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É o ato pelo qual o procurador investe ~m outrem os poderes a ele conferidos,
com ou sem reserva de poderes. No primeiro caso, continua agindo no processo
com iguais poderes, enquanto no outro ele renuncia ao mandato.
Sendo pública a procuração, de igual sorte o será o substabelecimento. Parti-
cular o instrumento de mandato, poderá ser feito na própria procuração (ou em
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documento próprio, se o quiser) reconhecendo-se a firma da pessoa que subs-
tabelece. De feitio informal, pode ser redigido na primeira pessoa (diferentemente
da procuração, portanto), dispensando qualquer título, se no próprio instrumento
de mandato, v. g.:
Substabeleço na pessoa do Dr. Tomé de Sousa, brasileiro, casado, advogado,
OAB..., escritório na Rua José Dini, 64, Taboão da Serra, São Paulo, com reserva
de iguais poderes, os a mim outorgados na presente procuração.
São Paulo, 8 de junho de 1999.
Mário Dias (firma reconhecida)
Pode-se empregar, ainda, a estrutura formal, em 3ª pessoa, exigindo-se, in
casu, além da Procuração inclusa, referências claras que possam vincular o substa-
belecimento àquele documento anexo.
Quanto ao substabelecimento, cumpre assinalar, também, que, revogado o
mandato pelo outorgante, revogado fica o substabelecimento, porque o acessório
segue o principal (accessorium sequitur principale). Em razão desse princípio, não
vale o substabelecimento sem a apresentação da procuração substabelecida.
Não havendo revogação do mandato, morto o mandatário que substa-
beleceu a procuração, tem firmado a jurisprudência o entendimento de que preva-
lece o substabelecimento, porque os direitos e interesses do mandante não podem
ser prejudicados pela ausência de representação.
6.1.5 Estrutura da procuração Ad Judicia: comentários
lingüísticos
omandato judicial era disciplinado, no Código Civil de 1916, tanto pelo direito
substantivo, quanto pelo adjetivo. Para Antonio Chaves (1977, p. 295) cuidava-se
de uma cincada porque o assunto é puramente processual.
Conforme já esclarecido, o Código Civil de 2002 reconhece essa falha, deixando
a regulamentação para a esfera processual.
O art. 36, CPC, determina que: "a parte será representada em juízo por ad-
vogado legalmente habilitado". Entenda-se a exigência como a necessidade de o
bacharel em Direito pertencer aos quadros da OAB,estando quite com as obrigações
da situação, além de não estar impedido para atuar em juízo ou na causa.
Também, em relação ao mandato judicial, o art. 38, CPC, estabelece que "a
procuração para o foro em geral não confere os poderes para atos, que os exijam
especiais" .
Nesse sentido, o art. 38, CPC, diz que a cláusula adjudicia (procuração geral
para o foro) habilita o advogado a praticar todos os atos do processo, "salvo para
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Teoria e Prárica 195
receber a citação inicial, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir,
desistir, renunciar ao direito sobre que se funda a ação, receber, dar quitação e
firmar compromisso", estabelecendo o parágrafo único que "o Código indica os
processos em que a procuração deve conter poderes para os atos, que os exijam
especiais" .
Bom é ressaltar que, regra geral, com exceção do poder para receber a citação
inicial, todos os demais costumam ser expressos nos mandatos judiciais.
Também, oportuno se torna lembrar que a confissão é poder passível de ou-
torga apenas no âmbito cível, porque inoperante seria a confissão de delito, área
criminal, em nome de quem terá de cumprir a sanção penal.
Se o uso de formulários impressos é prática comum na atividade jurídica,
utilizada, quase sempre, para afastar receios, no mais das vezes infundados, dos
clientes, interessantes se tornam alguns comentários lingüísticos a respeito deles,
apenas com o intuito de convidar o jovem estudante, ou mesmo o militante do
Direito, à reflexão.
Os referidos modelos impressos não atendem, regra geral, aos espaços reco-
mendados para a procuração, além de apresentarem muitos vícios de linguagem.
Observadas as recomendações do tópico 6.1.2 na feitura de procurações judiciais
pelo próprio advogado, ou em impressos personalizados, haverá maior proprie-
dade lingüística.
