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símbolo,
a espada coeva das primeiras idades históricas, outrora senhora dos povos escra-
vizados, mas hoje, nas mãos dos povos livres, criaturas das suas leis, dependência
da sua administração, instrumento de seus governos.
Fora daí a espada não é a ordem, mas a opressão, não é a tranqüilidade,
mas o terror, não é a disciplina, mas a anarquia, não é a moralidade, mas a cor-
rupção, não é a economia, mas a bancarrota, não é a ciência, mas a inépcia, não
é a defesa nacional, mas a ruína militar, a invasão e o desmembramento. Isto é,
e não poderia deixar de ser, porquanto, com o domínio da espada, se estabelece
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5.2.1 Tópico frasal
É o exórdio ou introdução do tema. Cumprem-lhe as funções de delimitar
o tema e fixar os objetivos da redação, e não se deve redigi-lo com mais duas
frases.
Encerrando a idéia-central, o tópico frasal deve ser mais genérico do que o
desenvolvimento, e não pode conter idéias conclusivas. Lembre-se, no entanto, que
no texto narrativo é freqüente a diluição da idéia-chave no desenvolvimento do
parágrafo, podendo, até, surgir no final do texto. Todavia, o cuidado de enunciar
de pronto a idéia-núcleo garante a unidade do parágrafo, sua coerência, facilitando
a tarefa de realçar o tema.
Veja-se o exemplo a seguir:
"Não há cidadania sem efetivo acesso à Justiça. Não há acesso à Justiça se esta
apenas atende à parcela da população que consegue desfrutar os recursos mal
distribuídos da sociedade de consumo. Não há acesso à Justiça se grande parte
da população não detém os meios concretos para exercê-lo, e socorre-se de me-
canismos primitivos de justiça privada, em que a violência converte-se no cenário
do cotidiano. Não há acesso à Justiça quando o Estado se revela impotente para
responder às demandas reais da sociedade, inclusive através de seu poder compe-
tente: o Judiciário."
(José Roberto Batochio, Folha de s. Paulo, 20-5-93)
O tópico contém a idéia-chave, apresentada de forma genérica; a seguir, espe-
cifica-se pela repetição da mesma frase "não há acesso à Justiça", por três vezes.
Conforme ministra Omon Garcia, diferentes são as técnicas de iniciar o pa-
rágrafo, podendo o tópico frasal conter uma declaração inicial (afirma ou nega,
genericamente, alguma coisa); uma definição (diz o que é alguma coisa); uma
divisão (discrimina as idéias a serem desenvolvidas sobre alguma coisa), além de
outros recursos, dentre eles, a alusão histórica e a interrogação.
No poema de Tomás Antônio Gonzaga, anteriormente citado, os versos de
abertura - "Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, que viva de guardar alheio gado"
- é uma alusão à mitologia greco-romana que conta o fato de ter sido o deus Marte
punido por Júpiter, obrigado a exercer a humilhante tarefa de guardar alheio gado.
Dirceu - Tomás A. Gonzaga - aludindo à situação mítica mostra-se mais privile-
giado que o deus da guerra.
5.2.2 Desenvolvimento
Desenvolver o parágrafo nada mais é do que a explanação da idéia princi-
pal; o agregamento de idéias secundárias para melhor enunciar o objetivo reda-
cional. É o corpo do texto que dá a conhecer o assunto e o tema ao receptor.
A Redação 145
Consoante o objetivo do emissor e o gênero redacional, diferentes são as formas
de desenvolver a idéia-chave, destacando, entre elas, as seguintes:
a) Explanação da declaração inicial
Esta é, por certo, a forma mais usual, mais encontradiça de desenvolvimento
do parágrafo. Cuida-se do mero desdobramento significativo do tópico frasal
(afirmativo ou negativo). Tais explicações ou desenvolvimento formam uma soma-
tória de idéias secundárias que gravitam em torno da proposição inicial e a cor-
roboram.
