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Ir ao encontro de = aproximação; ir de encontro a = oposição.
3. Relação de oposição
2. Relação de conseqüência 4.5 PRINCIPAIS ELEMENTOS DE COESÃO NO DISCURSO
JURÍDICO
Considerações Gerais 129
Perlustrando os bons autores jurídicos, encontram-se amiúde presentes alguns
elementos de coesão, assecuratórios da unidade textual e conseqüente coerên-
cia:
Vejamos alguns deles em diversas áreas semânticas:
realce negação afetoinclusão afirmação exclusão
adição oposição igualdade
além disso embora felizmente só
ainda não obstante isso infelizmente somente
demais inobstante isso ainda bem sequer
ademais de outra face obviamente exceto
também entretanto em verdade senão
vale lembrar no entanto realmente apenas
pois ao contrário disso em realidade excluindo
outrossim qual nada de igual forma tão-somente
agora por outro lado do mesmo modo que
de modo geral por outro enfoque da mesma sorte
por iguais razões diferente disso de igual forma Nota: comum é
em rápidas pinceladas de outro lado no mesmo sentido encontrar o neologis-
inclusive de outra parte semelhantemente mo de valor discutível
até contudo bomé "apenas mente"
é certo de outro lado interessante se faz
é porque diversamente disso
é inegável
em outras palavras
sobremais
além desse fator
.~
CONSEQÜÊNCIA
efeito, produto, decorrência, fruto, reflexo, desfecho,
desenlace etc.
derivar, vir de, resultar, ser resultado de, ter origem em,
decorrer, provir etc.
pois, por isso, por conseqüência, portanto, por
conseguinte, conseqüentemente, logo, então, por causa
disso, em virtude disso, devido a isso, em vista disso,
visto isso, à conta disso, como resultado, em conclusão,
em suma, em resumo, enfim etc.
PALAVRAS QUE TRANSMITEM OPOSIÇÃO
contraste, objeção, antagonismo, reação, resistência,
rejeição, oposição, impedimento, empecilho,
animosidade, contrariedade, obstáculo etc.
contrário, oposto, antagônico etc.
objetar, impedir, contrariar, defrontar-se, ir de encontro
a, * embargar, obstar, contrastar etc.
apesar de, a despeito de, não obstante, pelo contrário,
malgrado, em contraste com, contra etc.
mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto,
senão etc.
embora, apesar de que, se bem que, ainda que, posto
que, conquanto que, em que pese, muito embora, mesmo
que, enquanto, ao passo que etc.
Verbos
Substantivos
Locuções
prepositivas e
conjunções
Substantivos
Adjetivos
Verbos
Locuções e
preposições
Conjunções
adversativas
Conjunções
concessivas
Por derradeiro, cumpre dizer que a coerência, tanto quanto a coesão, é obtida
quando o emissor, ao formular os enunciados do texto, tem claramente definida
a finalidade da mensagem, estabelecendo, assim, relações sintáticas e semânticas
compatíveis entre si e com o todo, obtendo, desta sorte, a imperativa unidade
textual.
Embora coesão não seja o mesmo que coerência, os elos coesivos militam para
o processo articulatório do texto, e o conjunto de unidades sistematizadas numa
adequada relação semântica configura a coerência.
130 Curso de Português Jurídico \u2022 Damião/Henriques
Também, expressões de transição desempenham papel assaz importante no
discurso jurídico. Exemplificando:
enumeração retificação fechodistribuição explicação conclusãocontinuação
{ plano isto é destarte
em primeiro lugar por exemplo dessarte
momento a saber em suma
a princípio de fato em remate
em seguida em verdade por conseguinte
depois (depois de) aliás em análise última
finalmente ou antes concluindo
em linhas gerais ou melhor em derradeiro
neste passo (neste) melhor ainda por fim
neste lanço (nesse) como se nota por conseguinte
no geral como se viu finalmente
aqui como se observa por tais razões
neste momento com efeito do exposto
desde logo como vimos pelo exposto
em epítome daí por que por tudo isso
de resto ao propósito em razão disso
em análise última por isso em síntese
no caso em tela a nosso ver enfim
por sua vez de feito posto isto (isso)
a par disso como vimos de ver assim
outrossim portanto conseqüentemente
nessa esteira é óbvio, pois
entrementes
nessa vereda
por seu turno
no caso presente
antes de tudo
1. É de verificar-se...