Lembre-se, ainda, que exigível é indicar a ação a ser intentada, bem como
explicitar em face de quem será ela proposta.
Importante é, também, não deixar espaços em branco, para coibir atos frau-
dulentos.
Deve-se ressaltar, em epítome, que a reforma do Código de Processo Civil
estabeleceu a desnecessidade de firma reconhecida na Procuração Ad Judicia,
conforme as regras ali estabelecidas, não alcançando, porém, a Procuração Ad
Negotia, pois o Código Civil em vigor manteve sua obrigatoriedade no Mandato
Extrajudicial.
Como modelo de Procuração Ad Judicia, escolheu-se mandato para tratar de
questão trabalhista, espécie não usual nos impressos.
-
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Modelo de Procuração Ad Judicia
I 3,0 em
PROCURAÇÃO AD JUDICIA
8,0 em
8,0 em
RUBENS ROCHA, brasileiro, casado, meta-
lúrgico, RG , CPE , residente e domiciliado na Rua
Girassol, 105, Vila Madalena, Capital, nomeia e constitui seu bastante
procurador RENATOLIMA,brasileiro, casado, advogado, OAB/SP..... , com
escritório na Rua Pedroso de Moraes, 500, Pinheiros, São Paulo, com o
4,0 em fim especial de defender, amigável ou judicialmente, interesses do outor- 2,0
\u2022gante em face da Indústria Metal Vigor S.A., com sede na Rua das Dores,--'
50, Bairro do Limão, Capital de São Paulo, podendo reclamar indeniza-
ção, salários, reintegração no emprego, propor e acompanhar quaisquer
ações ou reclamações perante qualquer autoridade, Ministério, Justiça
do Trabalho e Juntas de Conciliação e Julgamento, interpor recursos,
aceitar ou recusar acordos, receber e dar quitação e todos os demais atos
judiciais ou extrajudiciais que se fizerem necessários para o firme e valioso
cumprimento deste instrumento particular de mandato, substabelecer,
inclusive.
São Paulo, 12 de julho de 2007.
RUBENS ROCHA
Obs.: Em toda Procuração, deve-se deixar 1,5 em entre as linhas.
6.2 REQUERIMENTO: CONCEITO E ESTRUTURAS
O requerimento é o mais formal dos documentos, devendo ser redigido em 3ª
pessoa, vedado o emprego de palavras de gentileza ou agradecimentos, próprias
da redação comercial. Requerer é pedir deferimento a uma solicitação feita por
alguém - Requerente - a uma autoridade competente para dela conhecer.
Considerada a relação formal e impessoal que se estabelece entre as partes,
a estrutura do Requerimento também será rígida:
Teoria e Prática 197
1. vocativo: autoridade que tem competência ratione materiae. Não se coloca
o nome, e sim o cargo ou função;
2. qualificação do Requerente: dados suficientes para identificá-lo;
3. presença do verbo requerer ou de seus sinônimos, e. g., solicitar;
4. o pedido e suas especificações;
S. fecho;
6. local e data;
7. assinatura do Requerente.
6.2.1 Estrutura do requerimento simples
Cuida-se de pedido certo, não polêmico, apoiado em norma legal ou adminis-
trativa, sendo, assim, Judicial ou Extrajudicial.
É redigido em um único parágrafo gráfico, em linguagem objetiva e concisa.
A tradição cristalizou o fecho:
Nestes Termos,
P.Deferimento.
Observa-se que o dístico, com letras maiúsculas, foi elaborado em maiúsculas
ao gosto parnasiano, ainda que gramaticalmente, a vírgula solicitasse a minúscu-
la. Também a abreviação de Pede (P.) parece ter a função estética de não haver
uma diferença métrica acentuada. A colocação do demonstrativo Nestes parece
inconveniente para alcançar os pedidos feitos anteriormente ao fecho, mas é de-
fendida não só pelo emprego já consolidado pela tradição, como por indicar que
se retomam, no fecho, todos os termos constantes do requerimento.
Há, porém, os que defendem a gramaticalidade do demonstrativo, com o uso
de Nesses, para referir-se,