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no ensino de
diferentes áreas de Ciências Humanas e Sociais.
Busca-se contribuir, ainda mais, para a efetividade da linguagem jurídica recte,
bene et pulcre, com retidão de idéias, gramaticidade frásica e beleza da expressão
comunicativa, atributos essenciais no discurso jurídico.
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8.3.1.2 Verbos em lAR (odiar, remediar, incendiar, ansiar e
mediar), 265
8.3.1.3 Outros verbos, 266
8.3.2 Verbos da segunda conjugação, 269
8.3.2.1 Conter, 269
8.3.2.2 Despender, 269
8.3.2.3 Prover, 270
8.3.2.4 Requerer, 271
8.3.2.5 Soer, 271
8.3.2.6 Viger, 272
8.3.3 Verbos da terceira conjugação, 272
8.3.3.1 Verbos em VIR, 272
8.3.3.2 Argüir, 272
8.3.3.3 Convir, 273
8.3.3.4 Falir, 273
8.3.3.5 Impedir, 274
8.3.3.6 Infringir, 274
8.3.3.7 Redimir, 274
8.3.3.8 Ressarcir, 275
8.3.3.9 Verbos abundantes, 275
Abreviaturas, 277
8.4.1 Principais abreviaturas, 278
8.4.2 Algumas siglas, 281
Brocardos jurídicos e locuções latinas, 282
8.5.1 Brocardos jurídicos, 282
8.5.2 Locuções latinas, 284
Prefixos e sufixos latinos e gregos, 287
8.6.1 Prefixos latinos, 287
8.6.2 Prefixos gregos, 290
8.6.3 Sufixos latinos, 291
8.6.4 Sufixos gregos, 292
8.4
8.6
8.5
12 Curso de Português Jurídico \u2022 Damião/Henriques
Bibliografia, 293
1_-
...AJo. linguagem é ti base das relações sociais e., em râzão disso, os diversos grü.-
pos de uma comunidade lingüística organizam um código comunicativo próprio,
formando, ao lado da língua-padrão, um universo semiológico.
Adequado é, por isso, falar-se em Curso de Português Jurídico: há imperativa
necessidade de uma disciplina que estude o código lingüístico da língua portuguesa,
aplicado ao contexto jurídico .
Independentemente do ensino acadêmico, porém, o presente livro destina-se
a todos os estudiosos de lingüística e, em particular, aos que militam na área do
Direito e querem ampliar seu saber jurídico .
Não pretenderam os autores - e sequer poderiam desejá-lo - esgotar o assun-
to, mas buscaram um registro abrangente dos dados suscetíveis de uma análise
sêmica do discurso jurídico .
Fica, também, o convite para que se nos ofereçam críticas e sugestões desti-
nadas ao aperfeiçoamento do presente livro .
NOTA DOS AUTORES
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COMUNICAÇÃO JURÍDICA
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1.1 CONCEiTOS
Já é sabido e, mesmo, consabido que o ser humano sofre compulsão natural,
inelutável necessidade de se agrupar em sociedade, razão por que é denominado
ens sociale. Cônscio de suas limitações, congrega-se em sociedade para perseguir
e concretizar seus objetivos; assim, o ser humano é social natura sua, em decor-
rência de sua natureza .
Daí, a propensão inata do homem em colocar o seu em comum com o próximo.
Tal colocar em comum é o comunicar-se, é a comunicação. Já o latim communica-
re se associa à idéia de convivência, relação de grupo, sociedade. O objetivo da
comunicação é o entendimento; como disse alguém, a história é uma constante
busca de entendimento .
A comunicação ultrapassa o plano histórico, vai além do temporal; por isso,
assistiu razão ao poeta latino Horácio dizer que ele não morreria de todo e a
melhor parte de seu ser subsistiria à morte .
Porque o homem é um ser essencialmente político, a comunicação só pode ser
um ato político, uma prática social básica. Nesta prática social é que se assentam
as raízes do Direito, conjunto de normas reguladoras da vida social.
Aceito, então, que o Direito desempenha papel político, função social, pode-
se dizer que suas características fundamentais são a generalidade (que não se
confunde com neutralidade) e a alteridade (bilateralidade).
