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ORDINÁRIA --
DE COBRANÇA que lhe é movida por MANOEL COSTA, também qualificado,
demonstrando:
PRELIMINARMENTE
xxxxxxx xxxxxxxxx xxx xxxxxx xxxxxx xxxxxx
xxxxxx xxxxxxxx xxxxxx x xxx xxxxxxx xx xxxxxxxxxxxxx xxxxx xxxxxxx xxx
xxxxxx xxxxxx xxx xxxxx xxxxxxxxxx xxx xx xxxxxxxx xxxxxx.
A Contestação, como foi dito, é resposta obrigatória do Réu que não quiser
tornar-se revel.
Todavia, em sua Resposta o Réu pode oferecer, também, contra-ação: a Recon-
venção, em peça própria protocolada com a Contestação, como já se explicou.
A Reconvenção é peça que segue estrutura assemelhada à Inicial, tendo, no
entanto, características próprias:
a) o vocativo já indica a Vara da Ação, pois já foi ela distribuída;
b) no preâmbulo, a linguagem segue o modelo da Contestação, substituindo
o verbo contestar pelo reconvir. Bom de lembrar que o Réu da Inicial é
..,.,...,
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Autor da Reconvenção com o nome de Reconvinte, enquanto o Autor da
Inicial é Reu da Reconvenção, denominado de Reconvindo;
c) não há preliminares, articulando-se os fatos e os direitos de reconvinte
que, saindo da incômoda posição de Réu, demonstrar ser ele o merecedor
do pedido a ser deferido;
d) no fecho, emprega-se o verbo requerer, pois há pedido, tanto quanto na
Inicial;
e) é necessário indicar valor da causa, por cuidar-se de ação do antes Réu,
agora Reconvinte;
f) não se requer citação do Reconvindo, pois já existe um processo. Assim,
o requerimento é pela intimação do outrora Autor, agora Reconvindo;
g) emprega-se a fórmula própria para pedir deferimento, diferentemente
da Contestação, pois ao se propor contra-ação, imperativo se torna pedir
deferimento do pedido de reconvir.
6.5 A LINGUAGEMDA SENTENÇA
Ministra, com bastante propriedade, o eminente jurista José Rogério Cruz e
Tucci (1987:7) sobre a peça que se constitui no fecho processual: "No desenrolar
da atividade decisória do juiz no processo, a sentença - prestação jurisdicional ao
pedido formulado pelo autor - constitui o ato mais relevante."
Pretendem alguns ser a sentença um silogismo lógico clássico, sendo a norma
jurídica ao caso aplicável a premissa maior; as questões fáticas, trazidas aos autos
a premissa menor e, finalmente, a conclusão, o decisório do juiz.
No entanto, não é assim tão simplista a estrutura sentencial, por não se con-
fundir ela com uma operação aritmética; cada caso exige uma apreciação criteriosa
de todas as circunstâncias, devendo o magistrado argumentar, com robustez, os
motivos que levaram à decisão por ele exarada.
Na abertura dessa importantíssima peça jurídica, funciona como título, iden-
tificando-a, a expressão VISTOS, reveladora de que foram vistos, relatados e
discutidos os autos para, só então, dar a eles uma solução. Não há exigibilidade
pela regra gramatical, de as letras estarem todas em maiúsculas porque a gra-
mática aponta a necessidade de elas iniciarem a palavra nos títulos, razão por
que é encontrada a forma Vistos. Bom é de lembrar, contudo, que as próprias
gramáticas grafam inteiramente em maiúsculas os títulos e subtítulos, como
medida de realce. Também, interessante se faz mencionar a variante Vistos etc.
(ou, Vistos, etc. e, ainda, em maiúsculas VISTOS ETC., VISTOS, ETC.) devendo
ser dito que, em rigor, é inconcebível o uso da vírgula antes do etc., considerada
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sua significação, apesar de o acordo ortográfico em vigência estabelecer que ela
deva ser usada.
Ao analisar a estrutura da sentença, o leitor perceberá que ela é dividida em
três partes, exigidas em lei. A primeira delas denomina-se relatório. É a parte em
que são registradas as principais ocorrências havidas no andamento do processo.
