Apostila de Cultura e Sociedade
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eletrônicas de massa; a natureza autoritária e centralizada no processo de outorga de licenças e disparidade entre o que está na legislação e o que acontece na prática, podem ser sinalizados como alguns dos problemas existentes na legislação brasileira que refletirão no futuro bem próximo em como o estado intervirá nos problemas ético-legais envolvendo a nova mídia.
Outra tendência norte-americana que também pode ser aplicada ao caso brasileiro é que, em decorrência do avanço mundial e a convergência das novas tecnologias da comunicação, atrelados ao fenômeno da globalização, os chamados \u201cconglomerados de mídia\u201d concentram a propriedade no setor das comunicações em todo o mundo, resultando na consolidação e emergência de um pequeno grupo de megaempresas mundiais.
Tal processo de oligopolização, como um novo padrão universal, é comparado por estudiosos do setor como o biológico processo de sinergia que, em tese, trabalha com o pressuposto de que a interação de duas unidades \u201cproduz algo maior do que a soma de suas duas partes\u201d. No campo das comunicações, isso equivale à junção e ação coordenada de várias empresas, visando uma maior eficiência na atuação das mesmas. Embora positivo e contemporâneo do ponto de vista da eficiência e da dinâmica que o setor das comunicações demanda, tal processo acarreta conseqüências e mudanças estruturais que afetam não só a economia de um país, como também a democrática inserção de outros segmentos no setor envolvido.
Analisando o contexto brasileiro, LIMA (2001) diz que \u201co novo padrão universal vem assumindo no Brasil feições particulares\u201d uma vez que possui como principais características: 1) o inalterado domínio do setor das comunicações por grupos familiares e/ou políticos; 2) a entrada das igrejas no setor das comunicações e 3) o fortalecimento da posição hegemônica da Rede Globo. No contexto externo, Dizard (2000) aborda o exemplo do empresário australiano naturalizado americano Rupert Murdoch, diretor-geral da News Corporation, que, através de uma administração \u201cinteligente e ambiciosa\u201d, conseguiu uma série de aquisições bem sucedidas de empresas do ramo das comunicações, sendo o proprietário, atualmente, de um dos maiores conglomerados de mídia do mundo.
Pode-se concluir com base nas abordagens de Wilson Dizard Jr em A Nova Mídia, que a tendência mundial para o novo século no contexto da nova mídia é a convergência das atuais tecnologias da comunicação na produção e distribuição de informações propiciada pela computação, digitalização e internet. Tal convergência reconfigura o padrão até então adotado pelas mídias tradicionais, acirrando severa competição na indústria midiática.
Em face das incertezas sobre o que o futuro nos reserva, uma das conseqüências do atual modelo adotado pela mídia de massa é a fusão de grandes empresas de comunicação, o que se repete em todo o mundo, sob a justificativa da chamada sinergia. Por mais absurdo que tal probabilidade represente para a democracia mundial, estamos indo em direção ao previsto mais ainda desconhecido. 
O que mais assusta, porém, é que embora a tendência de monopólio se concretize a cada estudo realizado no setor, o assunto vem sendo relegado a segundo plano no campo das ciências políticas e sociais. Uma vez que o processo de globalização e a convergência das mídias tornam a sociedade cada vez mais dependente da comunicação midiática, não se pode, sob hipótese alguma, minimizar a importância de sanções políticas no campo das comunicações, sob pena de ser ter seriamente ameaçado o direito à liberdade de expressão no mundo. Fonte:DIZARD, Wilson. A nova mídia \u2013 a comunicação de massa na era da informação. Tradução: Antonio Queiroga e Edmond Jorge. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2000. 324 p.
4.4 Mídia e Sociedade de Consumo
Novas Mídias, Tecnologia e Sociedade de Consumo
Por André Kadow - 7 de abril de 2010.