2. Não se pode olvidar...
3. Não há olvidar-se...
4. Como se há verificar .
5. Como se pode notar .
6. É de ser relevado ...
7. É bem verdade que...
8. Não há falar-se...
9. Valeratificar (cumpre) ...
10. Indubitável é...
11. Não se pode perder de vista...
12. Convém ressaltar...
13. Posta assim a questão, é de se
dizer...
14. Registre-se, ainda ...
15. Bom é dizer que...
16. Cumpre-nos assinalar que...
17. Oportuno se toma dizer...
18. Mister se faz ressaltar...
19. Neste sentido deve-se dizer
que ...
20. Tenha-se presente que...
21. Inadequado seria esquecer,
também ...
22. Assinale, ainda, que...
23. É preciso insistir também no
fato de que...
24. Não é mansa e pacífica a ques-
tão, conforme se verá .
25. É de opinião unívoca .
f'
11,
Considerações Gerais 131
o culto tributarista, Eduardo Marcial Ferreira Jardim, em suas Reflexões sobre
a arquitetura do direito tributário, São Paulo: CEJUp' 1991, elenca um grande
número de frases de transição, algumas de raro emprego, mas todas de grande
vigor estilístico. A título ilustrativo, destacam-se:
1. Cumpre observar, preliminarmente, que...
2. Como se depreende ...
3. Convém notar, outrossim, que...
4. Verdade seja, esta é...
5. Em virtude dessas considerações...
6. Empós as noções preliminares em breve trecho, podemos...
7. Cumpre examinarmos, neste passo...
8. Consoante noção cediça...
9. Não quer isto dizer, entretanto, que .
10. Ao ensejo da conclusão deste item .
11. Impende observar que...
12. É sobremodo importante assinalar que...
13. À guisa de exemplo podemos citar .
14. À mais das vezes, convém assinalar .
15. No dizer sempre expressivode .
16. Em consonância com o acatado .
17. A nosso pensar...
18. Roborando o assunto ...
19. Cumpre obtemperar, todavia...
20. Em assonância com a lição sempre precisa de...
21. Cai a lanço notar que...
22. Convém ponderar, ao demais que...
Ilustrando a presença das palavras de transição, contemple-se a feliz linguagem
do douto juiz da 18ª Vara da Justiça Federal, Dr.José Antonio de Andrade Martins,
em decisão de Mandado de Segurança, acolhendo pedido do impetrante João de
Oliveira Martins Alves, da cidade de São José do Rio Preto:
"Primeiro que tudo, noto a importância de um prévio descarte: não se cuida
do problema ontológico, em que o desvelamento preciso dos gêneros e das es-
pécies possa conduzir à solução. Comob que se busca evidenciar é tão-somente
o regime jurídico que o ordenamento vigente tenha atribuído à exação ques-
tionada, impõe-se a desconsideração de todo e qualquer conceito, definição, ou
classificação- sejam doutrinárias, ou até normativas,comoas dos artigos3º, 4º e Sº
do Código Tributário Nacional~ sempre que assumidas em sentido comprometido
com pretensões ontológicas.
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Num segundo lanço, realçando que o prisma normativo que no caso cabe usar
não importa em normativismo, releva não ladear a índole finalista da exação em
exame, pois tergiversar a respeito dos fins que nortearam a instituição do gravame
a partir de premissa que, fundada no já referido artigo 4º do CTNnegue qualquer
relevância à destinação legal do produto de sua arrecadação, implicaria resvalar
em raciocínio circular ou petição de princípio, ao colocar-se 'ex ante' sob regime
de tributo àquilo que iria procurar evidenciar como tributo tão-só na conclusão de
um silogismo."
Por último, demonstre-se o emprego de palavras ou expressões de coesão na
magistral obra Curso de direito civil, v. I, de Washington de Barros Monteiro, São
Paulo: Saraiva, 1991, com nossos grifas:
1. "Saliente-se ainda que o direito natural, a exemplo do que sucede com as
normas morais, já tende a converter-se em decreto