Procedimentos Especiais
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e descrição de todos os bens e obrigações que integram a herança, para que oportunamente possa haver a adjudicação ou partilha aos sucessores.
O imposto de transmissão mortis causa só incidirá sobre a herança, pois só esta passará aos herdeiros.
Natureza: O inventário é processo de conhecimento, de jurisdição contenciosa e proce- dimento especial, destinado a catalogar o patrimônio deixado por alguém que mor- reu, indicando ainda quem são seus herdeiros ou sucessores. Será apurado o quinhão que caberá a cada sucessor, quando for realizada a partilha, e o que deve ser atribuí- do a eventuais credores e cessionários.
Prazo 
Livro Marcos rios Vinicius: O CPC, no art. 983 estabelece prazo para que o inventário seja aberto: \u201cO processo de inventário e partilha deve ser aberto dentro de 60 dias a contar da abertura da sucessão, ultimando-se nos 12 meses subsequentes, podendo o juiz prorrogar tais prazos, de ofício ou a requerimento de parte\u201d. Com isso, alterou-se o prazo de trinta dias, previsto no art. 1796 do CC. Tal alteração resulta da Lei n. 11.441/2007, que alterou a redação originária do art. 983. Portanto, hoje o prazo é de sessenta dias. Não havendo a abertura de inventário no prazo, as partes ficam sujeitas à multa, que pode ser estabelecida em lei estadual. Nesse sentido, a Súmula 542 do STF: \u201cNão é inconstitucional a multa instituída pelo Estado-Membro, como sanção pelo retardamento do início ou da ultimação do inventário\u201d. No Estado de São Paulo, ela é de 10% se o atraso for superior a sessenta dias e de 20% se ultrapassar 180 dias (Leis estaduais n. 9.591/66 e 10.705/2000).
Inicio: 60 dias
Término: 12 meses
Inventário não aberto no prazo legal:
Multa
Possibilidade de o juiz instaurar o processo de ofício
Duração razoável de processo
Lei 10.705/2000 \u2013 lei da Secretaria da Fazenda do Governo de São Paulo
Art. 21, cap. VII. (trata das penalidades sobre o imposto ITCMD)
-- caso perder o prazo de 60 dias, multa de 10% do valor do imposto em relação ao patrimônio. Se exceder 180 dias do prazo, é de 20% sobre o valor do imposto em relação ao patrimônio.
O ITCMD é tributo de Estado, então somente o Estado pode legislar.
Art. 16. Alíquota do ITCMD.
Administrador provisório
Livro Marcos rios Vinicius: A legitimidade para requerer a abertura do inventário vem tratada nos arts. 987 a 989 do CPC. Há um legitimado prioritário, legitimados concorrentes e um legitimado supletivo. O legitimado prioritário é a pessoa que estiver na posse e administração do espólio, por essa razão, considerado seu administrador provisório.
O art. 985 do CPC estabelece que: \u201caté que o inventariante preste o compromisso, continuará o espólio na posse do administra- dor provisório\u201d. E o art. 986: \u201cO administrador provisório representa ativa e passiva- mente o espólio, é obrigado a trazer ao acervo os frutos que desde a abertura da su- cessão percebeu, tem direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fez e responde pelo dano a que, por dolo ou culpa, der causa\u201d. O administrador provisório não é nomeado pelo juiz, mas identificado de acordo com o art. 1.797 do CC, que atribui a função, sucessivamente, ao cônjuge ou companheiro, se com o outro convivia ao tempo da abertura da sucessão; ao herdeiro que estiver na posse e administração dos bens e, se houver mais de um nessas condições, ao mais velho; ao testamenteiro e a pessoa de confiança do juiz, na falta ou escusa das indicadas anteriormente ou quando tiverem sido afastadas por motivo grave levado ao conhecimento do juiz.
Representa o espólio da abertura de compromisso de inventariante
Art. 1797, CC \u2013 legitimados para ser administrador provisório.
