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Controle de Estímulos e Comportamento Operante.

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descrita como uma seqüência de 
respostas operantes e estímulos discriminati­
vos, tal que cada resposta produz o estímulo 
discriminativo para outra resposta. (Millenson, 
1975, p. 245)
A noção básica do encadeamento é, 
então, que a emissão de uma resposta altera 
o ambiente, produzindo as condições que evo­
cam outras respostas. Deve ser notado que
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essas mesmas alterações no ambiente são as 
que devem estar mantendo a resposta que as 
produziu.
Segundo Skinner (1965), uma cadeia de 
respostas
[...] pode ter pouca ou nenhuma organização. 
Quando saímos para um passeio, andando sem 
rumo pelo campo ou passeando ao acaso em 
um museu ou uma loja, um episódio em nosso 
comportamento gera as condições responsá­
veis por um outro. (p. 224)
Uma cadeia de respostas pode, além disso, 
apresentar-se como uma unidade organizada:
Algumas cadeias têm uma unidade funcional, 
os elos ocorreram mais ou menos na mesma 
ordem e toda a cadeia foi afetada por uma 
única conseqüência, (p. 224)
Cadeias de respostas que apresentem tal 
unidade funcional merecem destaque especial. 
Sua unidade é tão marcante que fica difícil per­
ceber que estamos diante de várias respostas, 
tendemos a lidar com tais cadeias como se 
fossem uma única resposta; é comum descon­
siderar toda a seqüência de respostas e estí­
mulos discriminativos envolvida em atividades 
comuns, cotidianas, e lidar com tais atividades 
como se fossem uma única resposta; como, por 
exemplo, amarrar um sapato. Quando descon-
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sideramos a existência de cadeias desse tipo, 
desconsideramos também a necessidade de 
modelar e de colocar sob controle de estímu­
los adequados cada resposta componente da 
cadeia. Tal desconsideração acarreta problemas 
óbvios quando, por exemplo, estamos envolvi­
dos no planejamento de desenvolvimento de 
repertórios. Para lidar adequadamente com o 
desenvolvimento de repertórios que envolvem 
cadeias de respostas, é preciso que se reco­
nheçam todos os processos comportamentais 
envolvidos; com indica Millenson (1975), tais 
processos incluem: a) a modelagem (reforça­
mento diferencial por aproximações sucessi­
vas) de cada resposta componente da cadeia,
b) o estabelecimento de controle discriminativo 
adequado para cada resposta componente da 
cadeia, c) a utilização da conseqüência de uma 
resposta como estímulo discriminativo para a 
resposta seguinte da cadeia.
A descrição conceituai de uma cadeia de 
respostas oferecida pela análise do compor­
tamento coloca algumas questões curiosas. 
O caminho para construirmos um estímulo 
reforçador condicionado é, primeiro, estabe­
lecê-lo como estímulo discriminativo. Se isso 
estiver correto, no desenvolvimento de cadeias 
de respostas, primeiro devemos colocar uma 
determinada resposta (digamos, a resposta A) 
sob controle adequado de estímulo discrimi-
DISCRIMINAÇÃO E GENERALIZAÇAO: ALGUMAS EXTENSÕES 51
nativo; só então poderemos utilizar esse estí­
mulo como estímulo reforçador para outra 
resposta da cadeia (digamos, a resposta B), que, 
assim, deverá ser uma resposta que antecede 
a resposta A na cadeia, já que os estímulos 
reforçadores da resposta B são os estímulos dis­
criminativos para a resposta A. Isso sugere que 
a melhor maneira para desenvolvermos uma 
cadeia de respostas é utilizar um procedimento 
que tem sido chamado de “encadeamento de 
trás para frente”. Com esse procedimento, o 
ensino da cadeia é iniciado pela última res­
posta da cadeia, pelo último elo (o que produz 
o estímulo reforçador que deve manter toda a 
cadeia), colocando essa resposta sob controle 
discriminativo adequado; a seguir, ensinamos a 
penúltima resposta, apresentando como conse­
qüência para ela o estímulo discriminativo que 
controla a última resposta, e assim sucessiva­
mente. Esse procedimento tem se mostrado de 
especial importância quando se trata de ensi­
nar indivíduos com dificuldades para seguir 
instruções ou quando instruções nào são ins­
trumento suficiente para a produção de novos 
desempenhos (por exemplo, o desenvolvimento 
de algumas habilidades motoras finas) (Pierce e 
Epling, 1999).
