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1. INTRODUÇÃO 
Grande parte das obras de engenharia civil (prédio, pontes, viadutos, barragens, estradas, 
etc.) é assentada diretamente sobre o solo. A transferência dos esforços da estrutura para o solo 
é feita através de fundações rasas (sapatas, radiers) ou profundas (estacas, tubulões). No projeto 
geotécnico de fundações faz-se necessário avaliar se a resistência do solo é suficiente para 
suportar os esforços induzidos pela estrutura e, principalmente, se as deformações (recalques) 
estarão dentro dos limites admissíveis. Recalques diferenciais ou de magnitude elevada podem 
causar trincas na estrutura ou inviabilizar sua utilização. 
O Palácio de Belas Artes, na Cidade do México, é um caso clássico de recalque de 
fundação. Após sua construção, ocorreu um recalque diferencial de 2m, entre a rua e a área 
construída; o recalque geral desta região da cidade foi de 7m.. Um visitante, ao invés de subir 
alguns degraus para entrar no prédio, como estabelecido no projeto original, ele hoje tem de 
descer. A Figura 1.1 apresenta em esquema do que ocorreu com esta construção. 
 
 
Figura 1 Palácio de las Bellas Artes, na cidade do México. Recalque diferencial de 
2m entre a estrutura e a rua1. 
 
1
 Lambe e Whitman, 1969 
 
Faculdade de Engenharia 
Departamento de Estruturas e Fundações 
FEUERJ 
 
 
Prof Denise M Gerscovich Compressibilidade e Adensamento 25/10/11 4 
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2. COMPRESSIBILIDADE 
O solo é um sistema composto de grãos sólidos e vazios, os quais podem estar 
preenchidos por água e/ou ar. Quando se executa uma obra de engenharia, impõe-se no solo 
uma variação no estado de tensão que acarreta em deformações. 
A natureza das deformações pode ser subdividida em 3 categorias: deformações elásticas, 
plásticas ou viscosas. As deformações elásticas estão associadas a variações volumétricas 
totalmente recuperadas após a remoção do carregamento. Estas deformações causam em geral 
pequenas variações no índice de vazios. As deformações plásticas são aquelas que induzem a 
variações volumétricas permanentes; isto é, após o descarregamento o solo não recupera seu 
índice de vazios inicial. Já as deformações viscosas, também denominada fluência, são àquelas 
associadas a variações volumétricas sob estado de tensões constante. 
Essas deformações se devem a: 
\uf0b7 deformação dos grãos individuais; 
\uf0b7 compressão da água presente nos vazios (solo saturado); 
\uf0b7 variação do volume de vazios, devido ao deslocamento relativo entre partículas. 
Considerando as faixas de tensões aplicadas pelas obras civis é razoável desprezar as 
parcelas relativas a compressão do grão individual e da água. Assim sendo, as deformações no 
solo ocorrem basicamente pela variação de volume dos vazios. Somente para casos em que os 
níveis de tensão são muito elevados, a deformação total do solo pode ser acrescida da variação 
de volume dos grãos. 
Define-se como Compressibilidade a relação entre a magnitude das deformações e a 
variação no estado de tensões imposta. No caso de solos, estas deformações podem ser 
estabelecidas através de variações volumétricas ou em termos de variações no índice de vazios. 
Dependendo da forma adotada, a compressibilidade do solo fica então definida a partir de 
diferentes parâmetros conhecidos como: módulo confinado (D) , coeficiente de variação 
volumétrica (mv), coeficiente de compressibilidade (av) e índices de compressibilidade (Cc, Cr, 
Cs). A Figura 2.1 mostra as diferentes formas de obtenção destes parâmetros. 
 
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 (a) (b) (c) 
Figura 2 Parâmetros de Compressibilidade 
Observa-se, ainda na Figura 2.1, que as curvas de compressibilidade não são lineares. 
Desta forma a magnitude dos parâmetros de compressibilidade dependerá da faixa de tensões de 
trabalho. Faz-se necessário, portanto na prática da engenharia, indicar os limites em termos de 
tensão efetiva inicial e tensão efetiva final e, neste trecho, calcular a tangente à curva. 
Uma vez determinado a compressibilidade do solo em função de qualquer um do 
parâmetros, é possível obter qualquer outro a partir das correlações apresentadas na Tabela 1. 
 