Amostra:
"O direito é realidade universal. Onde quer que exista o homem, aí existe o
direito como expressão de vida e de convivência. É exatamente por ser o direito
fenômeno universal que é ele suscetível de indagação filosófica. A Filosofia não
pode cuidar senão daquilo que tenha sentido de universalidade. Esta a razão pela
qual se faz Filosofia da vida, Filosofia do direito, Filosofia da história ou Filo-
sofia da arte. Falar em vida humana é falar também em direito, daí se eviden-
ciando os títulos existenciais de uma Filosofiajurídica. Na Filosofia do Direito deve
refletir-se, pois, a mesma necessidade de especulação do problema jurídico em suas
raízes, independentemente de preocupações imediatas de ordem prática."
(REALE,1965, p. 9)
b) Contraste
A técnica utilizada para desenvolver o parágrafo é mostrar diferenças, firmar
oposições e, assim, demonstrar o posicionamento do emissor diante de impressões
sensoriais, desenrolar de um fato ou emissão de um juízo.
Conforme ministram Maria Margarida de Andrade e Antonio Henriques em
Redação prática (1992, p. 75), o contraste pode evidenciar-se de modo explícito
. ou implícito.
Exemplo de contraste implícito:
"Ovalor é sempre bipolar.Abipolaridade possível no mundo dos objetos ideais,
só é essencial nos valores, e isto bastaria para não serem confundidos com aqueles.
Um triângulo, uma circunferência são; e a esta maneira de ser nada se contrapõe.
Daesfera dos valores, ao contrário, é inseparável a bipolaridade, porque a um valor
se contrapõe um desvalor; ao bom se contrapõe o mau; ao belo, o feio; ao nobre, o
vil; e o sentido de um exige o do outro. Valores positivos e negativos se conflitam
e se implicam em um processo."
(REALE,1965,p. 169) .
.
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c) Enumeração
Outra forma de ordenação do desenvolvimento é a indicação de fatores e
funções de algum objeto (idéia-núcleo), podendo, ainda, classificá-lo e dividi-lo,
indicar a evolução temporal, as variações de suas características, podendo agrupar
os elementos por semelhanças e diferenças. Os dois pontos desempenham papel
preponderante nesta forma de desenvolvimento porque sua função principal é
indicar a enumeração ou explicação.
Amostra:
"Contra a realidade do movimento, Zenão apresenta quatro argumentos. O
primeiro demonstra a impossibilidade de um corpo se mover de um ponte para
outro, pois deveria percorrer antes a metade da distância e antes a metade dessa
e assim até o infinito, o que é impossível num tempo finito. O segundo é uma va-
riação do mesmo princípio: Aquiles, na corrida, nunca alcançará a tartaruga, pois
primeiro deveria alcançar o ponto de onde se moveu, mas antes teria que atravessar
a metade da distância de onde está, e assim até o infinito. O terceiro demonstra
que a flecha em movimento aparente é imóvel, pois nunca sai do ponto inicial. E o
quarto que um mesmo ponto, cujo movimento é medido uma vez com referência
a um corpo em repouso e outra vez com referência a um corpo que se move em
sentido contrário ao primeiro com igual velocidade, percorre no segundo caso a
mesma distância na metade do tempo que no primeiro caso. Donde se conclui que
a metade do tempo equivale ao inteiro, o que é obviamente absurdo."
(GILES,1979,p.40)
d) Exemplificação
Para muitos, não é propriamente uma forma de ordenação das idéias, mas
recurso utilizado para esclarecer ou reforçar uma afirmação.
Neste passo, assume ela feição didática e, para tanto, serve-se de expressões
como: por exemplo (p. ex.), verbi gratia (v. g.), exempli gratia (e. g.), ou melhor,
assim, entre outras.
Em demais construções, o exemplo apresenta feição literária, ou seja, a
intenção é realçar a idéia por meio de idéias esclarecedoras, muitas vezes eluci-
dativas do processo metafórico utilizado pelo autor, em função metalingüística
(funciona como verbete).
Dada a natureza do presente estudo, dar-se-á amostra do tipo didático:
"De modo muito amplo, pode-se entender por 'governo' o Estado em ação,
isto é, a ação do Estado. É o Estado funcionando. Não se confunde com as pessoas,
que, historicamente, o exercem, pois elas passam ou são destituídas da