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Controle de Estímulos e Comportamento Operante.

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states. Journal o f 
Experimental Analysis o f Behavior, n. 48, 
pp. 1-15.
DISCRIMINAÇAO E GENERALIZAÇÃO: ALGUMAS EXTENSÕES 55
MILLENSON, J. R. (1975). Princípios de aná­
lise do comportamento. Brasília, Editora 
Coordenada de Brasília.
PIERCE, W. D. e EPLING, W. F. (1999). Behavior 
analysis and learning. Upper Seaddle 
River, Prentice Hall.
REYNOLDS, G. S. (1961). Contrast, generalization 
and the process of discrimination. Journal 
of Experimental Analysis o f Behavior, n. 4, 
pp. 289-294.
SIDMAN, M. (1986). “Functional analysis of 
emergent verbal classes”. In: THOMPSON, 
T. e ZEILER, M. D. (eds.). Analysis and 
Integration o f Behavior Units. Hillsdale, 
Erbaum.
SKINNER, B. F. (1965). Science and human 
behavior. New York, The Free Press 
(Publicação original 1953).
TERRACE, H. S. (1963a). Discrimination learning 
with and without “errors”. Journal o f 
Experimental Analysis o f Behavior, n. 6, 
pp. 1-27.
____ (1963b). Errorless transfer of a
discrimination across two continua. 
Journal o f Experimental Analysis o f 
Behavior, n. 6, pp. 223-232.
DISCRIMINAÇAO E GENERALIZAÇAO: 
COMPORTAMENTO HUMANO 
COMPLEXO
Tereza Maria de Azevedo Pires Sério 
Maria Amalia Andery 
Nilza Micheletto 
Paula Suzana Gioia
O estudo experimental e o aprimoramento 
conceituai dos processos de discriminação e 
generalização deixam claro que, na descrição 
do comportamento operante, duas relações 
resposta-ambiente devem ser consideradas: a 
relação entre a resposta e suas conseqüências e 
a relação entre a resposta e a situação presente 
quando da emissão da resposta. Deixam claro, 
também, que essas relações estão, por assim 
dizer, interligadas: por um lado, as conseqüên­
cias diferenciais produzidas pela resposta em 
diferentes situações é que estabelecerão o con­
trole da situação antecedente sobre a resposta, 
por outro lado, a resposta só produzirá tais 
conseqüências se for emitida em determinada 
situação. Assim, quando se trata de descrever 
e compreender o comportamento, é impossí­
vel falar de uma dessas relações isoladamente. 
Essa inter-relação é tão básica para o analista
58 CONTROLE DE ESTÍMULOS E COMPORTAMENTO OPERANTE
do comportamento que ela passa a constituir 
sua unidade de análise: para analisar (isto é, 
decompor, dividir) um episódio, o analista do 
comportamento procurará identificar as inter- 
relações entre situação antecedente-resposta- 
conseqüência que o compõem.
Uma pergunta bastante freqüente entre os 
estudantes de psicologia é se, com essa unidade 
de análise, podemos compreender o comporta­
mento humano, em especial aqueles compor­
tamentos considerados complexos e que pare­
cem ser tipicamente humanos, como, por 
exemplo, os envolvidos nos fenômenos chama­
dos cognitivos. O analista do comportamento, 
é claro, responde afirmativamente: e mais, para 
ele, é exatamente essa unidade de análise com 
três termos que permite tratar desses fenô­
menos complexos. Sidman (1986) apresenta 
de forma muito clara o que a ampliação da 
unidade de análise de dois termos (resposta- 
conseqüência) para três termos (situação ante- 
cedente-resposta-conseqüência) possibilitou. 
Nada melhor, então, que recorrer ao próprio 
texto de Sidman (ibid.) para identificarmos as 
possibilidades dessa nova unidade de análise 
na compreensão do comportamento humano.
