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a aluna do curso de tradutor-intérprete", sendo intro-
duzida por pronome relativo, é subordinada adjetiva.
2. A oração: "precisando custear seus estudos", sendo introduzida por verbo
no gerúndio, é subordinada reduzida.
3. A oração: "porque conhece bem a língua inglesa", sendo introduzida por
conectivo causal, é subordinada adverbial.
4. A oração principal é, pois, "Lúcia faz traduções"; em torno dessa idéia
as demais irão gravitar.
Adramaticidade do período subordinado ocorre para impedir que o circuito in-
formativo central se complete antes de serem colocadas as idéias subordinadas.
Observe-se o período:
Frase 97
Júlio foi reprovado em Direito Civil,embora tenha estudado para a prova.
É de se notar que a carga semântica esgotou-se na primeira oração, tornando
precária e frágil a oração a ela subordinada. Diz-se em Estilística que o período
deve estabelecer um critério dramático: uma prótese (cria-se a expectativa); uma
apódose (dá-se o desfecho).
Observe, agora, a variante:
Embora tenha estudado para a prova, Júlio foi reprovado em Direito Civil.
A conjunção concessiva indica, é certo, idéia de oposição, mas estatisticamente
não esgota as possibilidades em uma única solução. Vejam algumas sugestões para
a oração principal:
a) , o professor adiou a prova.
b) , Júlio considerou a prova difícil.
c) , Júlio não foi realizá-la.
Importante é, conclui-se, um exercício disciplinado e contínuo na arte de ela-
borar frases, adotando postura consciente e reflexiva na organização da idéia, na
construção gramatical do pensamento e, por fim, nos efeitos estilísticos da frase,
unidade numérica da persuasão discursiva.
3.5 FEIÇÃO ESTILÍSTICA DA FRASE E DISCURSO
JURÍDICO
Nem sempre a feição estilística das frases é adequada ao discurso jurí-
dico.
Literariamente, há diversos tipos frásicos de vigor retórico, mas não apropria-
dos ao discurso jurídico.
Para melhor aproveitamento deste assunto, recomenda-se a leitura de Othon
Garcia, obra já indicada, em seu Capítulo 1 - Frase, tópico Feição estilística da
frase.
As principais modalidades estilísticas frasais são as seguintes:
a) Frase de arrastão: seqüência cronológica de coordenações, arrastando a
idéia, pormenorizando o pensamento. São muito utilizadas na linguagem
infantil e empregadas por autores contemporâneos para denunciar uma
humanidade que perdeu sua capacidade de hierarquizar idéias, imitando
o homem medieval, que tinha dificuldades em construir períodos subor-
dinados.
Ao jurista é totalmente imprópria esta construção frásica.
1'es~tura sintáticaf mllllma
o réu atacou a vítima
,,~--~/ ,,~--~/ ,,~---~/
sujeito verbo objeto
transitivo direto
direto
Veja-se:
e) Frase labiríntica: é o excesso de subordinações, dividindo-se a frase em
idéias secundárias que, por sua vez, também se partem, afastando-se da
idéia nuclear .
o Direitoé a aplicação da lei que é imperativa, não convidando seus subor-
dinados a obedecer a ela, por exigir seu acatamento, sendo a norma jurídica a
vontade do ordenamento jurídico.
d) Frase fragmentária: variante da frase entrecortada, apresenta ruptu-
ras na construção frásica, com incompletude sintática. Não deve ser
usada no discurso jurídico, salvo se ocorrer elipse gramatical retórica,
e. g.:
Condenado o réu, será encaminhado a presídio de segurança máxima.
Frase 99
f) Frase caótica: também apelidadafiuxo do consciente, da linha psicanalítica.
É estrutura frásica desorganizada, sem logicidade semântico-sintática,
bastante empregada na literatura contemporânea, mas inaceitável no
discurso jurídico.
Assim, o emissor deve verificar se as idéias estão bem ordenadas, com
estruturação sintática adequada, porque o discurso jurídico afasta qual-
quer possibilidade de emprego do monólogo interior, expressão da frase
caótica.
por:
o Direito é, antes de tudo, a aplicação da lei que traduz a vontade do or-
denamento jurídico. Assim,a norma jurídica tem natureza imperativa, pois não
convida; antes disso, exige obediência de seus subordinados.
