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originária do grego, significa ação de exprimir-se pela pala-
vra.
A gramática clássica emprega a frase como sinônimo de oração, proposição
ou sentença, sendo os três termos referentes a um pensamento expresso de forma
inteligível.
Não há, porém, identidade de sentido entre os vocábulos: (a) proposição
(proponere): expor, mostrar, tornar público; (b) oração (orare de os, oris, boca) =
orar ou falar, daí "Oração aos Moços", Rui Barbosa; (c) sentença (sentire): pensar,
julgar, ter opinião.
Se para o clássico tanto uma interjeição "Oh!" quanto uma frase elaborada
em tomo de um verbo eram frases ou orações, para a gramática moderna, frase
é a palavra ou palavras (mesmo a mera interjeição) com sentido completo, e a
oração é a idéia lógica centrada em torno de um verbo. Dois são, pois, os tipos
de frases:
\u2022 Frase nominal: trata-se de frase onde há menos elaboração. É chamada
inarticulada ou frase de situação. Conquanto plena de sentido, acha-se
destituída dos elementos articulatórios estruturais que caracterizam a
oração.
,
Frase 83
3.2 ESTRUTURA DA FRASE
3.2.1.1 Coordenação
Uma oração ---7 período simples.
período
I
frase oradonal
simples
I - d - b d' - d-oraçao coor enaçao su or maçao coor enaçao e
absoluta subordinação
Esquematizando:
frase
~
nominal oradonal
I I
sem verbo com verbo
"A linguagem, como se sugeriu no início deste artigo, é produto do modo de
viver de uma dada sociedade ..." (José Eduardo Faria)
Duas orações ---7 período composto.
"Trata-se de uma cultura que ultrapassa os limites fixados pela dogmática
tradicional e nem por isso é ideológica ou irracional." (José Eduardo Faria)
Etimologicamente, O termo coordenação está preso à preposição latina cum
e ao verbo ordinare (cum + ordinare), isto 'é, ordenar com, ordem em conjunto. O
termo grego correspondente é parataxe (pará - ao lado de) e táxis (linha).
A característica fundamental da coordenação, como se pode depreender do
próprio sentido etimológico, é a identidade, a: equivalência, a relação de similari-
dade, tanto entre os termos como entre orações.
3.2.1 As combinações da frase: coordenação e
subordinação
Os processos, mediante os quais as orações se conectam ou se amarram no
período, denominam-se processos sintáticos: coordenação e subordinação.
Não é mansa e pacífica a matéria, havendo muita controvérsia a respeito dos
conceitos e distinções dos tipos oracionais. Não é, porém, interesse da ativi.dade
jurídica dirimir dúvidas sobre o assunto, que será tratado em linhas gerais.
''Apesquisa de Joaquim Arruda Falcão leva-nos a outras áreas." (José Reinaldo
de Lima Lopes)
"No Brasil, a inquietude democrática agita todas as forças vivas da Nação."
(Shelma Lombardi de Kato)
"Duas gotas, dois minutos.
Dois olhos claros e bonitos."
Também caracteriza os aforismos jurídicos como:
Tem conteúdo significativo, embora opere na área semântica por não es-
tar concentrada num verbo. Émais adequada para figurar em sentenças e
provérbios em razão da ausência do conectivo. Vejam-se os exemplos:
"Homem pequenino, ou embusteiro ou bailarino"; "cabelos longos, idéias
curtas"; "a barba cã, moça louçã".
\u2022 Frase verbal: por estar concentrada num verbo e apresentar formas
de comunicação de maior dimensão, é a frase mais desenvolvida ou de
maior complexidade estrutural, operando na esfera da sintaxe. Chama-se
frase articulada, oracional ou verbal.
Normalmente contém uma estrutura bimembre, articulando sujeito e
predicado.
Na propaganda é corrente tal tipo de frase. Veja-se a referente ao Colírio
Moura Brasil:
"Nulla poena sine lege"; "dura lex, sed lex"; "ubi bene, ibi patria".
