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Trabalho e Capital Monopolista: A Degradação do Trabalho no Século XX - Harry Braverman - Capítulo 4 e 6 (Resenha)

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Trabalho e Capital Monopolista
A Degradação do Trabalho no Século XX
Harry Braverman
(Capítulo 4 e 6)
Capítulo 4: Gerência Científica
A gerência científica significa um empenho quando se trata de aplicar métodos da ciência aos problemas encontrados acerca do controle do trabalho nas empresas capitalistas em expansão. Sobre a gerência científica, Braverman discorre que: “Ela parte do ponto de vista do capitalista, do ponto de vista da gerência de uma força de trabalho refratária no quadro de relações sociais antagônicas”. (Braverman, p. 83)
Frederick Taylor (1856 – 1915) tentava compreender os fundamentos da organização dos processos de trabalho e do controle sobre ele, sintetizando e apresentando as ideias num todo coerente, ganhando força na Inglaterra e nos Estados Unidos durante o século XIX. Taylor buscava formas de controlar melhor o trabalho alienado (comprava e vendida), elevando o conceito de controle como uma necessidade para a gerência se impor de forma rigorosa ao trabalhador, ditando a maneira como o trabalho deve ser executado em cada fase do processo.
Taylor sustenta que não deve partir do trabalhador como trabalhar para produzir mais, mas sim da gerência científica. A gerência anterior, chamada de gerência comum para Taylor, é atrasada e não corresponde com o aumento de produção. Acrescenta que a gerência científica deve se basear nos três princípios criado por ele:
Primeiro Princípio: Dissociação do processo de trabalho das especialidades dos trabalhadores. Coleta e desenvolvimento dos processos de trabalho como atribuição exclusiva da gerência.
Segundo Princípio: Para assegurar o controle pela gerência como baratear o trabalhador, concepção e execução devem tornar-se esferas separadas do trabalho, para que isso ocorra o estudo dos processos do trabalho devem reservar-se à gerência. Para Taylor: O trabalho torna-se parte do capital à medida que não cabe ao operário desenvolver a ciência, mas sim à gerência científica. Porque apenas a gerência científica tem dinheiro e tempo para tal desenvolvimento. Cabe ao operário apenas vender seu tempo de trabalho como meio de subsistência. 
Terceiro Princípio: Utilização deste monopólio do conhecimento para controlar cada fase do processo de trabalho e seu modo de execução. Ou seja, utilizar o conhecimento adquirido pela gerência científica para controlar como o operário deve trabalhar, e assim manter o aumento da produção. Isso fez com que os trabalhadores não compreendessem os processos nos quais atuavam, pois já não sabiam de onde e como esses processos vinham até eles. 
Esses três princípios criado por Taylor serviriam para garantir que: “à medida que os ofícios declinassem, o trabalhador mergulhasse ao nível da força de trabalho geral e indiferenciado, adaptável a uma vasta gama de tarefas elementares, e à medida que a ciência progredisse, estivesse concentrada nas mãos da gerência.” (Braverman, p.109)
Capítulo 6: A Habituação do Trabalhador ao Modo Capitalista de Produção
	O modo de produção capitalista está continuamente sendo expandido de acordo com as novas áreas de trabalho, sendo aperfeiçoado de modo que sua pressão sobre os trabalhadores se torna incessante. Agora se tem uma necessidade de moldar o trabalhador ao trabalho em sua forma capitalista. 
	Após as medidas adotadas por Taylor surgiram a Psicologia Industrial e a Fisiologia Industrial para aperfeiçoar os métodos de seleção, adestramento e motivação dos trabalhadores. Já a Sociologia Industrial era responsável pelo estudo da oficina como um sistema social. Essas escolas tinham como objetivo principal compreender “condições sob as quais o trabalhador pode ser induzido melhor a cooperar no esquema do trabalho organizado pela engenharia industrial.” (Braverman, p. 125)
	Antes de inaugurar a Ford Motor Company, em 1903, a fabricação de automóveis era restrita aos profissionais que tinha formação nas oficinas de bicicletas e viaturas de Michigan e Ohio. Em 1908 Ford lançou o Modelo T visando o tempo de produção. Henry Ford (1863 – 1947) estava preocupado em produzir cada vez mais automóveis, implementando esteiras e dividindo tarefas para que cada trabalhador tivesse sua função específica e repetida, padronizando os níveis de salário. Isso tornaria a produção muito mais rápida do que o esperado, porém com o passar das gerações o trabalhador não teria mais o conhecimento sobre porque ele teria que fazer tais funções e não conhecendo mais todo o processo da produção, ou seja, “o ofício cedeu lugar a operações pormenorizadas e repetidas.” (Braverman, p. 131). 
Lígia Martins