Se o réu for condenado, será encaminhado a presídio de segurança má-
xima.
Terapia da linguagem:
a) Período simples: expansão moderada da estrutura sintática mínima,
evitando frases entrecortadas (ou fragmentárias quando incompletas),
e. g.:
No discurso jurídico, o emprego adequado é'o da medida retórica, a saber:
Leia-se o exemplo:
o julgamento iniciou e ojuiz deu a palavra ao advogado e este apresentou
sua tese com entusiasmo, mas os jurados não aceitaram a legítima defesa e
condenaram o réu.
Poder-se-á tornar o período mais complexo, sem perder de vista a men-
sagem, por meio de terapia da linguagem, processo pelo qual se torna a
frase mais adequada sintática e estilisticamente, e. g.:
Iniciado o julgamento, o juiz deu a palavra ao advogado, que apresentou,
com entusiasmo, sua tese, não sendo aceita, porém, a legítima defesa, razão
pela qual os jurados consideraram o réu culpado .
o réu entrou na sala e caminhou lentamente em direção à vítima e a olhava
friamente, com riso perverso nos lábios e balançava uma faca brilhante e afiada
na mão direita e, com violência, enfiou o instrumento perfurante no ventre da
mísera mulher.
o réu entrou na sala. Estava abatido. Sentou-se. Colocando as mãos na
cabeça. Ela estava abaixada. Ele parecia desanimado. Ele previa o resultado
adverso. Ele esperava a condenação.
o réu entrou abatido na sala, sentando-se, em seguida, com as mãos na
cabeça abaixada. Ele parecia desanimado, pois previa o resultado adverso e
esperava a condenação.
Terapia da linguagem:
b) Frase de ladainha: é variante da frase de arrastão, sendo construída com
excesso de polissíndeto da conjunção e, sem, no entanto, dar à frase tom
retórico de gradação (crescente ou decrescente).
Apesar de nunca ser recomendado seu emprego no discurso jurídico
escrito, pode, eventualmente, e com auxílio de recursos fônicos (timbre
de voz, tonicidade) e gestuais, ser utilizada no discurso oral.
Imagine-se o advogado dirigindo-se vagarosamente em direção aos ju-
rados, mão estendida, olhar sombrio e voz arrastada, aumentando, aos
poucos, o timbre e a velocidade, dizendo:
o recurso poderá demonstrar a crueldade do ato criminoso, se usado
com habilidade. Não deverá, porém, ser empregado repetidamente, pois
perderá sua validade no discurso jurídico .
c) Frase entrecortada: também chamada de frase esportiva, é muito curta .
Em excesso, esta construção usada como recurso estilístico literário para
apontar a incapacidade de o homem pensar, torna-se em estilo picadinho,
impróprio ao discurso jurídico .
Veja-se:
Curso de Português Jurídico \u2022 Darnião/Henriques98
\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022
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\u2022 ti\u2022
101Frase
Para ele a vida nada vale.
A vítima era uma criança.
a) Este promotor me lembra os homens desalmados.
b) (Estes) só pensam em sua ambição.
c) (Ele) lança sem piedade inocentes nas masmorras.
a) O acusado não sentia remorsos.
b)
c)
b) O advogado estava animado. Os jurados pareceram interessados.
c) O juiz vai encaminhar o réu à Penitenciária. Ele será conduzido algema-
do.
d) A audiência foi movimentada. Houve muitos depoimentos contraditó-
rios.
e) Este advogado fala muito bem. Ele convence qualquer auditório.
2.1.
2.2.
2. Organize períodos subordinados (indicando sua feição estilística - tensos ou
frouxos), escolhendo, para tanto, a idéia principal. Para isso, faça os ajustes
necessários.
3. Valendo-se de consulta a obras gramáticas, verifique se as concordâncias verbais
das frases estão corretas, justificando:
a) Reinava um silêncio profundo e ansiedade incontrolável no tribunal, en-
quanto se aguardava a decisão dos jurados.
b) O irmão do réu era um dos que estavam mais ansiosos com o resultado.
c) Retórica impecável, argumentos bem formulados, testemunhas firmes em
seus depoimentos, nada, porém, parecia convencer os jurados da inocência