Art. 1.797. Até o compromisso do inventariante, a administração da herança caberá, sucessivamente:
I - ao cônjuge ou companheiro, se com o outro convivia ao tempo da abertura da sucessão;
II - ao herdeiro que estiver na posse e administração dos bens, e, se houver mais de um nessas condições, ao mais velho;
III - ao testamenteiro;
IV - a pessoa de confiança do juiz, na falta ou escusa das indicadas nos incisos antecedentes, ou quando tiverem de ser afastadas por motivo grave levado ao conhecimento do juiz.
Legitimidade para a inventariança
Art. 990, CPC
Art. 990. O juiz nomeará inventariante: 
I - o cônjuge ou companheiro sobrevivente, desde que estivesse convivendo com o outro ao tempo da morte deste; 
II - o herdeiro que se achar na posse e administração do espólio, se não houver cônjuge ou companheiro sobrevivente ou estes não puderem ser nomeados; 
III - qualquer herdeiro, nenhum estando na posse e administração do espólio;
IV - o testamenteiro, se Ihe foi confiada a administração do espólio ou toda a herança estiver distribuída em legados;
V - o inventariante judicial, se houver;
Vl - pessoa estranha idônea, onde não houver inventariante judicial.
Legados: é quando o autor da herança deixa para certo individuo especifico bem. É uma doação pós morte.
Livro Marcos rios Vinicius: Aberto o inventário, o juiz nomeará inventariante, que passará a exercer as suas atribuições após prestar compromisso. Ele substitui o administrador provisório, que até então estava incumbido de zelar pelo espólio, e administrar os bens. Não há nenhum óbice a que aquele que já vinha exercendo a função de administrador provisório seja nomeado inventariante.
Atribuições de inventariante
Art. 991, CP
Art. 991. Incumbe ao inventariante:
I - representar o espólio ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, observando-se, quanto ao dativo, o disposto no art. 12, § 1o;
II - administrar o espólio, velando-lhe os bens com a mesma diligência como se seus fossem;
III - prestar as primeiras e últimas declarações pessoalmente ou por procurador com poderes especiais;
IV - exibir em cartório, a qualquer tempo, para exame das partes, os documentos relativos ao espólio;
V - juntar aos autos certidão do testamento, se houver;
Vl - trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente, renunciante ou excluído;
Vll - prestar contas de sua gestão ao deixar o cargo ou sempre que o juiz Ihe determinar;
Vlll - requerer a declaração de insolvência (art. 748).
Espólio: é a massa de bens que está em nome dos herdeiros e depende do inventário.
Art. 992, CPC
Art. 992. Incumbe ainda ao inventariante, ouvidos os interessados e com autorização do juiz:
I - alienar bens de qualquer espécie;
II - transigir em juízo ou fora dele;
III - pagar dívidas do espólio;
IV - fazer as despesas necessárias com a conservação e o melhoramento dos bens do espólio.
Remoção de inventariante: caso o juiz perceba que o inventariante esteja \u2018\u2019enrolando\u2019\u2019.
Art. 995, CPC \u2013 rol não exaustivo.
Art. 995. O inventariante será removido:
I - se não prestar, no prazo legal, as primeiras e as últimas declarações;
II - se não der ao inventário andamento regular, suscitando dúvidas infundadas ou praticando atos meramente protelatórios;
III - se, por culpa sua, se deteriorarem, forem dilapidados ou sofrerem dano bens do espólio;
IV - se não defender o espólio nas ações em que for citado, deixar de cobrar dívidas ativas ou não promover as medidas necessárias para evitar o perecimento de direitos;
V - se não prestar contas ou as que prestar não forem julgadas boas;
Vl - se sonegar, ocultar ou desviar bens do espólio.
A remoção é ato primitivo. Deve-se oportunizar o contraditório.
Será processada em autos apensos do inventário.
A remoção pode ser determinada de ofício pelo juiz.
Livro Marcos rios Vinicius: O inventário perderá o cargo quando for removido ou destituído. A remoção ocorrerá como punição ao inventariante que não cumprir a contento as suas funções, deixando de praticar ato que lhe incumbia. Já a destituição se verificará não em razão de culpa, mas em decorrência de um fato externo ao processo, não ligado ao exercício da função, mas que impede o inventariante de a continuar exercendo. Por exemplo: se ficar gravemente doente, ou se for condenado criminalmente, e ficar impossibilitado de exercer a função.