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Manual de Redação Parlamentar 3ª Ed.  ALMG

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vez de apenas prescrever normas, atitude que 
talvez sugerisse uma convicção idealista e distanciada do cotidiano, o manual 
tenta trazer à luz problemas recorrentes de redação, difi culdades que se 
repetem e, com isso, oferecer um campo mais pragmático – não automático 
– de soluções. 
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O PROCESSO 
LEGISLATIVO
O processo legislativo é um 
conjunto concatenado de atos 
preordenados, realizado pelos 
órgãos legislativos com vistas à 
formação das leis em sentido amplo. 
Seu objeto são os atos normativos 
previstos na Constituição.
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O processo legislativo é um conjunto concatenado de atos preordenados 
(iniciativa, emenda, votação, sanção, promulgação e publicação), realizados 
pelos órgãos legislativos com vistas à formação das leis em sentido amplo. Seu 
objeto são os atos normativos previstos na Constituição. 
Distinguem-se três fases no processo de elaboração das leis: 
Fase introdutória 
Corresponde à iniciativa, que é a faculdade de propor um projeto de 
lei, atribuída a pessoas ou órgãos, de forma geral ou especial; é o ato que 
desencadeia o processo legislativo. 
Fase constitutiva 
Compreende a deliberação e a sanção. É a fase de estudo e deliberação 
sobre o projeto proposto; inclui os turnos regimentais de discussão e votação, 
seguidos da redação final da matéria aprovada. 
Essa fase se completa com a apreciação, pelo Executivo, do texto aprovado 
pelo Legislativo. É a intervenção do Executivo na construção da lei. Tal apreciação 
pode resultar no assentimento (a sanção) ou na recusa (o veto). A sanção 
transforma em lei o projeto aprovado pelo Legislativo. Pode ocorrer expressa ou 
tacitamente. A sanção é expressa quando o Executivo dá sua concordância, de 
modo formal, no prazo de 15 dias contados do recebimento da proposição de 
lei, resultante de projeto aprovado pela casa legislativa. A sanção é tácita quando o 
Executivo deixa passar esse prazo sem manifestação de discordância. 
Pode o Executivo recusar sanção à proposição de lei, impedindo dessa 
forma sua transformação em lei. Tal recusa se manifesta pelo veto, que pode 
ser total ou parcial, conforme atinja total ou parcialmente o texto aprovado. 
Segundo dispõe o § 2º do art. 66 da Constituição da República, ao qual cor-
responde o § 4º do art. 70 da Constituição do Estado, “o veto parcial somente 
abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea”. 
O veto pode ter por fundamento a inconstitucionalidade da proposição 
de lei ou a sua inconveniência. No primeiro caso, há um motivo jurídico: a 
incompatibilidade com a Lei Maior. No segundo caso, há um motivo político, 
que envolve uma apreciação de vantagens e desvantagens: o Executivo pode 
opor veto à proposição se julgá-la contrária ao interesse público; 
Fase complementar ou de aquisição de eficácia 
Compreende a promulgação e a publicação da lei. A promulgação é o ato 
que declara e atesta a existência da lei, indicando que esta é válida e executá-
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vel. Cabe ao chefe do Executivo promulgar a lei. Se ele, nos casos de sanção 
tácita e de rejeição do veto, não o faz no prazo de 48 horas, deve o presiden-
te da casa legislativa fazê-lo. À Mesa da Assembleia, cabe a promulgação das 
emendas à Constituição, e ao presidente da Assembleia a promulgação das 
resoluções, devendo-se assinalar que, no prazo de 15 dias úteis, contados da 
data da aprovação da redação final do projeto de que se tenha originado a 
resolução, esta poderá ser impugnada motivadamente, no todo ou em parte, 
pelo presidente da Assembleia, hipótese em que a matéria será devolvida ao 
Plenário para reexame. 
Depois da promulgação, vem a publicação, que, em nosso sistema, é o 
meio de tornar a norma conhecida e vigente. 
PrOPOsIções dO PrOCessO legIslAtIvO
As matérias destinadas à apreciação dos parlamentares, em Plenário ou em 
comissão, são apresentadas por meio de um instrumento formal, quase sempre 
escrito, ao qual se dá o nome de proposição. Esse documento é discutido e 
votado pelos parlamentares e constitui o objeto do processo legislativo.
A proposição pode consistir em um projeto de legislação (proposta de 
emenda à Constituição, projeto de lei complementar, ordinária ou delegada, 
projeto de resolução), um veto do chefe do Executivo ou outro documento 
a ser apreciado pelos deputados (emenda, requerimento, recurso, parecer, 
representação popular, proposta de ação legislativa, mensagem governamental).
Para elaborar adequadamente uma proposição, é necessário observar as 
normas da Constituição do Estado e do Regimento Interno, as diretrizes 
estabelecidas na legislação específica e ainda as recomendações técnicas e as 
convenções, como as contidas neste manual. Ao conjunto desses preceitos e 
orientações chama-se genericamente técnica legislativa, cujo objetivo é conferir 
à proposição a forma mais adequada à sua finalidade, garantir a clareza do 
texto e facilitar sua interpretação e aplicação em cada caso.
Este manual se ocupa de dois grupos de proposições: as normativas e as 
não normativas. 
Proposições normativas
As proposições normativas – projetos de lei, projetos de resolução e 
propostas de emenda à Constituição, bem como emendas, na condição de 
proposições acessórias – constituem o objeto central do processo legislativo 
e se apresentam na forma de texto normativo. 
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Projeto de lei, projeto de resolução e 
proposta de emenda à Constituição
Modelos 1 a 15
Projeto é a proposta de texto normativo submetida à apreciação do 
parlamento com vistas a sua transformação em uma das espécies normativas 
defi nidas no art. 63 da Constituição do Estado. 
O projeto que tem por objetivo alterar o texto constitucional recebe a 
denominação técnica de proposta de emenda à Constituição, reservando-se 
o termo “projeto” para as proposições que darão origem às leis ordinárias, 
complementares e delegadas e às resoluções. 
A preparação da lei: estudo preliminar
Antes de se iniciar a elaboração de um projeto de lei ou de uma proposta 
de emenda à Constituição, deve-se proceder a um estudo técnico sobre 
a viabilidade da proposição. Esse estudo é importante para avaliar as 
condições de aplicação e os possíveis impactos da nova legislação, e também 
para evitar a edição de leis desnecessárias.
As informações recolhidas e a análise feita nessa etapa preliminar 
podem e devem ser usadas na justifi cação do projeto, se possível de forma 
sistemática, de modo que a proposição seja bem fundamentada, com 
argumentos consistentes e objetivos, úteis ao debate sobre a matéria.
Os aspectos a serem examinados no estudo preliminar são os objetivos 
da lei, a necessidade de legislar, a possibilidade jurídica de legislar, o impacto 
sobre a realidade e o ordenamento, o objeto da lei e seu campo de aplicação.
Os objetivos da lei
Deve-se verifi car se a lei pretendida trará alguma novidade em relação à 
legislação vigente e se o caminho legislativo é, de fato, o mais adequado para 
solucionar as demandas em questão.
É necessário, assim, logo de início, fazer um levantamento da legislação 
existente sobre a matéria, tanto no âmbito do Estado quanto da União, para 
avaliar concretamente a necessidade de uma lei nova e, sendo o caso, propor 
a melhor forma de, tecnicamente, inseri-la no sistema