É certo que a Internet junto com as novas mídias (mobile, proximity marketing etc.) estão se tornando coisas totalmente diferentes do que muitos acreditavam ser há tempos atrás. No nascimento dos browsers gráficos, pensava-se que as novas formas de comunicação seriam o advento de uma comunicação 1 para 1 e todos os conceitos de mídia em massa sofreriam mudanças radicais. Outros mais pessimistas pensavam que as \u201cvelhas\u201d mídias como televisão e jornais iriam simplesmente desaparecer em algum momento. Claro que nada disso aconteceu, até hoje.
As mídias mais antigas, como nos ensina a história, simplesmente não desaparecem com a chegada de novas. Elas mudam. Do outro lado, como foi o caso da Internet, que no começo se apropria de métodos e técnicas de comunicação dos meios tradicionais, para logo em seguida criar sua própria metodologia e cultura, tudo de acordo com as novas possibilidades abertas pela tecnologia que cresce a passos exponenciais. Em algum ponto, estas novas características encontram seu espaço dentro da mídia tradicional, ao passo que esta se adapta para os novos tempos de interatividade.
A idéia de interação em um modelo 1 x 1 surge logo no começo da criação da Internet e continua forte hoje em dia, enquanto estudos das diferenças dos indivíduos no mundo virtual tem se mostrado extremamente úteis, o conceito de uma comunicação de 1 para X, X para 1 e de X para X é o que move toda as interações atuais. Afinal um dos conceitos básicos da Internet é cria um ambiente onde indivíduos que estão social e geograficamente dispersos, podem interagir e colaborar.
Novas formas de comunicar
Em praticamente todos os artigos sobre o impacto das novas tecnologias e mídias na forma de comunicação uma coisa é certa: as divisões tradicionais das mídias estão desaparecendo rapidamente.
Os limites entre comunicação em massa e uma relação interpessoal, propaganda e relações públicas, marketing direto etc. estão cada vez mais difíceis de perceber e até conceitos comumente usados estão perdendo o seu sentido de utilização. Se uma pessoa faz um post recomendando determinado produto em um site como a Amazon, por exemplo, isto é uma comunicação em massa ou extremamente pessoal? Se uma empresa cria uma comunidade para se discutir determinado produto, isto é marketing ou alguma outra coisa? Claramente está cada vez mais complicado descrever e entender o porque das coisas se esta análise for feita de maneira individualizada.
Um bom ponto de partida é deixar de lado todos os novos termos, modismos e afins para se perguntar: Por que usamos essas novas mídias?
A possibilidade de interação com um número antes inimaginável de pessoas, abre as portas para inúmeras e valiosas oportunidades de negócios, novas idéias e troca de informações. Um dos pontos centrais neste tipo de movimento (redes sociais, softwares livres etc.) é a participação voluntária das pessoas. Então para qualquer movimento em rede, a chave é: como criar e fazer crescer uma página, blog ou qualquer coisa do tipo, na qual as pessoas realmente queiram participar e interagir entre si.
Se cada um resolver participar solitariamente, o resultado final será apenas a prevalência de suas convicções, crenças e vontades. Na verdade, é muito mais complicado do que isso. Em um ambiente social, como grupos ou comunidades, os indivíduos tomam decisões em conjunção com as decisões de outros, o que cria uma dinâmica social extremamente complexa, como é o caso da criação de um software livre, por exemplo. Quantas pessoas estão na comunidade? Quantos são ativos? Quantos estão apenas aproveitando dos benefícios e não contribuem com nada?
A vontade de cada pessoa se comunicar depende também do que os outros fizeram ou estão fazendo, além de outros fatores que afetam (positivamente e negativamente) a motivação de cada um. Num ambiente deste, em que todo mundo responde para todo mundo, a menor mudança no fluxo das interações pode determinar o destino de um produto, uma pessoa ou até um partido político, como foi sabiamente explorado por Obama na sua campanha eleitoral, em que foi eleito para Presidente do EUA,