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pela natureza da ação, e. g., o juiz da Vara Cível é com-
petente para Ação Ordinária de Cobrança, mas não o é para conhecer pedido de
abertura de inventário, dirigido este último à Vara de Família e Sucessões.
2º Qualificação do autor
O art. 282, 11, exige expressamente os dados individualizados do autor: no-
mes e prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência. Além desses, são
considerados imprescindíveis para individualizar o interessado na tutela juris-
dicional do Estado, no dizer jurisprudencial, a naturalidade e documentos pessoais.
Também, sendo a residência e domicílios distintos, não se há exigir os dois ende-
reços, podendo apontar um deles, mesmo que a referência se faça à residência e
domicílio, porque este último pode ser eleito pelo autor, recaindo no endereço da
residência, salvo os casos do domicílio em lei exigidos.
3º Presença do verbo propor
Individualizado o autor, faz-se a indicação da Ação - e rito - a que se pretende
dar início e seus dispositivos legais. A ausência ou equívoco dos artigos legais nos
quais se fundamenta o pedido não invalidam a Inicial: "dê-me os fatos que eu lhe
dou a lei", diz o brocardo e ele estende-se, também, para a natureza da ação que só
não será passível de retificação se inexistente em relação ao pedido pretendido.
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Teoria e Prática 203
4º Qualificação do réu
Deve ele ser individualizado com as mesmas informações exigidas ao autor.
Quando impossível, por desconhecidos os dados em lei apontados, a Inicial deve
fornecer, de forma objetiva, elementos esclarecedores que o distingam, tornando
certo o pólo passivo da relação processual pretendida. É de se esclarecer que a
residência/domicílio é referência obrigatória, até porque em função dela é fixada
a competência do juiz.
5º Narrativa dos fatos e fundamentos jurídicos do pedido
Cumpre ao peticionário expor a causa petendi de forma clara e objetiva. Os
argumentos são mais os deduzidos pelas inferências do que os doutrinariamente
defendidos porque a Inicial não é momento de discussão teórica. Os dispositivos
legais, tanto os do direito substantivo ou material (Direito Civil), quanto os de
direito adjetivo ou formal (Direito Processual Civil), devem estar presentes, mas
o juiz - que dá a lei aos casos omissos - poderá decidir, mesmo ausentes os dis-
positivos legais.
A ausência de uma narrativa clara, que faça conhecer a pretensão do autor, é
um dos motivos ensejadores do art. 284, que se refere a defeitos e irregularidades
capazes de dificultar o julgamento do mérito. "Desta sorte", a exposição dos fatos
e dos fundamentos jurídicos da pretensão do autor deve transparecer a possibili-
dade jurídica do pedido, a legitimação para agir e o interesse de agir, em análise
última, as condições da ação.
É de se lembrar, também, que o legislador não se filiou à teoria da indi-
vidualização na exposição dos fatos e, sim, à teoria da substanciação. Ministra a
doutrina que naquele bastaria indicar a causa próxima do pedido, e. g., "sendo
credor", enquanto a teoria da substanciação, adotada pela lei brasileira, exige a
presença da causa próxima e da causa remota, esta última o fato gerador do pedido,
entendendo o vocábulo fato no sentido técnico de fato constitutivo do direito, e.
g., contrato de mútuo em relação à ação de cobrança que o credor intenta contra
o devedor inadimplente.
6º Opedido e suas especificações
O pedido é o próprio objeto da ação; assim, há de ser claro, indicando as
providências a serem satisfeitas, incluindo os "consectários legais". Resulta ele da
exposição do fato e dos fundamentos juríd~cos do pedido, pois que da narrativa
dos fatos deve decorrer logicamente a conclusão, nos termos do inciso 11do art.
295, CPC.
Consoante a regra do art. 286, CPC, deve ser ele certo ou determinado, apesar
de possível o pedido genérico. O legislador estabelece as normas, em relação ao
pedido, que devem ser atendidas pelo autor.
Teoria e Prática 205
No modelo em tela, viu-se, existe a figura do réu, pela presença do ilícito
civil.
