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para, em seu nome, praticar atos, ou administrar interesses. A procuração é o
instrumento do mandato."
6.1 PROCURAÇÃO: CONCEITOS E TIPOS
das estruturas fixas das diversas modalidades redacionais aplicadas ao mundo
jurídico ou a ele pertencentes, conforme se verá neste passo deste estudo.
Do conceito extrai-se que alguém (mandante, outorgante ou constituinte)
outorga poderes a outrem (mandatário, outorgado ou procurador) para, em seu
nome, praticar atos ou administrar interesses, exteriorizada a vontade de conferir
tais poderes por meio de um documento chamado procuração.
A despeito de a definição legal supracitada não mencionar a natureza dos
atos e interesses a serem praticados pelo mandatário, a linguagem genérica uti-
lizada pelo legislador que não os restringiu a atos jurídicos; admite o mandato
extrajudicial.
Apalavra mandato origina-se da expressão latina manus data (mão dada) que,
a princípio, simbolizava o gesto de firmar o acordo, evoluindo o vocábulo para
mandatum, em português, mandato.
Interessante se faz lembrar que manus, no Direito Romano, sempre invocou
a idéia de poder, v. g., manu militari (ato ou obrigação executados com auxílio da
força pública), conventio in manum (a manus era a entrada da mulher na família
do marido).
Até em nossos dias, a gesticulação associa a idéia de poder com o vocábulo
mão que se ergue para castigar, que se estende para socorrer ou que lavra o des-
tino de uma vida.
Não há confundir-se a palavra mandato com seu parônimo mandado. Originária
de mandare, mandar, a forma substantivada do particípio passado, mandado, é
na linguagem processual a ordem do juiz encaminhada ao oficial de justiça, e. g.,
mandado de citação (chamamento do réu ao juízo para se defender), mandado
de intimação (cientificar as partes dos atos e termos do processo), dentre outros
tipos previstos no direito adjetivo.
O mandado, obrigatoriamente escrito, é denominado judicial quando expe-
dido pela autoridade judicial. Na acepção técnico-jurídica pode designar, ainda,
ação intentada por alguém que se vê ameaçado ou violentado em direito líquido
e certo: mandado de segurança. Neste sentido, mandado é remédio jurídico por
meio do qual o juiz manda segurança ao direito. Bom é de lembrar, ainda, que a
2,0 a 3,0 em
Teoria e Prática 187
1,5 a
2,0
emJOÃO DA SILVA,xxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxXXX
xxxxxxx
xxxxxxxxxx xxxxxxxx xxx~xxx x xxxxxxxxxxxxxx xxxxxxx xxxxxxx
xxxxxxx xxxxx xxxxxxxxx xxxxxxx xxxxxxx xxxxxx xxxxxxx xxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx.
8,0 em
JOÃO DA SILVA
espaço limite
1,5 a 2,0 em
xxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxx
PROCURAÇÃO
1. Os espaços superior e inferior impedem que o tempo desgaste o texto,
com prejuízo dos termos do instrumento de mandato--, _
2. A margem esquerda será reduzida a 3,0 em, aproximadamente, depois
de arquivada a procuração.
3. A margem direita protege, também, o texto da ação do tempo.
4. Sendo o local e a data de extensão maior que o parágrafo (só há um pa-
rágrafo gráfico na procuração) é possível recuá-los para antes do espaço
de abertura do documento (também a assinatura).
5. Apesar de autores de cursos de redação considerarem ser dispensável a
linha para a assinatura, tem ela função para reconhecimento da firma,
pela ocupação do espaço.
6. Deve-se utilizar espaço duplo entre as linhas da Procuração.
4,0 em 8,0 em
Comentários do Gráfico
"O instrumento particular deve conter a indicação do local onde foi passado,
a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com
a designação e extensão dos poderes conferidos."
6.1.1 Procuração Ad Negaria
2. O mandato (ou procuração) extrajudicial é chamado de Procuração Ad
Negotia (pronuncia-se negócia - na pronúncia tradicional).
3. O instrumento do mandato (procuração) pode ser particular, salvo se a
lei o determinar obrigatoriamente público, e. g., transcrição de imóvel.
