Da Prova Penal - PART 1
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Da Prova Penal - PART 1


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Da Prova \u2013 PARTE 1 (arts. 155 a 250, CPP) 
1. Teoria Geral da Prova 
Na busca de uma solução, é significativa a comprovação da verdade dentro daquilo que foi produzido nos 
autos, portanto no processo é relevante que as provas sejam bem produzidas, pois delas dependem o 
convencimento do juiz e a condenação ou não do réu. Temos que entender aqui, que o juiz não é obrigado a possuir 
todos os conhecimentos técnicos de uma área, pois o mesmo precisa apenas conhecer a Constituição Federal e leis 
federais e, para a pratica da justiça, precisará dessa base e do apoio de peritos e assistentes técnicos para ajudar a 
alcançar o seu convencimento. 
Conceito: prova é todo elemento através do qual se procura demonstrar a existência e a veracidade de um 
fato. 
Finalidade: influenciar a convicção do destinatário (juiz ou o júri). O livre convencimento é o sistema adotado 
no Brasil, em que o juiz tem liberdade para decidir, mas deve motivar sua decisão sob pena de nulidade (art. 155, 
CPP e 93, IX, CF). 
Ônus da prova: art. 156, CPP. PODE O JUIZ de ofício, produzir algumas provas, seja na fase de investigação, 
antes de iniciada a ação penal; seja no curso da instrução, antes de proferir a sentença. 
Fatos e circunstancias relacionados à causa: nem todos precisam ser provados, mas apenas os mais úteis e 
relevantes ao julgamento da causa. Por isso, não se admitirá prova sobre: 
 
a) Fatos axiomáticos: são aqueles que por serem evidentes em si mesmos, não precisam ser provados. 
Assim, não é preciso provar que o céu é azul, que o dia 1º de janeiro foi feriado, pois é evidente e não 
precisa ser provado. 
b) Fatos notórios: são acontecimentos que não pode nem se deve ser desconhecido pela divulgação e 
publicidade ocorridas. São fatos que não precisam ser provados justamente por serem notórios, 
constituindo uma verdade de domínio publico 
c) Presunções legais: verdades que a lei estabelece. Podem ser absolutas, que não admitem prova em 
contrário, ou relativas. Exemplo: menor de 18 anos é inimputável. 
d) Fatos intuitivos ou evidentes: são aqueles que pela simples apreciação, pode-se constatar sua 
veracidade. 
e) Fúteis: são elementos que em nada contribuirão para a apuração da verdade. 
*Fatos incontroversos: o juiz não está brigado a admitir como verdadeiro um fato apenas porque as partes 
não divergem sobre ele e poderá ou não em certos casos, formar sua convicção apenas com base na 
confissão do acusado. 
*não é preciso provar o Direito pois, se seu conhecimento é presumido por todos, principalmente do juiz, 
aplicador da Lei. 
Como exceção à regra, será necessário provar: 
a) leis estaduais e municipais; 
b) leis estrangeiras; 
c) normas administrativas; 
d) costumes. 
 
Fonte de prova: tudo quanto possa ministrar indicações úteis cujas comprovações sejam necessárias. São 
denúncias, queixas, interrogatório, declarações do ofendido, testemunhas, resposta escrita etc. 
a) Prova cautelar: aquela que tende a desaparecer se não for produzida desde logo; 
b) Prova antecipada: produzida ainda antes do inquérito em razão de sua urgência ou relevância; 
c) Prova não receptível: aquela que a reprodução em juízo tornou-se inviável em decorrência de 
acontecimento ulterior a sua colheita. 
 
Princípios da Prova Penal 
a) Princípio da comunhão: uma vez produzida, a prova pode socorrer qualquer das partes, 
independentemente de qual dos litigantes a indicou ou introduziu no processo. 
b) Princípio da oralidade: consagra a prevalência da linguagem falada sobre a escrita em relação aos atos 
destinados a formar o convencimento do juiz. 
c) Princípio da imediação: exige que o juiz tenha contato direto com as provas de que se valerá para decidir, 
daí por que, em regra, é invalidada a prova sem a presença do magistrado. 
d) Princípio da publicidade: garante que as instruções sejam acompanhadas pelo público, vedando assim 
qualquer atividade secreta. A interceptação telefônica, não é prova que deverá se dar publicidade. 
e) Princípio do livre convencimento motivado: o juiz forma seu próprio convencimento de forma livre na 
valoração das provas, devendo porém, fundamentar suas decisões. 
 