\u2022 Linguagem do vestuário
a natureza do criminoso. Um ser atávico, reproduzindo os ferozes instintos da
humanidade primitiva, dos animais inferiores. Assim podemos explicar (o crimi-
noso) pelas enormes mandíbulas, ossos salientes das maçãs, arcos proeminentes
dos supercílios, tamanho exagerado das órbitas, olhar sinistro, visão extremamente
aguçada, nenhuma propensão à calvície, orelhas em alça, insensibilidade à dor,
nariz tendendo à direita, falta de simetria geral. No comportamento, indolência
excessiva, incapacidade de ruborizar, paixão por orgias - e desejo insano do mal
pelo próprio mal. Vontade não apenas de tirar a vida da vítima mas também de
mutilar-lhe o corpo, rasgar sua carne, beber seu sangue.&quot;
(Soares, Veríssimo, Millôr, 1992, p. 93)
Pela mímica pode-se conhecer o testemunho de surdos-mudos corno ocorreu
em Mogi das Cruzes (Folha de S. Paulo, 30-4-93).
A falsidade de um depoimento pode revelar-se até mesmo pela transpiração,
pela palidez ou simples movimento palpebral.
Interessante alertar o profissional do Direito para o código cultural das ex-
pressões gestuais.
Assim, o abaixar dos olhos e o desviar insistente do olhar podem ser deco-
dificados tanto como timidez excessiva quanto por ausência de caráter, espírito
mentiroso.
Por outro lado, o olhar persistente assume, não raro, o sentido de desafio e,
muitas vezes, de cinismo.
. O olhar voltado para cima, com a cabeça levemente inclinada, principalmente
quando os olhos ficam descobertos pelos óculos posicionados quase na ponta do
nariz, em geral revela um espírito inquisitivo e perspicaz.
Empregadas essas expressões no interrogatório do réu, em depoimentos de
testemunhas e na ação dos profissionais jurídicos, os destinatários dessa comuni-
cação não verbal irão recebê-la de acordo com o código cultural que interfere nos
usos e costumes de urna sociedade.
\u2022\u2022
Comunicação Jurídica 21 \u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022Os postulantes aos cargos públicos, em Roma, vestiam-se de túnicas brancas, \u2022
indício da pureza de suas intenções e; P?r isso, chamavam-se candidatos (de \u2022
candidus-a-um).
A toga, como qualquer peça do vestuário, é uma informação indiciaI da função \u2022
exercida pelo juiz e a cor negra sinaliza seriedade e compostura que devem carac- \u2022
terizá-Io. Não se misturam trajes como não se usurpam funções e, assim, andou \u2022
com a razão um ex-senador ao dizer que &quot;japona não é toga&quot;.
I \u2022
I ._________ \u2022
'1\ peçonha da cobra eu curo... Quem souber
cure o veneno que há no olhar de uma mulher!&quot;
&quot;Nessa manhã de um soturno dia de dezembro, não foi apenas uma idéia o
que tive, mas um relâmpago de clarividência. Aover o crânio do salteador Vihella,
percebi subitamente, iluminado como uma imensa planície sob um céu em fogo,
20 Curso de Português Jurídico \u2022 Damião/Henriques
Constitui-se a sociedade não de eu + eus, mas, de ego + alter, ou, para se usar
um neologismo de Carlos Drummond de Andrade (apud Monteiro, 1991:36), de
&quot;eumanos&quot;, isto é, de eu + humanos.
Dá-se a comunicação pelo falar e só ao homem reserva-se a determinação de
falar. Eugênio Coseriu observa que o homem é &quot;um ser falante&quot; ou, melhor, é &quot;o
ser falante&quot;.
Comunica-se o homem de forma verbal ou não verbal; esta última acontece
de várias formas como:
\u2022 Linguagem corporal
Na crítica cinematográfica é comum dizer que o corpo fala por Charles Chaplin
e, constantemente, ressalta-se a expressividade dos olhos de Bette Davis.
No romance O processo Maurizius, Jakob Wasermann fala em olhos interroga-
tivos, olhar inquiridor, olhar sombrio e hostil etc.
Sabe-se que os olhos mereceram especial atenção de Machado de Assis, pois
lhe retratavam a natureza íntima - boa ou má - das pessoas. Para ficar com apenas
uma obra, encontram-se em Dom Casmurro, olhos dorminhocos (Tio Cosme); olhos
curiosos (Justina); olhos refletidos (Escobar); olhos quentes e intimativos (Sancha);
olhos policiais (Escobar); olhos oblíquos e de ressaca (Capitu).
Na d,ebatida questão do adultério de Capitu,