Direito Penal III - Dos Crimes Contra o Patrimônio
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Direito Penal III - Dos Crimes Contra o Patrimônio


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RESUMO DE DIREITO PENAL
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO (artigos 155, 156, 157 e 158, CP):
Para abordar a respeito dos crimes contra patrimônio devemos ganhar a percepção da \u201cpropriedade\u201d para o legislador e assim poderemos entender de que forma ele visou a sua proteção.
A propriedade se divide na posse direta e na posse indireta, ou seja: o proprietário direto (aquele que é dono e mora no próprio imóvel); o proprietário indireto (aquele que possui o imóvel, porém aluga para terceiros, cedendo a posse direta daquele bem ao locatário).
Art. 155, CP \u2013 FURTO (reclusão de 1 a 4 anos):
Bem tutelado: Posse ou propriedade do bem.
Sujeito ativo: Qualquer um poderá cometer crime pois se trata de crime comum.
Sujeito passivo: Tanto o proprietário quanto o possuidor do bem.
Consumação: Já houve divergência jurisprudencial quanto ao assunto. O STF entendia que a consumação de furto só acontecia quando era posse mansa e pacifica do bem, enquanto o STJ entendeu que somente o furto já era suficiente pra configurar o furto. Atualmente o STF acompanha o STJ nessa decisão, independentemente do tempo em que o individuo permaneça com o bem. Hoje em dia a mera subtração de bem de outrem já configura fato consumado.
Tentativa: Essa modalidade admite tentativa. Temos o exemplo do indivíduo que tenta puxar o celular da mão de um transeunte, que ao notar recolhe o celular, logo, houve uma tentativa de furto.
ATENÇÃO: FURTO DE COISA PRÓPRIA \u2013 Existe a corrente contrária que alega que o fato é literalmente impossível, porém, há julgados nos tribunais de proprietários que estavam impedidos de obter a posse direta do seu bem naquele momento e cometem o furto. Diante dessa situação podemos chamar de furto de coisa própria.
Art. 155, § 1, CP \u2013 FURTO (aumento de pena):
\u201cArt. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel.
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.\u201d
O legislador não estabelece o horário do repouso noturno. Essa é uma analise feita caso a caso. A intenção do legislador ao aumentar essa pena foi o caso do individuo se aproveitar de uma menor atenção da vítima para agir cometendo o ato ilícito. Deve ser analisado caso a caso, pois depende de local, região e forma como acontece. 
Art. 155, § 2, CP \u2013 FURTO (substituição de pena, diminuição ou multa):
\u201cArt. 155, § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.\u201d
A natureza jurídica desse parágrafo é uma causa de diminuição de pena. É utilizada na 3º fase de análise da pena. Ele será condenado pela pratica do crime, mas terá a pena reduzida.
ATENÇÃO: Cuidado para não confundir isso com o princípio da bagatela ou da insignificância. Neste ocorrerá à absolvição do indivíduo. Aqui falamos de uma causa de exclusão da tipicidade material.
Exemplo de bagatela ou insignificância: o indivíduo que rouba a caneta de outrem. Ha a exclusão da tipicidade material porque o bem não representa uma lesão ao patrimônio de outra pessoa.
É importante entender que o STF estabelece requesitos para a adoção desse princípio.
Mínima ofensividade da conduta do agente.
Nenhuma periculosidade social da ação. 
Reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento
Inexpressividade da lesão jurídica provocada.
OBS: Por ser um \u201cprincipio\u201d ninguém é obrigado a adota-lo. Fica discricionário ao juiz o uso ou não. O STF entende que existem outras áreas do direito que podem solucionar esse problema em vez do direito penal.
OBS: grande parte da população carcerária é envolvida em crimes de tráfico, roubo e furto.
ATENÇÃO: a pessoa que está num mercado e come alguma coisa durante as compras não pode ser acusado de nada, pois falta nele o \u201canimus furandi\u201d, ou seja, a intenção, no caso, a intenção de não pagar.
