Virologia Veterinária_EDUARDO FLORES
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Virologia Veterinária_EDUARDO FLORES


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o vírus da vacina contra a doença de 
Aujeszky é um mutante de deleção que foi pro-
duzido a partir da cepa Bartha do herpesvírus 
suíno tipo 1 (SuHV-1). 
Classifi cação e nomenclatura dos vírus 41
3 Nomenclatura dos vírus
No uso formal, as palavras que designam 
as famílias, subfamílias e gêneros devem iniciar 
com letra maiúscula e devem ser escritas em itá-
lico ou sublinhadas. O nome da espécie do vírus 
não deve iniciar com letra maiúscula (a não ser 
que este nome corresponda a um nome próprio 
de região, cidade etc.) e deve ser escrito com fon-
te normal, sem itálico. No uso formal, a hierar-
quia (táxon) deve preceder a unidade taxonômi-
ca. Exemplo: \u201ca família Parvoviridae\u201d; \u201co gênero 
Parvovirus\u201d. 
No uso informal (ou vernacular) os termos 
referentes à família, subfamília, gênero e espécie 
devem ser escritos com letras minúsculas, sem 
itálico ou sublinhado. Neste caso, o su\ufb01 xo formal 
não é incluído e o nome do táxon segue o termo 
usado para de\ufb01 nir a unidade taxonômica. Escre-
ve-se então: \u201ca família dos poxvírus\u201d, \u201co gênero 
parapoxvirus\u201d. O uso informal em português 
deve suprimir letras que não existam no alfabeto 
da língua portuguesa. Exemplo: para se referir de 
forma vernacular aos membros da subfamília Al-
phaherpesvirinae, deve-se escrever: \u201cos alfaherpes-
virus\u201d. Os membros da família Orthomyxoviridae 
devem ser tratados como \u201cos ortomixovírus\u201d.
No uso informal, o nome do táxon é, muitas 
vezes, suprimido, o que pode resultar em con-
fusões. Isto se deve à raiz comum das palavras 
utilizadas para de\ufb01 nir as unidades taxonômicas 
nos diferentes níveis. Dessa forma, dependendo 
do contexto, a palavra \ufb02 avivírus pode estar sen-
do usada para referir-se tanto à família Flavivi-
ridae como ao gênero Flavivirus. Para evitar essa 
ambigüidade, aconselha-se o uso do táxon prece-
dendo o termo usado. Exemplo: vírus do gênero 
Flavivirus. 
A nomenclatura o\ufb01 cial dos vírus utiliza 
abreviaturas, que são constituídas pelas iniciais 
do nome da espécie viral. No presente texto, serão 
utilizadas as abreviaturas derivadas da nomen-
clatura na língua inglesa, por exemplo, herpesví-
rus bovino tipo 1 (do inglês bovine herpesvirus type 
1, BoHV-1). 
No uso informal, muitos vírus podem ser 
denominados de duas ou três formas diferentes, 
de acordo com a sua denominação original e com 
a nomenclatura o\ufb01 cial preconizada pelo ICTV. 
As recomendações do ICTV são de que a sua 
nomenclatura substitua as anteriores, embora 
alguns deles continuem a ser denominados pela 
nomenclatura tradicional. Citam-se como exem-
plos o SuHV-1, que também é conhecido como 
vírus da doença de Aujeszky (ADV) ou vírus da 
pseudoraiva (PRV), e o BoHV-1, que é também 
conhecido como vírus da rinotraqueíte infecciosa 
bovina (IBRV). 
Exemplos de nomenclatura de vírus:
a) Formal: família: Picornaviridae; gênero: 
Aphtovirus; espécie: vírus da febre aftosa (foot and 
mouth disease vírus, FMDV); 
Vernacular: \u201cOs aftovírus são sensíveis ao 
pH baixo [...]\u201d.
 b) Formal: família: Herpesviridae, subfamília: 
Alphaherpesvirinae, gênero: Alphaherpesvirus, es-
pécie: herpesvírus suíno tipo 1 (vírus da doença 
de Aujezsky); 
Vernacular: \u201cO vírus da doença de Aujeszky 
é um alfaherpesvírus [...]\u201d.
c) Formal: ordem: Mononegavirales; família: 
Paramyxoviridae; subfamília: Pneumovirinae; gêne-
ro: Pneumovirus, espécie: vírus sincicial respirató-
rio bovino (BRSV);
Vernacular: \u201cOs pneumovírus causam do-
ença respiratória [...]\u201d.
d) Formal: família: Flaviviridae; gênero: Fla-
vivirus; espécie: vírus da febre amarela (YFV);
Vernacular: \u201cO vírus da febre amarela é um 
\ufb02 avivírus transmitido por mosquitos\u201d.
4 Critérios utilizados para a 
classifi cação dos vírus
A evolução nos métodos de detecção e ca-
racterização dos vírus determinou uma evolução 
nos critérios utilizados para a sua classi\ufb01 cação. 
