HUM 05 - Os Direitos Humanos no Direito Brasileiro
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HUM 05 - Os Direitos Humanos no Direito Brasileiro


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capazes de ensejar, no cenário internacional, a responsabilização 
do Estado brasileiro, pois o § 5° acentua que o incidente de deslocamento deverá ter por fim 
assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos 
dos quais o Brasil seja parte. Assim, somente nos casos mais graves onde houver o esgotamento das 
vias internas ou de injustificável atraso na prestação jurisdicional é que poderá haver o deslocamento. 
 
 
 
 
 
 
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Os Tratados Internacionais: 
Conforme a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, de 1969, os tratados internacionais 
são acordos internacionais concluídos entre Estados, na forma escrita e regulados pelo Direito 
Internacional. 
 
Competências: 
Conforme a Constituição Federal a União tem competência exclusiva para manter relações com 
Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais. Compete privativamente ao 
Presidente da República celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do 
Congresso Nacional. O Congresso Nacional por sua vez, tem competência exclusiva para resolver 
definitivamente sobre acordos ou atos internacionais. 
 
Modo Pelo Qual os Tratados Passam a Integrar o Direito Interno: 
Assinado o tratado internacional pelo Poder Executivo, faz-se necessária sua aprovação pelo Poder 
Legislativo, mediante decreto legislativo. O processo de formação dos tratados consiste em um ato 
complexo, do qual não participa apenas o chefe do Poder Executivo Federal, mas também o Poder 
Legislativo, em estrita obediência ao princípio da harmonia entre os Poderes. Uma vez aprovado o 
tratado pelo parlamento, retorna ele ao Poder Executivo para a sua ratificação, ato unilateral através 
do qual o Estado aceita definitivamente as obrigações internacionais que assumiu. Após a sua 
ratificação, porém, questiona-se se os tratados são incorporados automaticamente ou não pelo Direito 
 
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nacional. Esta relação entre o direito decorrente de tratados e o direito interno pode apresentar 
conflitos que apontam ao debate entre as correntes do monismo e do dualismo jurídico. 
 
Teoria Monista: 
Conforme esta corrente, a mera ratificação determina a incorporação ao direito interno, sem que seja 
necessária a edição de ato legislativo interno determinando sobre o assunto. Conforme esta teoria, o 
direito internacional e o direito interno são dois ramos de um único sistema. 
 
Segundo o § 1° do art. 5° da Constituição Federal, as normas definidoras dos direitos e garantias 
fundamentais têm aplicação imediata, e o § 2° do mesmo artigo dispõe que tais direitos e garantias, 
expressos na Constituição Federal, não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por 
ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. A 
análise desses dois parágrafos combinados, por alguns juristas pátrios, entre eles Flávia Piovesan, 
Antônio Augusto Cançado Trindade1 e Celso Ribeiro Bastos2 tem levado a um entendimento de 
que os direitos e garantias regrados em normas internacionais têm aplicação imediata no Brasil, 
independente da edição de lei interna que reproduza integralmente o teor do tratado internacional. 
 
Teoria Dualista: 
A teoria dualista estabelece uma divisão entre a ordem interna e a ordem internacional. O direito 
internacional público e o direito interno são assim, incomunicáveis. Para esta corrente, o tratado 
internacional somente poderá ser aplicado ao Estado quando transformado em ato normativo interno, 
por incorporação ao direito nacional. 
 
Hierarquia das Normas de Tratados Internacionais de Direitos Humanos no 
Direito Brasileiro: 
Havia na doutrina discussão sobre a forma de ingresso na ordem jurídica brasileira desses direitos 
diante da hierarquia normativa. Entendiam alguns autores que as normas de tratado internacional 
ingressavam na condição de norma constitucional, outros entendiam que a norma deveria ingressar 
no plano da lei ordinária. Com a Emenda Constitucional n° 45, de 2004, as normas de tratados 
internacionais sobre direitos humanos passam a ser reconhecidas como normas de hierarquia 
constitucional, mas somente se aprovadas pelas duas casas do Congresso por 3/5 de seus membros 
em dois turnos de votação. 
 
CONSTITUIÇÃO 
FEDERAL 
Art. 5º - ............................................................................................................................................. 
 
§ 3º - Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em 
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos 
membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 08.12.04) 
 
1 “... se para os tratados internacionais em geral, se tem exigido a intermediação pelo Poder Legislativo de ato 
com força de lei de modo a outorgar as suas disposições vigência ou obrigatoriedade no plano do ordenamento 
jurídico interno, distintamente no caso dos tratados de proteção internacional dos direitos humanos em que o 
Brasil é Parte, os direitos fundamentais neles passam garantidos, consoante a Constituição Federal, a integrar o 
elenco dos direitos constitucionalmente consagrados e direta e imediatamente exigíveis no plano do 
ordenamento jurídico interno.” 
 
2 “Não será mais possível a sustentação da tese dualista, é dizer, a de que os tratados obrigam diretamente aos 
Estados, mas não geram direitos subjetivos para os particulares, que ficariam na dependência da referida 
intermediação legislativa. Doravante, será, pois, possível, a invocação de tratados e convenções, dos quais o 
Brasil seja signatário, sem a necessidade de edição pelo legislativo de ato com força de lei, voltado à outorga de 
vigência interna aos acordos internacionais”. 
 
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Em outras palavras, aos tratados e convenções de direitos humanos foi facultada a atribuição do 
status de norma constitucional, não restringindo a incorporação de novos diplomas de direitos 
humanos, pois não consta do que estes deverão necessariamente cumprir os requisitos para serem 
aceitos como norma interna, porém devem cumpri-los para que tenham a dimensão de uma emenda 
constitucional. 
 
Alguns juristas entendiam anteriormente que os acordos internacionais de direitos humanos já 
possuíam força constitucional. Esse entendimento não prevalece mais diante do § 3° do art. 5° da 
Constituição. Somente terão força de emenda constitucional se cumprirem os requisitos. 
 
Eficácia dos Tratados Internacionais: 
A eficácia dos tratados internacionais, segunda a doutrina, concretiza-se através de fatores como a 
voluntariedade, a reciprocidade e as sanções horizontais. A voluntariedade é a assunção pelo Estado-
parte do compromisso de cumprir os acordos perante os demais firmatários mediante a reciprocidade. 
As sanções horizontais podem assumir a forma de suspensão de relações diplomáticas e embargos 
comerciais, em relação ao Estado-parte que descumprir os preceitos