Direito Civil II
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Direito Civil II


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penal condenatória a ressarcimento, indenização ou perdimento de bens.
O bem de família legal também compreende os bens móveis, conforme parágrafo único do artigo 1º da Lei 8.009/1990:
Parágrafo único - A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção, as plantações, as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional, ou móveis que guarnecem a casa, desde que quitados.
Quanto aos móveis que guarnecem a residência, há dois entendimentos:
\u2022 Uma corrente minoritária pensa, a respeito da expressão \u201cmóveis que guarnecem a casa\u201d, estar relacionada com tudo aquilo que for indispensável para o funcionamento do lar. Exemplo: fogão, geladeira, cama, televisão, etc.
\u2022 A corrente majoritária entende que a expressão \u201cmóveis que guarnecem a casa\u201d abrange tudo o que for habitualmente encontrado em um lar de classe média. Exemplos: microondas, aparelho de som, televisão, computador (de uso profissional), etc.
O artigo 2º da Lei 8.009/1990 dispõe:
Art 2º - Excluem-se da impenhorabilidade os veículos de transporte, obras de arte e adornos suntuosos.
Parágrafo único - No caso de imóvel locado, a impenhorabilidade aplica-se aos bens móveis quitados que guarneçam a residência e que sejam de propriedade do locatário, observado o disposto neste artigo.
Uma ressalva a ser feita aqui é com respeito ao táxi. Por ser um móvel de uso profissional não pode ser penhorado. E se o bem móvel em questão se tratar de obra de arte, não será passível de penhora somente se o morador for artista plástico.
Pela redação do artigo 5º, compreende-se que, se o casal/entidade familiar possuir mais de um imóvel utilizado como residência, o bem de família legal será aquele de menor valor, salvo se a pessoa instituir um bem de família convencional:
Artigo 5º - Para os efeitos de impenhorabilidade, de que trata esta lei, considera-se residência um único imóvel utilizado pelo casal ou pela entidade familiar para moradia permanente.
Parágrafo único - Na hipótese de o casal, ou entidade familiar, ser possuidor de vários imóveis utilizados como residência, a impenhorabilidade recairá sobre o de menor valor, salvo se outro tiver sido registrado, para esse fim, no Registro de Imóveis e na forma do artigo 70 do Código Civil.
Ainda é importante lembrar que o bem de família legal é passível de alienação e jamais se extingue.
Teoria Geral do Negócio Jurídico
Negócio Jurídico
É o ato fundado em autonomia privada que tem por objetivo atingir uma finalidade negocial.
Autonomia privada é a capacidade concedida pelo ordenamento jurídico aos particulares para estabelecerem regras de observância obrigatória nos limites do negócio jurídico. É, portanto, a possibilidade que os particulares têm de definir as consequências jurídicas dos seus atos.
Contrato: uma pessoa tem autonomia para criar uma norma inerente à sua vontade. Um contrato perfeito faz lei entre as partes. Esta liberdade que a lei confere nunca é uma autonomia absoluta, em alguns momentos essa autonomia é bastante flexível, porém, em outros é bastante limitado como no caso do casamento, pois envolve direitos de família, havendo intervenção do Estado. Limitação dos princípios da Eticidade e Socialidade também são limites importantes da autonomia privada.
Finalidade negocial
Quando fala-se em finalidade negocial, segunda característica essencial do negocio jurídico, é necessário que tal negócio crie, exclua ou modifique algum direito. Se algum acordo não atinge nenhum interesse jurídico não existe finalidade negocial.
Para alguns doutrinadores é importante falar em transferência de direitos.
Planos do negócio jurídico
\u201cEscada ponteana\u201d (de Pontes de Miranda):
A Teoria Ponteana não foi acolhida expressamente pelo Código Civil, pois este não fala da existência, mas apenas da validade e da eficácia. Porém, não faz sentido o C. C. estabelecer regras sobre o contrato sobre algo que não existe, por isso o C.C. não expressou este assunto de propósito, pois analisando a validade e a eficácia existe o pressuposto de que o negócio existe. A analise da existência acontece no C. C. de forma implícita.