4. Vale lembrar o fenômeno lingüístico chamado Braquiologia; consis-
te em simplificar-se a expressão, eliminando-se o substantivo e subs-
tantivando-se o adjetivo:
5. O modelo de Inicial é bastante singelo, tendo apenas a finalidade de
apresentar a articulação do pedido.
Na prática forense, porém, a Inicial pode ser mais complexa, dividida
em tópicos: o preâmbulo, com indicação das partes e da ação judicial
proposta, uma parte com o título DOS FATOS, outra denominada DO
DIREITO, e, ainda, tópico com o rótulo de DOS PEDIDOS.
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7ºAs provas para demonstração do alegado
Consoante ensinamento milenar, ao autor incumbe provar o alegado. Assim, de
nada valerá uma narrativa bem articulada e fundamentada, se prova não houver,
testemunhal, documental ou pericial.
A despeito da exigibilidade de comunicar ao juiz, já na Inicial, os meios de
prova que o autor pretende produzir para demonstração da verdade, não há ne-
cessidade de indicar ele a prova que se vai produzir in concreto.
8º Requerimento para a citação do réu
Necessita o réu ter conhecimento do pedido contra ele articulado para que, se
o quiser, possa vir defender-se em juízo. É o princípio constitucional do contradi-
tório, e com ela irá se completar a constituição da relação processual.
9º Valor da causa
É matéria processual de suma importância, porque da sua fixação dependem
providências e medidas entre as quais a competência e o rito a serem indicados.
Consoante o art. 258, CPC, o valor da causa deve constar da Inicial, ainda que não
tenha ela conteúdo econômico. Também, os artigos 259 e 260 do mesmo código
indicam os critérios para avaliação do valor da causa.
10º Documentos para instrução da exordial
É a regra contida no art. 283, CPC.A Inicial será instruída com os documentos
indispensáveis a sua propositura, v. g., contrato de locação para ação de despejo.
Aprocuração com cláusula Ad Judicia é, obrigatoriamente, o primeiro documento
a ser juntado (doc. 1).
Alguns comentários sobre o modelo da Inicial
1. Apesar de os manuais abreviarem o vocativo, não é adequada esta me-
dida, sendo re'comendado escrever o endereçamento por extenso e com
letras maiúsculas.
2. Não há necessidade de numerar os parágrafos da Inicial, sendo reco-
mendado um espaço maior entre eles, aliás, medida empregada nos
requerimentos complexos em geral, como se viu anteriormente.
3. É crescente o costume de abandonar, na Inicial, as expressões Autor,
Réu, quando não houver infração na ação proposta. Usam-se, no caso,
expressões do tipo Requerente/Requerido. Não há colocar-se, porém,
Suplicante/Suplicado, porque ninguém bate às portas do Pretório su-
plicando.
'í"'"
,~t
I
!
I Rosto oval - o oval do rosto
Soldado voluntário - o voluntário
Idioma vernáculo - o vernáculo
Na área jurídica:
Petição inicial - a inicial
Carta rogatória - a rogatória
Carta precatória - a precatória
Estação central - a central
Linha reta - a reta
Terra pátria - a pátria
Carta remissória - a remissória
Sentença absolutória - a absolu-
tória
Nota promissória - a promissória
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Nota: Osverbos residir e domiciliarsão estáticos:a regênciaé obrigatoriamentefeita pela prepo-
siçãoem (em + a = na). Deve-seempregarespaçoduplo entre linhas e espaçamentomaior
entre parágrafosgráficos.
8,0 em
8,0 em
Teoria e Prática 207
6.4.1 Aspectos lingüísticos e estruturais da contestação
6.4 A RESPOSTADO RÉu
A contestação é peça jurídica composta de duas partes: em primeiro plano,
cumpre argüir por fatos ou circunstâncias que possam levar à extinção do processo,
dentre as elencadas no art. 301, CPC. A seguir, o réu irá, quanto ao mérito, refutar
todos os termos da Inicial. Não é momento para exame doutrinário ejurispruden-
cial, mas é ocasião para questionamentos,