4. O mandato em termos gerais só confere poderes de administração. Para
alienar, hipotecar, transigir ou praticar atos que exorbitem da adminis-
tração ordinária, os poderes têm de ser expressos (art. 1.295, Código
Civil).
5. O mandato judicial confere poderes adjudicia para o foro em geral. Os
poderes especiais são elencados taxativamente no art. 38 do Código de
Processo Civil e devem estar obrigatoriamente expressos.
Reza o art. 654, S lQ, Código Civil:
186 Curso de Português Jurídico \u2022 Damião/Henriques
Nota-se que o legislador não se preocupou em ordenar seqüencialmente, po-
dendo os requisitos serem assim indicados:
1Q nome do documento: Procuração ou Procuração Ad Negotia;
2º qualificação do outorgante (nome completo, nacionalidade, estado civil,
profissão, documentos pessoais, residência e domicílio) em analogia aos
elementos individuadores da Petição Inicial, paradigma para especifica-
ções;
3º presença dos verbos nomear e constituir (indica o outorgado ou procu-
rador e investe nele os poderes);
4º qualificação do outorgado (vide item 2º);
5º finalidade da procuração;
6º extensão dos poderes;
7º local e data;
8º assinatura do outorgante com firma reconhecida.
3,0 em
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Comentários sobre o Modelo
Modelo de Procuração Ad Negotia
Teoria e Prática 189
~
1. Li bastante os livros indicados pelo professor.
(muito)
Veja-se que bastante modifica o verbo ler e indica advérbio de intensidade;
o substantivo livros está especificado pelo artigo os.
~
2. Li bastantes livros nas férias.
(muitos)
Veja-se, agora, que bastantes modifica o substantivo livros, tendo forma
adjetivada, concordando, como tal, com o nome.
Desta sorte, na linguagem jurídica temos:
5. Os verbos residir e domiciliar, sendo estáticos, exigem regência com a
preposição em.
É bom esclarecer que esses verbos são utilizados como binômio insepa-
rável, pelo costume jurídico.
A explicação talvez seja oferecida pelo fato de, até meados do século XX,
principalmente nas pequenas comarcas, o advogado ter seu escritório
em sua residência.
Na terminologia jurídica, residência é o lugar onde a pessoa desfruta sua
vida familiar e social, enquanto domicl1io é o lugar onde responde pelos
atos de sua vida civil; a sede de seus negócios.
Conforme se esclareceu anteriormente, os profissionais autônomos, do
comércio e liberais, realizavam seus negócios no mesmo lugar em que
residiam, daí a perpetuação do binômio.
Todavia, esse emprego não significa endereços diferentes se a residência
e o domicílio não estiverem localizados no mesmo imóvel. É possível, no
entanto, indicar apenas o domicílio (mesmo se o endereço for o da resi-
dência), mas nunca a expressão residente sem acrescentar o domicílio.
6. A expressão bastante significa suficiente (para o que basta), sendo forma-
da do particípio presente e traduz princípio da procuração: o procurador
não pode ir além, nem ficar aquém dos poderes a ele conferidos; deve
agir o suficiente, o bastante para cumprir fielmente a incumbência do
mandato.
Não é mansa e pacífica a forma bastante quando se refere ao plural. Há
os que entendem ficar ela no singular, como advérbio; há, também, os
que a reconhecem como adjetivo, concordando em número com o subs-
tantivo.
A nosso pensar, a situação é a mesma na linguagem usual com sentido
de muito (advérbio ou adjetivo), exemplificando:
8,0 cm
PROCURAÇÃO
18.o<m
LURíCIO IDPES.b,~ileim. e~ado. emp&quot;-
sário, RG , CPE , residente e domiciliado na Rua das Flores, 34,
Jardim Primavera, Capital de São Paulo, nomeia e constitui seu bastante
11,5 em
MAURÍCIO LOPES
procurador JÚLIO SILVA,brasileiro, casado, corretor de imóveis, RG , 1,5oU
CPE , residente e domiciliado na Rua Alegria, 54, Jardim Felicidade, 2,0
Capiqtl de São Paulo, para o fim especial de locar e administrar imóvel do
outorgante, situado na Rua 7 de Setembro, Bairro da Independência,