"Esta foi mais uma causa do aumento dos litígios judiciais." (Boaventura de
Souza Santos)
"Não se trata de um problema novo." (Boaventura de S. Santos)
82 Curso de Português Jurídico \u2022 Damião/Henriques
3.1.2 Oração
3.1.3 Período
A unidade gramatical desenvolvida em torno de um eixo verbal é, como já se
viu, oração oufrase verbal. Exemplos:
Recebe o nome de período a unidade gramatical que se constitui de uma ou
mais orações concluídas por ponto final ou outro sinal (ponto de interrogação,
ponto de exclamação, reticências, dois-pontos).
Será simples o período constituído de uma só oração; composto, quando houver
duas ou mais orações. Exemplos:
84 Curso de Português Jurídico \u2022 Damião/Henriques
Na coordenação, nenhum dos componentes é parte constituinte do outro; cada
parte compõe uma totalidade; cada membro é um todo, um não é parte do outro.
Não pode haver, na coordenação, dependênciajormal de um em relação ao outro;
pode-se falar em interdependência semântica, de compreensão do sentido.
Nota: Recordar conjunções coordenativas em boas gramáticas.
3.2.1.2 Subordinação
Se uma oração for parte de outra, ela não dispõe de autonomia; fala-se, nesse
caso, de subordinação ou dependência. O nexo, pois, na subordinação é de depen-
dência; a oração subordinada constitui uma parte da oração a que se dá o nome
de principal e com a qual compõe o todo. A oração principal ou subordinante é o
eixo de gravitação das demais orações para conferir ao período o acerto necessário
e conveniente. Exemplos:
"Pela 'res judicata' os tribunais impedem que um conflito se prolongue no
tempo indefinidamente." (J. R. de Lima Lopes)
Há um período composto de duas orações; no caso, a primeira é a subor-
dinante e a segunda, a subordinada.
"Dizemos que há flagrante quando o crime está sendo cometido." (Adauto
Suannes)
Período composto de três orações; a segunda e a terceira são subordinadas.
"São atos jurídicos os que derivam da vontade humana e que produzem efeitos
legais." (Roque Jacinto)
Vê-se, no caso, exemplo de período misto, pois encontra-se coordenação e su-
bordinação. Em princípio, os processos sintáticos são coordenação e subordinação;
pode haver, per accidens, coordenação e subordinação juntas.
Nota: Recordar conjunções subordinativas.
3.3 RELAÇÕES SINTÁTICAS NA EXPRESSIVIDADE DA
FRASE
3.3.1 Concordância
Concordância é o princípio conforme o qual se estabelecem correlações de
flexão entre termos subordinantes e subordinados. De acordo com as classes gra-
maticais, podem-se apresentar as formas seguintes de concordância:
Frase 85
a) concordância nominal: entre substantivo (ou pronome) e adjetivo.
b) concordância verbal: entre sujeito e verbo.
Fazendo-se a correlação pelo subordinante, fala-se em concordância gramati-
cal; se o ajustamento ocorre pela idéia, será ideológica a concordância; no caso de
ajustamento pelo termo mais próximo, dar-se-á a concordância por atração.
Aceita-se que a concordância é, sobretudo, questão de estilo; não se há, pois,
de tachar, precipitadamente, como errôneas, certas concordâncias de autores de
nomeada; cabe investigar se houve ou não razões que as justifiquem.
Exemplos:
Marido e mulher têm o mesmo domicílio.
Concordância gramatical: sujeito composto ~ verbo no plural.
"Realmente, o homem não pode viver isolado." (W M. de Barros)
Concordância gramatical: sujeito simples ~ verbo no singular.
"Do mesmo pai nasceu lsaac e Ismael." (Vieira)
"Segundo os cânones gramaticais há concordância com o termo mais próxi-
mo por atração. Entretanto, o relevante, no caso, não é a mera contigüidade dos
termos, mas o fato de Isaac ser o filho privilegiado, nascido de Sara, ao passo que
Ismael era filho de Agar, uma escrava. A Isaac, por este motivo, coube-lhe o direito
de primogenitura, mesmo nascido depois. Era o primogênito 'de jure', embora não
o fosse 'de facto'" (ANDRADE;HENRIQUES,1992b, p. 65)
"Valha-meCristo e a Virgem do céu! soluçou D. Teresa." (Camilo)
Novamente, a gramática fala em concordância com o mais próximo; expli-
ca-se, entretanto, melhor, a concordância por questão de hierarquia ou primazia
religiosa: Cristo é mais importante; daí o verbo no singular.
É de todos sabido que o amor transforma