Introdução ao Direito do Trabalho
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Introdução ao Direito do Trabalho


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também serão contribuintes do sistema. A própria lei determina que se considera como empregador o fornecedor ou tomador de mão-de-obra.
2.7) Beneficiários
Terão direito aos depósitos os trabalhadores regidos pela C.L.T., os avulsos, os empregados rurais, o trabalhador temporário, ficando excluídos os autônomos, eventuais, os domésticos e os servidores públicos civis e militares. No tocante aos domésticos, alteração legislativa recente assegurou a FACULDADE de o empregador realizar os depósitos. Importante destacar que, uma vez feito um depósito, os demais passam a ser direito do empregado doméstico.
2.8) Incidência do FGTS
O depósito é calculado sobre todas as verbas trabalhistas, inclusive adicionais, abonos, comissões, gratificações ajustadas, 13º salário, gorjetas, prêmios e salários em utilidades, aviso-prévio, trabalhado ou não.
Não incidem sobre as parcelas de natureza indenizatória, tais como ajuda de custo, diárias para viagem inferiores a 50% do salário ou pagas mediante prestação de contas, conversão de 1/3 das férias em dinheiro (abono pecuniário), etc. A incidência também não acontece quando expressamente afastada por lei, como acontece com o vale-transporte, salário-família e participação nos lucros e resultados.
2.9) Depósitos
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço é formado mediante o depósito feito pelo empregador, mensalmente, na conta do empregado do valor correspondente a 8% (oito por cento) recebido por este no mês anterior, sendo vedado o pagamento direto ao trabalhador.
2.10) Depósitos em situações especiais
Em alguns casos especiais, mesmo quando o empregado não está recebendo pagamento salarial, o empregador também está obrigado a proceder ao depósito do FGTS. Isso ocorre nos casos de afastamento do empregado para prestação de serviço militar, da empregada grávida e de acidente de trabalho.
Nos demais casos de interrupção do contrato de trabalho, em que o empregado não trabalha mas recebe o pagamento do salário, são igualmente devidos pelo empregador os aludidos depósitos.
2.12) Prazo
Todos os empregados ficam obrigados a depositar, até o dia sete de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a oito por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador.
2.13) Hipóteses de Levantamento dos Depósitos
No que tange às hipóteses em que o empregado pode movimentar a conta relativa ao FGTS, dispõe o art. 20:
\u201cArt. 20. A conta vinculada do trabalhador no FGTS poderá ser movimentada nas seguintes situações:
I - despedida sem justa causa, inclusive a indireta, de culpa recíproca e de força maior, comprovada com o depósito dos valores de que trata o artigo 18. 
II - extinção total da empresa, fechamento de quaisquer de seus estabelecimentos, filiais ou agências, supressão de parte de suas atividades, ou ainda falecimento do empregador individual sempre que qualquer dessas ocorrências implique rescisão de contrato de trabalho, comprovada por declaração escrita da empresa, suprida, quando for o caso, por decisão judicial transitada em julgado;
III \u2014 aposentadoria concedida pela Previdência Social;
IV \u2014 falecimento do trabalhador, sendo o saldo pago a seus dependentes, para esse fim habilitados perante a Previdência Social, segundo o critério adotado para a concessão de pensões por morte. Na falta de dependentes, farão jus ao recebimento do saldo da conta vinculada os seus sucessores previstos na lei civil, indicados em alvará judicial, expedido a requerimento do interessado, independente de inventário ou arrolamento;
V \u2014 pagamento de parte das prestações decorrentes de financiamento habitacional concedido no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação \u2014 SFH, desde que:
a) o mutuário conte com o mínimo de três anos de trabalho sob regime do FGTS, na mesma empresa ou em empresas diferentes;
b) o valor bloqueado seja utilizado, no mínimo, durante o prazo de doze meses;
c) o valor do abatimento atinja, no máximo, oitenta por cento do montante da prestação.