52 CONTROLE DE ESTÍMULOS E COMPORTAMENTO OPERANTE
Fading
Os estudos experimentais sobre controle 
de estímulos produziram resultados que leva­
ram ao desenvolvimento de um procedimento 
que recebeu o nome de fading. O fading se 
caracteriza pela transformação gradual de um 
estímulo em outro ou pela mudança gradual de 
uma dimensão do estímulo. Os experimentos 
realizados por Terrace (1963a, 1963b) foram de 
especial importância para o desenvolvimento 
do procedimento de fading e são descritos 
como exemplos de discriminação “sem erro”.
O primeiro experimento relatado por 
Terrace (1963a) ilustra o procedimento de 
fading pela mudança gradual de dimensões 
do estímulo. Nesse experimento, entre outras 
manipulações, Terrace estudou o efeito, no 
estabelecimento do controle de estímulos, da 
introdução gradual do SA. A intensidade de luz 
do estímulo discriminativo (disco iluminado de 
cor vermelha) foi mantida constante e a dura­
ção das apresentações desse estímulo sofreu 
apenas três mudanças (60, 90, 180 segun­
dos), mantendo-se constante quando atingiu 
o último valor. O SA (disco iluminado com cor 
verde) foi introduzido gradualmente, manipu­
lando-se duas dimensões do estímulo: a inten­
sidade (de uma chave escura para uma chave
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iluminada com intensidade máxima) e a dura­
ção da apresentação do estímulo (aumentando 
gradualmente de cinco para 180 segundos).
Os sujeitos experimentais, que passaram 
por esse procedimento de introdução gradual 
do estímulo (fading) desde o início do estabe­
lecimento do controle de estímulos, pratica­
mente não emitiram respostas diante do S-\ 
não passando, assim, por um procedimento de 
extinção.
O segundo experimento de Terrace ( 1963b) 
ilustra o procedimento de transformação gra­
dual de um estímulo em outro; nesse caso, a 
exposição de um sujeito a tais transformações 
graduais leva à transferência do controle de 
estímulos: dos estímulos que originalmente 
controlavam o responder, o controle passa a 
ser exercido pelos estímulos que foram pro­
duzidos nesse processo de transformação. O 
experimento realizado por Terrace (ibid.) ilus­
tra muito bem isso. Partindo de uma discrimi­
nação já estabelecida entre verde e vermelho, 
com pombos como sujeitos experimentais, esse 
autor produziu uma nova discriminação entre 
linha vertical e uma linha horizontal. O pro­
cedimento consistiu na apresentação do estí­
mulo vermelho com uma linha vertical branca 
e verde com uma linha horizontal branca e na 
transformação gradual da cor dos estímulos de
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vermelho e verde para preto; tal procedimento 
colocou o responder dos pombos sob controle 
da posição das linhas.
O procedimento de fading tem sido uti­
lizado com bastante sucesso no desenvolvi­
mento de habilidades acadêmicas, por exemplo, 
na alfabetização (Inesta, 1980), principalmente 
com pessoas que apresentam dificuldades de 
aprendizagem.
Referências bibliográficas
GUTTMAN (1974). “Gradientes de generaliza- 
ción en torno a estímulos asociados com 
diferentes programas de reforzamiento”. 
In: CATANIA, A. C. (ed.). Investigación con­
temporânea en conducta operante. México, 
Trillas.
INESTA, E. R. (1980). Técnicas de modificação 
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LUBINSKI, D. e THOMPSON, T. (1987). An animal 
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