Tabela 1 - Parâmetros de Compressibilidade 
 Módulo Confinado 
Coeficiente de 
Variação Volumétrica 
Coeficiente de 
Compressibilidade 
Índice de 
Compressão 
 
Módulo 
Confinado 
 
Coeficiente 
de 
Variação 
 
\uf065=\uf044H/Ho
\uf073\u2019v
\uf044\uf073\u2019v
\uf044\uf065
D\uf03d\uf044\uf073\u2019v /\uf044\uf065
mv=1/D
e
\uf073\u2019v
\uf044\uf073\u2019v
\uf044e
av=-\uf044e\uf02f\uf044\uf073\u2019v
Cs
e
log\uf073\u2019v
\uf044log\uf073\u2019v
\uf044e
Ci=-\uf044e\uf02f\uf044log\uf073\u2019v
Cr
Cc
D
v
v
\uf03d
\uf044
\uf044
\uf073
\uf065
D
mv
\uf03d
1
D
e
av
\uf03d
\uf02b1 0
D
e
C
v
c
medio\uf03d
\uf02b( )
,
1
0 435
0 \uf073
m
Dv
\uf03d
1
mv
v
v
\uf03d
\uf044
\uf044
\uf065
\uf073 m
a
ev
v
\uf03d
\uf02b1 0
m
C
ev
c
vmedio
\uf03d
\uf02b
0 435
1 0
,
( )\uf073
 
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Volumétrica 
Coeficiente 
de 
Compressi
bilidade 
 
 
 
Índice de 
Compressã
o 
 
 
 
 
 
Os fatores que determinam a compressibilidade dos solos são: 
\uf0b7 tipo de solo 
\uf0b7 estrutura 
\uf0b7 nível de tensões 
\uf0b7 grau de saturação 
2.1.1. TIPO DE SOLO 
A interação entre as partículas de solos argilosos (argilo-minerais) é feita através de 
ligações elétricas e o contato feito através da camada de água absorvida (camada dupla). Já os 
solos granulares transmitem os esforços diretamente entre partículas. Por esta razão, a 
compressibilidade dos solos argilosos é superior a dos solos arenosos, pois a camada dupla 
lubrifica o contato e portanto facilita o deslocamento relativo entre partículas. É comum referir-se 
aos solos argilosos como solos compressíveis. 
2.1.2. ESTRUTURA 
A estrutura dos solos é um fator importante na definição da sua compressibilidade. Solos 
granulares podem ser arranjados em estruturas fofas, densas e favo de abelha (solos finos), 
conforme mostrado na Figura 3. Considerando que os grãos são admitidos como incompressíveis, 
quanto maior o índice de vazios, maior será a compressibilidade do solo. 
 
a
e
Dv
\uf03d
\uf02b1 0
a e mv v\uf03d \uf02b( )1 0
a
e
v
v
\uf03d \uf02d
\uf044
\uf044\uf073
a
C
v
c
vmedio
\uf03d
0 435,
\uf073
C
e
Dc
vmedio\uf03d
\uf02b( )
,
1
0 435
0 \uf073
C
e m
c
v vmedio
\uf03d
\uf02b( )
,
1
0 435
0 \uf073
C
a
c
v vmedio\uf03d
\uf073
0 435,
C
e
c
v
\uf03d \uf02d
\uf044
\uf044 log\uf073
 
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Figura 3. Estrutura dos Solos Granulares 
Já os solos argilosos se apresentam segundo estruturas dispersas ou floculadas (Figura 
4). Solos com estrutura floculada são mais compressíveis; com a compressão desses solos o 
posicionamento das partículas tende a uma orientação paralela (estrutura dispersa). 
 
Figura 4. Estrutura dos Solos Argilosos 
Devido a importância da estrutura na definição da compressibilidade dos solos, ensaios de 
laboratório para determinação