É imperativa a menção dos nomes das partes, do resumo do pedido e da resposta
do réu, expondo a marcha sucinta do processo até a data da sentença, com seus
acidentes, resolvidos, inclusive. É redigido de forma concisa, com pouca ou ne-
nhuma adjetivação, não se podendo empregar palavras que antecipem a decisão,
pena de nulidade, pois a neutralidade é essencial ao relatório. Também a narrativa
há de ser clara, evitando dificuldades para sua compreensão.
Seguindo as exigências quanto à elaboração da sentença, podemos apresentar
dois exemplos a serem evitados:
a) Julgamento antecipado
"AJustiça Pública dessa Comarca moveu processo crime contra MÁRIO
SILVA,devidamente qualificado a fls. 4, em razão de ele, no dia 20 de abril do
corrente ano, por volta das 10:30h, na Rua Conde Sampaio, próximo do número
114, dirigindo o veículo de marca Gol, ano 1984, placa OP 4030 - Sp' com impru-
dência, porque em velocidade incompatível com o local, ter atropelado Luís DIAS,
causando-lhe lesões corporais, infringindo, dessa forma, o disposto no art. 129, - S
6º do Código Penal, conduta que está a exigir as penas em lei previstas."
Verifique-se que o relatório, ao suprimir a informação de que a denúncia
narrou os fatos, antecipou o julgamento, porque afirmou como certo o que foi
dito ser. Assim, a sentença deveria esclarecer que "AJustiça Pública dessa Comar-
ca moveu processo-crime contra MÁRIo SILVA,devidamente qualificado a fls. 4,
denunciando-o de ter ele, no dia" ....
b) Ambigüidade redacional
"A Justiça Pública desta Comarca moveu processo-crime contra AUGUSTO
DOS ANJOS, devidamente qualificado a fls. 2, acusando-o de ter, no dia 12 de
fevereiro do corrente ano, o acusado, por volta das 4:20h, ter sido preso em fla-
grante, quando, na companhia do menor de 16 anos JOÃO DINI e de mais duas
menores não identificadas e portando revólver descrito no auto de apreensão de
fls. 8 e uma pistola não apreendida, na Av. Bartira, 50, teria assaltado o lesado
JÚLIO LIMA, roubando-lhe a importância de R$ 150,00, bem assim uma corrente
de ouro e um tênis."
o exemplo supracitado é apresentado como real em livro didático de formu-
lários, razão por que foram alterados nomes e algumas informações, pelo zelo
ético advindo de comentários desfavoráveis. Pelo mesmo motivo, foram colocadas
algumas vírgulas, minorando, assim, as dificuldades do texto original.
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Não é preciso, porém, muito esforço mental para verificar que o distan-
ciamento seqüencial da narrativa - quando, onde, quem, o quê, com que finali-
dade - quebre a logicidade textual, causando ambigüidades para entendimento
dos fatos e dificuldades para representá-los mentalmente, afora as deficiências
gramaticais do texto.
A segunda parte da sentença, chamada de fundamentos, é a argumentação com
a qual o juiz analisará as questões de fato e de direito, permitindo vislumbrar-se
qual é sua decisão. É o momento retórico da sentença; é a motivação expressa de
forma clara, coerente e lógica.
Finalmente, a terceira e última parte, apelidada dispositivo, é o momento
em que o juiz resolverá as questões que lhe foram submetidas pelas partes. É a
conclusão, o fecho da relação processual.
Bom é de recordar serem estes requisitos exigíveis à sentença definitiva, assim
denominada a que encerra o processo com efetiva seleção do mérito, acolhendo ou
rejeitando - no todo ou em parte - o pedido formulado pelo autor. Quando o juiz
extingue o processo sem conhecimento do mérito, temos a sentença terminativa
que não precisa seguir, rigidamente, o roteiro sentencial. Basta que se fundamente
a decisão, art. 459, CPC, de maneira concisa, não tão breve que se lhe dificulte o
entendimento da motivação, prolatada sempre que existir um dos casos elencados
no art. 267, Cpc.
6.6 A LINGUAGEMNOS RECURSOS JURÍDICOS
É nesta fase judicial que o profissional do Direito carreará aos autos a exu-
berância do discurso jurídico, adunando à sua tese a demonstração da lei como
amparo legal a seu ponto de vista e a jurisprudência como alicerce de todo seu
racioCÍnio argumentativo. Aquela retrata a legitimidade recursal, esta, a sabedoria
na aplicação