1.2. Meios de provas: 
São admitidas todas as provas obtidas pelo meio lícito, não somente as inseridas no CPP, mas também 
tudo que possa aproximar da verdade. São recursos de percepção de verdade e formação do convencimento do 
juiz solucionando a lide (art. 322, CPP). Basicamente os meios de provas são os capítulos apresentados no CPP 
desde o art. 158 até o art. 250, são os meios chamados nominados. Há ainda os meios inominados, são meios 
moralmente legítimos como por exemplo, reconhecimento fotográfico. 
 
Provas ilícitas: doutrinariamente são classificadas em prova ilícita em sentido estrito e prova ilegítima. 
a) Prova ilícita em sentido estrito: são provas obtidas por meio de violação de norma legal ou 
constitucional, de direito material. Ex.: extrato de movimentação bancária obtida por meio de indevida 
violação de sigilo bancário ou confissão extraída mediante coação moral; 
b) Prova ilegítima: prova obtida ou introduzida na ação por meio de violação de norma de natureza 
processual. Ex.: exibição, em plenário do Tribunal do Júri, de prova relativa ao fato de que a parte 
contrária não tenha sido cientificada com antecedência necessária (art. 479, CPP). 
 
Prova emprestada (ou transladada): aquela colhida em um processo e reproduzida documentalmente 
(geralmente por xerox) na ação pendente de julgamento. De acordo com a doutrina majoritária, a utilização da 
prova emprestada só é possível se aquele contra quem ela for utilizada tiver participado do processo onde essa 
prova foi produzida, observando-se assim os princípios do contraditório e da ampla defesa. 
 
Prova ilícita por derivação: são provas lícitas colhidas por meios ilícitos, como por exemplo, confissão 
extorquida mediante tortura, apreensão de drogas mediante interceptação telefônica ilegal. Porém, não é absoluta 
pois comporta limitações: 
a) Sem nexo de causalidade: entre a prova ilícita e a derivada, que são absolutamente independentes; 
b) Descoberta inevitável: não contaminará a prova derivada da ilícita se puder ser produzida pelos 
regulares atos de investigação ou instrução criminal. O art. 157, §2º, do CPP, denomina-as fonte 
independente. 
 
Critério da proporcionalidade: a vedação da prova ilícita não tem caráter absoluto; a proibição pode ser 
mitigada quando se mostrar aparente confronto com outra norma ou princípio de estatura constitucional. Há então 
de se sacrificar quais bens jurídicos serão sacrificados em detrimento de outro. 
 
1.3. Classificação das provas: 
a) Quanto ao objeto: 
\uf0fc Direta (inartificial ou histórica): a que leva a certeza do fato apurado, por exemplo, 
documentos, fotografias, vídeos etc.; 
\uf0fc Indireta (crítica, obliqua ou artificial): constituída por indícios e presunções, por exemplo, já 
ter tido ameaças, lesões do autor etc. 
 
b) Quanto ao valor ou efeito: 
\uf0fc Plena (perfeita ou completa): prova convincente e verossímil. 
\uf0fc Não plena (imperfeita ou incompleta): não há certeza sobre o fato e são tratadas como 
indício. 
 
c) Quanto à origem: 
\uf0fc Originária: quando não há intermediários entre o fato e o meio de prova (testemunhas 
presenciais, por exemplo); 
\uf0fc Derivada: quando existe intermediação entre o fato e o meio de prova (testemunho do 
testemunho, por exemplo). 
 
d) Quanto à fonte: 
\uf0fc Pessoal: tem como fonte alguma manifestação humana (testemunho, confissão etc.); 
\uf0fc Real: tem como fonte apreciação de elementos físicos distintos da pessoa dotada de 
personalidade (cadáver, a arma do crime etc.). 
 
1.4. Momentos da atividade probatória