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Manual de Redação Parlamentar 3ª Ed.  ALMG

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em vigor.
A razão desses cuidados é evitar o acúmulo desnecessário de atos 
normativos, sempre prejudicial à administração pública e à sociedade. 
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Em muitos casos, a solução do problema que leva o parlamentar a querer 
legislar está em uma medida administrativa, política ou mesmo judicial, e 
não na edição de lei nova.
Sabe-se ainda que a identificação clara dos objetos da nova lei e de 
cada norma nela contida é fundamental para orientar o modo de conceber 
a redação do texto legal: sua estruturação geral, a divisão em partes, a 
ordenação e a articulação dos dispositivos (quais são os preceitos centrais 
e os secundários) e também a terminologia a ser usada. Quanto mais 
indefinidos e imprecisos são os propósitos do legislador, maior é o risco de 
a lei tornar-se ambígua ou obscura.
A possibilidade jurídica de legislar
Para se determinar a viabilidade jurídica do projeto, é preciso considerar 
os seguintes aspectos: a competência para legislar, a iniciativa, a legalidade e a 
constitucionalidade.
A competência para legislar
– No âmbito da Federação: avaliação das possibilidades e dos limites que o 
Estado tem para tratar da matéria, tendo em vista as competências instituídas 
pela Constituição da República para a União, os estados e os municípios. 
A análise deve levar em conta a finalidade do projeto, a exclusividade ou 
a concorrência para tratar da matéria, o caráter executivo ou legislativo da 
competência, a legislação preexistente no âmbito de cada ente federativo e 
ainda a possibilidade de atuação concreta dos entes da Federação no campo 
sobre o qual incide a proposição.
– No âmbito dos Poderes e do instrumental normativo: verificação de qual 
é o instrumento normativo adequado para o tratamento da matéria: se 
é realmente a lei (ordinária ou complementar), se o caso é de resolução 
ou de emenda à Constituição ou se o ato é de competência privativa do 
Poder Executivo (decreto, resolução de secretaria, portaria, etc.). 
Devem-se confrontar as competências entre os Poderes Legislativo, 
Executivo e Judiciário e as espécies normativas para fazer a escolha 
adequada.
As matérias cujo tratamento a Constituição (da República ou do Estado) 
reservou privativamente à lei (reserva legal) não podem ser objeto de decreto 
do Executivo nem de resolução da casa legislativa. No caso de Minas Gerais, 
há uma enumeração dessas matérias no art. 61 de sua Constituição.
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A abrangência do texto da lei e o espaço a ser preenchido por 
decreto dependem da distribuição de competências estabelecida 
na Constituição do Estado e também da política empreendida pelo 
legislador na regulação da matéria. Providências administrativas e 
medidas operacionais referentes à aplicação da lei são, de modo 
geral, assunto para decreto.
A iniciativa
Trata-se de averiguar na Constituição do Estado se a matéria constante 
do projeto de lei é de iniciativa aberta a todos os agentes competentes para 
deflagrar o processo legislativo ou se está restrita (iniciativa privativa) ao titular 
de algum dos Poderes.
A legalidade e a constitucionalidade
É a análise prévia sobre a obediência do projeto às leis em vigor e às 
Constituições. É interessante notar que, em alguns casos, a ilegalidade de uma 
proposta pode ser causada pelo modo como o texto é redigido.
O impacto sobre a realidade
O êxito de uma lei nova depende do cenário econômico, social, político 
e cultural que vai recepcioná-la. Devem-se, assim, analisar os possíveis efeitos que 
as novas normas terão em cada um desses campos, do ponto de vista qualitativo e 
quantitativo, e avaliar a sua aplicabilidade. O estudo de impacto depende da área 
temática em que se está legislando e da complexidade da matéria.
A viabilidade financeira e orçamentária, o impacto ambiental, a exequi-
bilidade, o potencial de aceitação das normas pela população constituem as-
pectos importantes a ser avaliados antes de se propor a legislação e durante a 
discussão do projeto no parlamento.
O impacto sobre o ordenamento
Trata-se de verificar os efeitos que a nova lei trará para a configuração do 
ordenamento, a fim de definir, do ponto de vista textual, a melhor maneira 
de conectá-la ao conjunto em vigor. Assim, é preciso avaliar:
a) a opção por lei autônoma ou por lei modificativa, em função da legisla-
ção preexistente sobre a matéria;
b) as leis e os dispositivos que precisam ser expressamente revogados pela 
lei nova;
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c) a data mais adequada para que a lei entre em vigor;
d) a necessidade de normas transitórias;
e) a necessidade de legislação regulamentar e as questões a serem nela 
tratadas;
f) os pontos de integração com outras leis ou normas, para efeito de 
remissão ou citação.
O objeto da lei e o seu campo de aplicação
Trata-se de demarcar os limites da matéria a ser regulada: defi nir com 
precisão o conteúdo das normas (os comandos normativos), o seu âmbito de 
aplicação (onde e quando as normas se aplicam) e os respectivos destinatários 
(a quem as normas se dirigem), tendo em vista os objetivos da lei. 
O recorte do objeto, que supõe a seleção, a classifi cação e a sistematização 
dos elementos que o constituem, há de ser feito com o máximo rigor conceitual, 
base para a coerência do texto normativo e para a segurança do processo 
interpretativo da lei. 
Cada proposição deve tratar de um único objeto, não podendo conter 
matéria a ele não vinculada por afi nidade, pertinência ou conexão. 
O assunto do projeto deve ser tratado de modo integral, para que não 
fi quem lacunas ou omissões que inviabilizem o cumprimento da norma. 
O mesmo objeto não pode ser disciplinado em mais de uma lei, exceto 
quando a nova se destine a complementar a anterior.
Tratar o objeto da lei de forma integral não signifi ca detalhar 
determinados pontos que seriam apropriados para decreto, mas 
sim cobrir todos os aspectos fundamentais da matéria, para garantir 
o entendimento e a aplicabilidade da proposição. Assim, por 
exemplo, quando uma lei cria um órgão público, é preciso defi nir 
seu lugar na estrutura administrativa do Estado e suas atribuições 
básicas; na criação de um fundo, é necessário defi nir os recursos 
a ele destinados, mas não é preciso estipular os pormenores 
burocráticos de seu funcionamento.
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Questionário de referência para a preparação da lei
(checklist)
Definição do problema
 1. Qual é o problema que se pretende solucionar?
 2. Quais são as alternativas para enfrentá-lo (uma medida administrativa, 
a realização de uma campanha informativa, uma ação de fiscalização, a 
instauração de um processo judicial)?
 3. Há experiências anteriores a serem observadas? Que procedimentos e 
medidas foram adotados na situação comparada?
 4. A edição de um ato normativo é realmente a melhor forma de solucionar o 
problema, tendo em vista a natureza deste, seu alcance, os benefícios que 
se pretende obter e a possibilidade de adoção de medidas alternativas?
Possibilidade jurídica de legislar
1. Há amparo jurídico para legislar? A matéria é de competência do Esta-
do? O proponente tem poder de iniciativa para o ato? A proposta é cons-
titucional? A matéria traz inovação ao ordenamento jurídico?
2. Qual é o instrumento normativo adequado para tratar da matéria? É ma-
téria para a Constituição, para lei ou para resolução