Ao analisar um negócio existem três níveis diferentes de análise semelhantes a uma escada, pois cada analise é feita isoladamente, não se chega ao segundo ou terceiro lugar sem passar pelo primeiro andar.
Primeiramente analisa-se a existência, sendo possível concluir se um negócio jurídico existe ou não.
Segundamente, a validade. Diz respeito à investigação da perfeição legal do negócio, reúne todos os requisitos exigidos pela lei para ser considerado um negócio jurídico perfeito.
Excepcionalmente o plano da validade pode ser violado.
Terceiramente, a eficácia. Investigação sobre a eficácia do acordo entre as partes, se está sendo cumprido ou não.
Ao analisar o plano da existência, são analisados elementos indispensáveis ou mínimos, logo, todos os seus requisitos devem estar presentes. A doutrina estabelece uma equiparação das consequências jurídicas do negócio inexistente com as do negócio totalmente inválido (nulo). Os negócios nulos e inexistentes nunca produzem efeitos.
Os elementos do plano da validade são considerados necessários, pois se faltar algum deles o negócio será imperfeito.
Validade
Invalidade
Mais graves: nulidades.
Mais leves: anulabilidades.
Os elementos do plano da eficácia são acidentais, pois interferem nos efeitos jurídicos do negócio.
O plano da existência do negócio jurídico
São elementos mínimos, pois, se faltar algum requisito significa que o negócio jurídico não existe, os elementos são indispensáveis.
Sujeito: as pessoas que vão celebrar o negócio jurídico (as partes). Pode ser pessoa física, pessoa jurídica, ou grupo despersonalizado excepcionalmente. Os negócios jurídicos afetam a esfera jurídica de algum sujeito.
Objeto: a finalidade negocial. Criação, modificação ou extinção de algum direito.
Manifestação de vontade: a vontade precisa ser exteriorizada.
Expressa: manifestação de vontade explícita não existindo dúvida.
Tácita: manifestação de vontade de forma subentendida, ou deduzida, implícitas. Origina-se apenas do comportamento da pessoa, pode ser deduzida pelo comportamento da pessoa.
Presumida: manifestação de vontade de forma subentendida, ou deduzida, implícitas. Origina-se da disposição legal, como na renúncia de herança, a lei estabelece um prazo para alguém renunciar a sua herança dentro de 1 ano, após este tempo, pode-se presumir que a pessoa quer receber a herança.
Reserva mental (art. 110)
É quando a pessoa exterioriza uma vontade que não é a vontade verdadeira.
Se não for conhecida pela outra parte é irrelevante.
Se for conhecida pela outra parte gera inexistência.
O plano de validade do negócio jurídico
Identifica se o negócio é perfeito ou imperfeito.
Vontade livre:
Este requisito não está previsto no art. 104 do C.C., mas é requisito para a validade verificado através da interpretação sistemática do C.C.
É um requisito implícito de validade.
Existem duas formas de manifestar a vontade livre:
Receptícia: precisam ser direcionadas a uma pessoa específica. A maioria das vontades em negócios acontecem desta forma, pois, via de regra a compra de determinado objeto deve ser feita com alguém que venda o objeto que é de interesse do comprador.
Não receptícia: não é direcionada a uma pessoa específica. 
O silêncio, juridicamente, não serve como aplicação de regra conforme o art. 111. \u201cQuem cala não diz nada\u201d.
Interpretação da declaração de vontade:
Prioriza intenção (art. 112). Não se confunde com a reserva mental, onde ocorreu duas vontades a explícita e a real. Neste caso só existe uma vontade, que é a verdadeira intenção.
Prioriza boa-fé e costumes locais (art. 113). Quando existem mais de uma interpretação, a que deve prevalecer é a mais direcionada ao princípio da boa-fé.
É restritiva nos negócios benéficos e na renúncia (art. 114). Benéfico ou gratuito. Por exemplo, uma doação é interpretada de forma restritiva, pois, como somente