VI \u2014 liquidação ou amortização extraordinária do saldo devedor de financiamento imobiliário, observadas as condições estabelecidas pelo Conselho Curador, dentre elas a de que o financiamento seja concedido no âmbito do SFH e haja interstício mínimo de dois anos para cada movimentação;
VII \u2014 pagamento total ou parcial do preço da aquisição de moradia própria, observadas as seguintes condições:
a) o mutuário deverá contar com o mínimo de três anos de trabalho sob o regime do FGTS, na mesma empresa ou empresas diferentes;
b) seja a operação financiável nas condições vigentes para o SFH.
VIII \u2014 quando permanecer três anos ininterruptos, a partir da vigência desta Lei, sem crédito de depósitos;
IX \u2014 extinção normal do contrato a termo, inclusive o dos trabalhadores temporários regidos pela Lei no. 6.019, de 3 de janeiro de 1979;
X \u2014 suspensão total do trabalho avulso por período igual ou superior a noventa dias, comprovada por declaração do sindicato representativo da categoria profissional.
XI \u2014 quando o trabalhador ou qualquer dependente for acometido de neoplasia maligna ou quando o trabalhador por portador do vírus da AIDS;
XII \u2014 aplicação em quotas de Fundos Mútuos de Privatização, regidos pela Lei n° 6.385, de 07 de dezembro de 1976, permitida a utilização máxima de 50% (cinqüenta por cento) do saldo existente e disponível em sua conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, na data em que exercer a opção.
(...)
§ 3º \u2014 O direito de adquirir moradia com recursos do FGTS, pelo trabalhador, só poderá ser exercido para um único imóvel. (...)\u201d
2.14) Competência para Julgar Questões do FGTS
Compete à Justiça do Trabalho dirimir questões sobre o FGTS.
No entanto, quando figurar no pólo passivo a Caixa Econômica Federal ou o Ministério do Trabalho como litisconsortes, a competência é convertida. Será da Justiça Federal, segundo entendimento dominante de que a parte final do artigo 26 da Lei 8.036, que diz ser competência da Justiça do Trabalho, mesmo nestes casos, é inconstitucional.
2.15) Prescrição dos Depósitos
Diz o Enunciado 362 do TST, na nova Redação que lhe foi conferida pela Resolução 121/03: \u201cÉ trintenária a prescrição do direito de reclamar contra o não-recolhimento da contribuição para o FGTS, observado o prazo de 2 anos após o término do contrato\u201d.
A matéria é, contudo, controvertida, pois parte da jurisprudência entende que a partir da promulgação da Constituição de 1988, onde o FGTS foi expressamente elencado como direito trabalhista, o seu prazo prescricional passou a ser o comum, ou seja, de cinco anos, até o limite de dois anos após a extinção do contrato, para os urbanos, e até o limite de dois anos após a extinção do pacto, para os rurais (inciso XXIX do art.7º).
VERBAS RESCISÓRIAS DEVIDAS NAS DIVERSAS MODALIDADES DE RUPTURA DO CONTRATO DE TRABALHO
1) CONTRATOS POR PRAZO INDETERMINADO
1.1) Iniciativa do Empregador:
Dispensa sem justa causa
saldo de salário;
aviso prévio;
férias proporcionais;
13o salário proporcional;
levantamento dos depósitos do FGTS;
multa de 40% sobre o FGTS;
eventuais férias vencidas;
Dispensa com justa causa
saldo de salário;
eventuais férias vencidas;
1.2) Iniciativa do Empregado:
Demissão
saldo de salário;
13o proporcional;
férias proporcionais; 
eventuais férias vencidas;
Dispensa indireta ou rescisão indireta (justa causa)
saldo de salário;
aviso prévio;
férias proporcionais;
13o salário proporcional;
levantamento dos depósitos do FGTS;
multa de 40% sobre o FGTS;
eventuais férias vencidas;
Aposentadoria espontânea
saldo de salário;
13o proporcional;
férias proporcionais;
levantamento do FGTS;
eventuais férias vencidas;
Morte do empregado
saldo de salário;
levantamento do FGTS;
férias proporcionais;
13o proporcional;
eventuais férias vencidas;
1.3) Culpa recíproca
saldo de salário;
50% do aviso