Como um bom analista do comporta­
mento, Sidman (ibid.) reconhece as imensas 
possibilidades abertas já pela unidade de dois 
termos (resposta-conseqüência):
COMPORTAMENTO HUMANO COMPLEXO 59
ü reconhecimento da contingência de dois ter­
mos como uma unidade de análise, por mais 
simples que ela pareça, deve ser considerada 
como um marco no desenvolvimento da análise 
comportamental. O comportamento que pare­
cia controlado por eventos futuros, uma ano­
malia científica problemática, poderia agora ser 
visto como tendo sido gerado por contingências 
passadas. Uma importante área da cognição, o 
“propósito", foi pela primeira vez colocada em 
um bom arranjo científico. Não era mais neces­
sário invocar “expectativas”, “antecipações” ou 
“intenções” hipotéticas para trazer os determi­
nantes do futuro para o passado ou o presente; 
poder-se-ia, ao invés disso, indicar as contin­
gências reais que tinham já ocorrido, (p. 217)
Para Sidman (ibid.), a unidade de três ter­
mos só veio confirmar e ampliar as possibili­
dades abertas pelo desenvolvimento conceituai 
da análise do comportamento:
Ao adicionar um único termo a sua unidade 
menor, a análise do comportamento estende 
significativamente seu domínio. Por exemplo, 
a contingência de três termos abarca aque­
les fenômenos que tradicionalmente têm sido 
incluídos no tema “percepção" (...) A contingên­
cia de três termos também é a unidade analítica 
básica da cognição. O conhecimento é inferido 
de observações de controle de estímulos; diz-se 
que conhecemos um objeto de estudo apenas 
se nos comportarmos diferencialmente com 
relação aos materiais que definem esse objeto, 
(pp. 221-223)
60 CONTROLE DE ESTÍMULOS E COMPORTAMENTO OPERANTE
Esses fenômenos citados por Sidman 
(ibid.), percepção e conhecimento, ao lado de 
outros, tais como atenção, formação de con­
ceitos, abstração e solução de problemas, têm 
sido vistos na psicologia como envolvendo ati­
vidades especiais, mais complexas que outras 
atividades humanas. Do ponto de vista da aná­
lise do comportamento, independentemente de 
sua maior ou menor complexidade, todos esses 
fenômenos envolvem a relação entre, pelo 
menos, uma classe de respostas e duas classes 
de estímulos; relação que vimos estudando com 
o nome de controle de estímulos e que é des­
crita com base nos conceitos básicos de discri­
minação e generalização. É objetivo deste texto 
apresentar, pelo menos introdutoriamente, 
como tais relações são compreendidas concei- 
tualmente e ilustrar o trabalho experimental 
que tem fundamentado essa compreensão.
Percepção e atenção
Falar em percepção significa falar de res­
postas operantes controladas por estímulos 
antecedentes. Como outra relação operante, 
a relação envolvida no que chamamos de per­
cepção sofre a influência da história vivida 
pelo indivíduo que se comporta e de circuns­
tâncias presentes no momento em que o indi­
COMPORTAMENTO HUMANO COMPLEXO 61
víduo se comporta. Poling, Schlinger, Starin e 
Blakely (1990) resumem muito bem esse ponto 
de vista:
Entre as variáveis que controlam a percepção, 
no sentido de respostas controladas por um 
estímulo, estão: 1) as características físicas do 
estímulo, 2) a presença concomitante de outros 
estímulos, e 3) a história (experiência) do indi­
víduo com relação ao estímulo, (p. 1U9)
A descrição da percepção como resposta 
operante sob controle de estímulos acarreta 
uma mudança em relação à concepção tradicio­
nal: uma vez que se assuma que percepção é 
comportamento operante, assume-se que per­
cepção como comportamento env olve ação em 
relação ao ambiente. Assim, do ponto de vista 
comportamental, o estudo da percepção não 
deve ser reduzido ao estudo das estruturas dos 
órgãos dos sentidos ou ao estudo da forma ou 
estrutura dos estímulos; nenhum desses aspec­
tos abrange o fenômeno que chamamos tradi­
cionalmente de percepção. Alguns trechos de 
Skinner, retirados do capítulo sobre percepção 
do livTO About Behaviorism (1976), represen­
tam o ponto de vista comportamental.
Uma pessoa não é um espectador indiferente a 
absorv er o mundo como uma esponja. (...) Não 
estamos simplesmente “cientes" do mundo ao 
nosso redor; respondemos a ele de maneiras
62 CONTROLE DE ESTÍMULOS E COMPORTAMENTO OPERANTE
idiossincráticas por causa daquilo que aconte­
ceu quando estivemos em contato com ele. (...) 
Tem sido salientado, com freqüência, que uma 
pessoa que percorreu um caminho quando 
passageiro não consegue encontrá-lo