Art. 155, § 3, CP \u2013 FURTO (valor econômico):
\u201cArt. 155, § 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.\u201d
Este parágrafo é direto e se refere ao furto de energia, TV a cabo (gato) ou qualquer outra coisa dessa natureza que possua valor econômico (roubo de internet, por exemplo).
Art. 155, §4, CP \u2013 FURTO (qualificadoras \u2013 reclusão dois a oito anos):
\u201cArt. 155, §4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
ATENÇÃO: É bom se atentar que neste artigo estamos falando da ação em si e não do valor do bem, portanto, não é o valor que define se o furto é ou não qualificado, mas sim a ação do agente.
 I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
Fala do rompimento de barreiras (quebrar uma senha para ter acesso a internet alheia, quebrar o vidro do carro para furtar o som e etc.). É importante entender o significado de barreira. A barreira é algo alheio ao produto desejado. Se um indivíduo quebra o vidro do carro para roubar o próprio carro estaremos falando de furto simples, pois o que ele rompeu foi no próprio objeto desejado. Falamos em furto qualificado se o agente quebrar o vidro do carro para roubar uma bolsa que está dentro.
 II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
Abuso de confiança - É importante entender que não é qualquer furto que se enquadra nessa qualificadora. Nessa modalidade é imprescindível que a vítima demonstre uma especial relação de confiança com o autor. Deverá ser analisado no caso concreto para ponderar, devendo apresentar provas para demonstrar o ocorrido. Não é a função do furtador que define isso, é a relação entre o autor e a vítima.
Exemplo: Se eu contratar hoje uma empregada para a minha casa que eu nunca vi antes, e deixei a chave na planta para que ela abrisse a porta e ao chegar em casa eu notasse que ela havia levado todas as minhas coisas, eu não poderia utilizar essa qualificadora.
Mediante fraude \u2013 Aqui é importante diferenciar o furto mediante fraude e estelionato.
Furto: a fraude é empregada para retirar a vigilância da vítima sobre o bem e com isso possibilitar a subtração, ou seja, no furto o agente distrai a vítima e ao distraí-la o indivíduo pode subtrair. Aqui é FUNDAMENTAL que haja a subtração do bem.
Estelionato: a fraude é empregada para fazer com que a vítima incida em erro e entregue voluntariamente a coisa ao agente. É uma entrega espontânea, porém, é viciada.
Escalada \u2013 Quando o legislador se refere a \u201cescalada\u201d ele está abordando tanto o indivíduo que age por cima (subindo muros, ou paredes) quanto o indivíduo que vai por baixo (túneis e dutos).
Destreza \u2013 Se trata de uma habilidade especial do agente que faz com que ele subtraia o bem sem ser percebido. Deve-se ter muito cuidado com a destreza: Para classificar o crime como qualificado pela destreza o indivíduo precisará apresentar prova inequívoca dessa habilidade e deverá ser feito de forma muito clara. A destreza não exige que ninguém veja o crime, basta que apenas a vítima não veja.
ATENÇÃO: Faz parte da essência do crime de furto que a subtração não seja percebida. Se ela for percebida deixa de ser furto para ser ROUBO.
 III - com emprego de chave falsa;
Nesse inciso o legislador aborda aquelas chaves que são usadas para abrir qualquer porta de carro ou casa, aquelas chamadas \u201cchave mestre\u201d.
 IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.\u201d
Aqui o concurso de agentes serve para qualificar o crime de furto.
Art. 155, §5, CP \u2013 FURTO (veículos retirados do estado ou do país \u2013 pena de reclusão de três a oito anos):
\u201cArt. 155 §5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior\u201d.
É sempre importante lembrar do objeto material do crime, que é a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta criminosa do agente. Neste parágrafo o objeto material é o veículo automotor, ou seja, o texto é claro, para incidir essa qualificadora