A diferenciação entre vírus e os demais micro-
organismos foi o primeiro passo na classi\ufb01 cação 
dos agentes virais e essa diferença foi determi-
nada, inicialmente, pela \ufb01 ltrabilidade dos vírus. 
Enquanto as bactérias eram retidas no \ufb01 ltro, os 
vírus passavam por ele, surgindo a denominação 
de agentes \ufb01 ltráveis. 
42 Capítulo 2
No início, as características ecológicas e de 
transmissão, sinais clínicos da doença e tropis-
mo por determinado órgão ou tecido foram os 
critérios utilizados na classi\ufb01 cação dos vírus. O 
desenvolvimento da microscopia eletrônica pos-
sibilitou a classi\ufb01 cação de acordo com a morfo-
logia das partículas virais. Ao longo dessa evo-
lução, outras características foram sendo mais 
conhecidas e consideradas para descrever os 
vírus. Aspectos como a composição química, o 
tipo de genoma, distribuição geográ\ufb01 ca, vetores, 
estabilidade e antigenicidade dos vírus foram 
adquirindo importância. Atualmente as técnicas 
de biologia molecular têm sido utilizadas para 
re\ufb01 nar e detalhar a classi\ufb01 cação dos vírus, espe-
cialmente o seqüenciamento e comparação entre 
seqüências do genoma. Estratégias de expressão 
gênica, homologia de nucleotídeos entre seqüên-
cias correspondentes, estrutura e funções de pro-
teínas virais também foram incorporadas aos cri-
térios de classi\ufb01 cação dos vírus.
De acordo com o ICTV, as seguintes carac-
terísticas são atualmente levadas em considera-
ção para classi\ufb01 car os vírus em ordem, famílias, 
subfamílias e gêneros: tipo de ácido nucléico e 
organização do genoma, estratégia de replicação 
e estrutura do vírion. 
A classi\ufb01 cação em espécies, embora não re-
gulamentada pelo ICTV, segue os seguintes cri-
térios: 
a) homologia da seqüência do genoma; 
b) hospedeiros naturais; 
c) tropismo de tecido e células; 
d) patogenicidade e citopatologia; 
e) forma de transmissão; 
f) propriedades físico-químicas; 
g) propriedades antigênicas. 
Uma outra classi\ufb01 cação prática, não o\ufb01 cial, 
é regularmente usada entre os virologistas. Nes-
se caso, são levados em consideração os critérios 
epidemiológicos e/ou clínico-patológicos para 
agrupar os vírus. De acordo com esse critério, os 
vírus são classi\ufb01 cados em: 
a) respiratórios: vírus que penetram no 
hospedeiro por inalação e produzem infecção e 
doença primariamente no trato respiratório. Ex: 
rinovírus, calicivírus; 
b) entéricos: vírus que penetram pela via 
oral e replicam no trato intestinal. Ex: coronaví-
rus, rotavírus;
c) arbovírus: vírus que replicam e são trans-
mitidos por vetores artrópodos. Ex: vírus da en-
cefalites eqüinas leste e oeste;
d) vírus oncogênicos: vírus com potencial 
para induzir transformação celular e tumores nos 
hospedeiros. Ex: retrovírus, papilomavírus.
5 Famílias de vírus
A seguir serão apresentadas as famílias de 
vírus que contêm patógenos de animais (Figuras 
2.1 a 2.25). Em cada gênero, serão mencionados 
os principais vírus que causam doenças em ani-
mais de interesse para a medicina veterinária, ou 
seja, animais de produção e animais de compa-
nhia. Também serão citados os principais patóge-
nos humanos. Cabe ressaltar, por essa razão, que 
esta lista não se constitui na relação completa dos 
vírus de cada família. 
 
5.1 Vírus com genoma DNA
5.1.1 Família: Poxviridae
Subfamília: Chordopoxvirinae (infectam ver-
tebrados)
Gêneros: 
\u2013 Orthopoxvirus: vírus da vaccinia (VACV), 
poxvírus bovino (varíola bovina), vírus da ectro-
melia (camundongos);
\u2013 Parapoxvirus: vírus do ectima contagioso 
dos ovinos (ORFV), vírus da estomatite papular 
bovina (BPSV);
\u2013 Avipoxvirus: vírus da bouba aviária 
(FWPV), poxvírus do canário (CNPV);
\u2013 Capripoxvirus: poxvírus dos caprinos 
(GTPV), poxvírus dos ovinos (SPPV), vírus da 
doença Lumpy Skin (LSDV);
\u2013 Leporipoxvirus: vírus do mixoma de coelhos 
(MYXV), vírus do \ufb01 broma de coelhos (RFV);
\u2013 Suipoxvirus: poxvírus suíno (SWPV);
\u2013 Molluscipoxvirus: vírus do molusco conta-
gioso (MOCV); 
\u2013 Yatapoxvirus: