que o objetivo terapêutico 
pode condicionar a escolha da via de administração, notadamente a necessidade de 
curtos tempos de latência ou efeitos mais prolongados no tempo, as vias de acesso ao 
local onde se pretende atuar. 
f) Absorção por via transplacentária: a absorção por via transplacentária é um 
fator que não se deve negligenciar nas fêmeas em gestação, principalmente no princípio 
da gravidez, pois pode provocar a morte dos fetos por intoxicação como também 
provocam alterações e mal-formação em diferentes tipos de placentas. 
g) Eliminação do fármaco: pelos efeitos nocivos na via de eliminação, capacidade 
funcional dos órgãos de eliminação e possíveis acumulações de fármaco nesses órgãos 
ou produtos por eles produzidos. Na escolha da via de administração deve-se ter atenção 
no caso particular das fêmeas lactantes (consumo de leite pelas crias ou utilização do 
leite para consumo humano). A via intramamária é aquela que tem uma implicação mais 
direta. 
 
3.2 - Material Usado na Administração de Medicamentos 
3.2.1 - Material usado nas administrações por via entérica ou digestiva: 
- Pistola lança-doses ou dosadora, aplicador intra-ruminal; 
- Régua oral (ovinos, caprinos, bovinos, canídeos, felinos) ou abre-bocas; 
- Garrafa (para beberagem); 
- Sondas gástricas; 
- Seringas plásticas (líquidos em animais de companhia). 
3.2.2 - Material usado nas administrações por via parenteral: 
- Seringas Æ Tipos de seringas: de vidro, metálica (veterinária) e plástico 
(descartáveis e esterilizáveis), seringas de um só uso (descartáveis). 
- Agulhas Æ Tipos de agulhas: são variáveis de acordo com suas características, 
que são: diâmetro, comprimento e ângulo do bisel. 
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4. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO 
 
VIAS ENTERAIS \u2013 Fármacos entram em contato com o trato digestório. 
Também chamada de vias de USO INTERNO. 
 
4.1- Via Oral (VO) 
Esta via de administração é a via mais usual para animais domésticos, por ser 
relativamente fácil de ser executada pelos donos dos animais. 
 4.1.1 \u2013 Vantagens: É a via mais simples, a mais segura, a mais econômica e a 
menos perigosa, pois em caso de sobredosagem, pode-se retirar o excesso de 
medicamento por lavagem gástrica ou por vômito (carnívoros). 
 4.1.2 - Inconvenientes: A utilização de substâncias com características 
organolépticas indesejáveis está condicionada ao uso de cápsulas, drágeas ou corretivos 
como forma de abreviar este problema. Está fortemente relacionado ao uso de 
substâncias que sejam destruídas pelo suco gástrico, instáveis no pH intestinal 
estomacal, destruídas por enzimas do trato gastrointestinal (TGI) ou microrganismos aí 
existentes. Há fármacos que podem sofrer o fenômeno de primeira passagem 
(metabolização em grande percentagem na primeira passagem pelo fígado antes da 
distribuição pelo organismo). 
 Deve-se ter atenção à possibilidade de interação entre os medicamentos 
administrados por esta via e ainda entre estes e o conteúdo do TGI com a formação de 
complexos não absorvíveis. No caso dos ruminantes a diluição do fármaco no conteúdo 
ruminal pode implicar grandes tempos de latência e variabilidade das doses de fármaco 
que chega ao intestino. Esta via não pode ser utilizada em pacientes comatosos, nem 
naqueles em que exista diarréia ou vômitos, nem naqueles animais que pela sua 
agressividade seja difícil a administração. Além disso, levar em conta os seguintes fatores 
dependentes do grau e velocidade de absorção: 
a) Estado de repleção do estômago; 
b) Motilidade intestinal; 
c) Variação da circulação sangüínea, que sofre a influência dos estados de 
ansiedade, medo, etc.; 
d) Variação das secreções; 
e) Velocidade de esvaziamento do estômago; 
f) Natureza dos excipientes dos medicamentos; 
g) Absorção gástrica de ácidos fracos e absorção intestinal de bases fracas. 
4.1.3 - Regras a observar: Praticamente o único risco que poderá existir é a 
falsa via, se forçar o animal a ingerir a preparação medicamentosa. 
4.1.4 - Modo de administração - O modo de administração é variável conforme 
as espécies. 
a) Equídeos e Bovinos: 
- Substâncias líquidas - Administração por beberagem e na água de bebida .A 
contenção do animal deve ser de modo a não forçar o animal a ingerir o líquido contra 
vontade sob risco de provocar um falso trajeto/falsa via. O gargalo da garrafa é 
introduzido na cavidade oral do animal pela comissura labial, depois de ser levantada a 
cabeça, deixando-se o líquido verter livremente. 
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Farmacologia Geral Veterinária 
- Substâncias