Manual de Redação Parlamentar 3ª Ed.  ALMG
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de que trata a proposição não se encontra arrolada
entre as de iniciativa privativa, previstas no art. 66 da Constituição do Estado.

Entendemos ser necessária a supressão do preceito constante do § 2°
do art. 4° do projeto, já que esta Casa Legislativa não tem a prerrogativa
de legislar sobre direito civil, matéria de competência privativa da União,
nos termos do art. 22, I, da Constituição da República. Vale ainda dizer,
para justifi car a supressão proposta, que o Código de Proteção e Defesa do
Consumidor adotou como princípio a reparação total de possíveis prejuízos
suportados pelo cidadão lesado quando das suas relações no mercado de
consumo. É o que se conclui do preceito constante do art. 6°, VI, daquele
Diploma Legal, que assegura \u201ca efetiva prevenção e reparação de danos
patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos\u201d.

O § 2° do art. 4º do projeto em exame afronta, portanto, não apenas a
Constituição da República, mas também o Código de Proteção e Defesa do
Consumidor, motivo pelo qual deve ser excluído do texto da proposição, o que
fazemos por meio da Emenda nº 1.

Conclusão
Em face do exposto, concluímos pela juridicidade, constitucionalidade e

legalidade do Projeto de Lei n° .../... com a Emenda n° 1, a seguir redigida.

EMENDA N° 1

Suprima-se o § 2° do art. 4°.

Sala das Comissões, ... de ... de ... .

, presidente
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Modelo 26

PARECER PARA O 1° TURNO DO PROJETO DE LEI N° .../...

Comissão de Constituição e Justiça

Relatório

De autoria do deputado ..., o Projeto de Lei n° .../..., resultante do
desarquivamento do Projeto de Lei nº .../..., possibilita aos membros de
Igreja Adventista matriculados na rede pública estadual de ensino a dispensa
dos exames de avaliação curricular nos dias de culto dessa religião.

Publicada no Diário do Legislativo de .../.../..., foi a proposição
distribuída às Comissões de Constituição e Justiça e de Educação, Ciência
e Tecnologia.

Vem a matéria preliminarmente a esta comissão para receber parecer quanto
aos aspectos de juridicidade, constitucionalidade e legalidade, nos termos do
art. 188, combinado com o art. 102, III, \u201ca\u201d, do Regimento Interno.

Fundamentação

O projeto em exame tem por objetivo conceder aos alunos adventistas
matriculados na rede pública estadual de 1° e 2° graus a dispensa dos exames
de avaliação curricular realizados nos dias de culto dessa religião.

Nos termos da proposição, \u201cserão consideradas adventistas todas as
pessoas que, por respeito à religião, guardarem os dias de sexta-feira, após as 18
horas, e o sábado\u201d. O projeto contém dispositivo que exige a comprovação
da condição de adventista mediante declaração da igreja a que a pessoa
pertence.

Determina ainda que os estabelecimentos de ensino da rede pública
estadual definam, no calendário escolar, as datas para a segunda chamada
dos exames que os alunos adventistas deixarem de realizar em decorrência
dessa medida.

Cumpre ressaltar que a Lei Federal n° 9.394, de 1996 \u2013 Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional \u2013, consagra o princípio da gestão democrática
do ensino público, deferindo aos estabelecimentos de ensino autonomia
para elaborar sua proposta pedagógica em articulação com as famílias e a
comunidade, objetivando a integração da escola com a sociedade, consoante

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dispõe seu art. 12. Ora, uma lei estadual editada nos termos preconizados
pelo projeto acabaria por limitar o alcance da Lei n° 9.394, porquanto estaria
impondo aos estabelecimentos de ensino um modo de proceder prefi gurado
para uma situação que seguramente se inscreve no âmbito de competência
decisória das escolas. Estas se veriam destituídas da autonomia que lhes
outorga a legislação federal para decidirem com as pessoas interessadas acerca
de questões como a de que trata o projeto. O nosso ordenamento jurídico não
comporta contradição entre lei estadual e lei federal, resolvendo-se a antinomia
pela prevalência desta última.

Outrossim, deve-se consignar que a Constituição da República dispensou
tratamento específi co para as questões de fundo religioso, demonstrando
a importância de que se reveste a matéria. A propósito, cabe transcrever o
disposto no inciso VI do art. 5°: \u201cÉ inviolável a liberdade de consciência
e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e
garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias\u201d.
Vale reproduzir ainda a redação do inciso VIII do mesmo art. 5°: \u201cNinguém
será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção
fi losófi ca ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a
todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa\u201d.

Tais dispositivos, contudo, só fazem reforçar o caráter laico do Estado
brasileiro, que, precisamente por respeitar a diversidade de religiões, admitindo
a coexistência de várias delas, deve abster-se de editar normas jurídicas que
digam respeito a uma específi ca, à maneira do disposto no projeto em tela. A
prosperar um projeto de lei com esse conteúdo e tendo em vista a coexistência
no País de inúmeras tendências religiosas, cada qual com suas particularidades,
o Estado poderia ver-se na contingência de produzir todo um plexo
normativo voltado especifi camente para o disciplinamento das mais variadas
singularidades de cada religião, o que é totalmente desarrazoado.

Conclusão
Em face do exposto, concluímos pela antijuridicidade, inconstitucionali-

dade e ilegalidade do Projeto de Lei n° .../... .

Sala das Comissões, ... de ... de ... .

, presidente

, relator

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Modelo 27

PARECER PARA O 1º TURNO DO PROJETO DE LEI Nº .../...

Comissão de Segurança Pública

Relatório

O projeto de lei em tela, do deputado ..., tem por objetivo acrescentar
artigo à Lei n° 16.299, de 2006, que estabelece normas para a comercialização
de vestuário próprio da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Corpo de
Bombeiros Militar e dos demais órgãos de segurança pública do Estado.

Examinado preliminarmente pela Comissão de Constituição e Justiça,
que concluiu pela juridicidade, pela constitucionalidade e pela legalidade da
matéria com a Emenda n° 1, que apresentou, vem agora o projeto a esta
comissão para receber parecer quanto ao mérito, nos termos do art. 188,
combinado com o art. 102, XV, do Regimento Interno.

Fundamentação
A proposição em análise visa a acrescentar artigo à Lei n° 16.299, de 2006,

que estabelece normas para a comercialização de vestuário próprio da Polícia
Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros Militar e dos demais órgãos
de segurança pública do Estado. Segundo o projeto, a pessoa física ou jurídica
que comercializa esse tipo de vestuário deverá adaptá-lo às mulheres, sob pena
de ficar impedida \u201cde contratar e firmar convênios com o Estado\u201d.

No Texto Constitucional de 1988, um dos postulados do regime demo-
crático é a igualdade, o qual se encontra enunciado no caput e no inciso I do
art. 5º. O caput estabelece que todos são iguais perante a lei, sem distinção de
nenhuma natureza, enquanto o inciso I estende essa igualdade a homens e
mulheres, não somente em relação aos direitos, mas também aos deveres, ao
especificar que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.

Dessa forma, esta comissão entende que, quanto ao mérito, a proposição
é muito bem-vinda, na medida em que objetiva dar a homens e mulheres o
mesmo tratamento, sem desrespeitar suas diferenças