Virologia Veterinária_EDUARDO FLORES
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Virologia Veterinária_EDUARDO FLORES


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causada por esses vírus em animais pro-
vavelmente seja a hepatite infecciosa canina. Os 
adenovírus têm sido intensivamente estudados 
como vetores para terapia genética e vacinas.
5.1.5 Família: Papillomaviridae
Gêneros:
\u2013 Alphapapillomavirus: vários papilomavírus 
humanos (protótipo: HPV-32);
\u2013 Betapapillomavirus: vários papilomavírus 
humanos (protótipo: HPV-5);
\u2013 Gammapapillomavirus: vários papilomaví-
rus humanos (protótipo: HPV-4);
Os papilomavírus são vírus pequenos, sem 
envelope, com 52 a 55 nm de diâmetro e simetria 
icosaédrica. O capsídeo é formado por 72 cap-
Figura 2.4. Fotografia demicroscopia eletrônica de vírions
da família Adenoviridae.
Fonte: Dra Cornelia Büchen-Osmond (ICTVdB).
Figura 2.5. Fotografia de microscopia eletrônica de um
vírion da família (Papilomavírus
humano).
Papillomaviridae
Fonte: www.oralcancerfoundation.org
46 Capítulo 2
sômeros, envolvendo o DNA circular de cadeia 
dupla de aproximadamente 8 kbp. Os vírus re-
plicam no núcleo de células epiteliais do tecido 
descamativo, e as sucessivas etapas da replica-
ção ocorrem em células com estágios diferentes 
de diferenciação. As etapas \ufb01 nais da replicação 
ocorrem apenas nas células maduras das cama-
das granulosa e córnea da pele. Os papilomaví-
rus são agentes etiológicos dos papilomas, tam-
bém denominados verrugas, que consistem em 
lesões nodulares na pele e mucosas de animais 
e humanos. Alguns desses vírus podem induzir 
a produção de tumores malignos. Esse problema 
é particularmente importante no caso das verru-
gas genitais humanas, também conhecidas como 
condilomas. Existem mais de 60 sorotipos dife-
rentes de papilomavírus causando doenças em 
humanos, e alguns deles são considerados de alto 
risco para a produção de tumores, como é o caso 
dos HPV 16 e HPV 18, que estão envolvidos no 
desenvolvimento de câncer de colo de útero em 
mulheres. As espécies bovina, eqüina e canina 
são as mais freqüentemente afetadas por papilo-
mas, no entanto, o desenvolvimento de tumores 
malignos nessas espécies não é comum. A parti-
cipação de papilomavírus na indução de tumores 
em animais parece ser limitada ao carcinoma de 
esôfago, induzido pela ingestão de samambaia 
em bovinos.
5.1.6 Família: Polyomaviridae
Gênero:
\u2013 Polyomavirus: vírus símio 40 (SV-40), polio-
mavírus de camundongos (PoV), vírus BK (hu-
manos), vírus JC (humanos), vários poliomavírus 
de mamíferos e aves.
Os poliomavírus estão entre os menores 
vírus DNA. Possuem vírions icosaédrico-esfé-
ricos com 45 nm, sem envelope, e uma molécu-
la de DNA de \ufb01 ta dupla circular como genoma 
(5 kb). Os vírions são compostos por 72 capsô-
meros, formados por três proteínas: VP1, VP2 e 
VP3. O genoma está associado com histonas ce-
lulares, formando uma estrutura semelhante à 
cromatina celular. A família Polyomaviridae era 
classi\ufb01 cada anteriormente como uma subfamília 
da Papovaviridae, cuja denominação derivava dos 
vírus protótipos: Pa (papilomavírus de coelhos); 
po (poliomavírus de camundongos) e va (agente 
vacuolizante, SV-40). Atualmente, os poliomaví-
rus e o protótipo SV-40 são classi\ufb01 cados separa-
damente, na família Polyomaviridae. O interesse 
maior nesses vírus iniciou-se com a descoberta 
de que o SV-40 e outros poliomavírus eram ca-
pazes de produzir tumores em hamsters (por 
isso foram denominados pequenos vírus DNA 
tumorais). Embora estudos extensivos realizados 
durante décadas não tenham sido capazes de de-
monstrar associação entre o SV-40 e tumores hu-
manos, estudos recentes demonstraram a presen-
ça de seqüências de DNA e antígenos do SV-40 
em certos tumores raros em humanos, renovando 
o interesse por esse vírus. Os poliomavírus foram 
muito estudados como modelos para Virologia 
e biologia molecular. O protótipo da família é o 
SV-40, um vírus encontrado como contaminante 
de vacinas contra a poliomielite nos anos 1950.
5.1.7 Família: Parvoviridae
Subfamília: Parvovirinae
Gêneros: 
\u2013 Parvovirus;
\u2013 Patógenos animais: parvovírus canino ti-
pos 1 e 2 (CPV-1; CPV-2), parvovírus felino (vírus 
da panleucopenia felina, FPLV), parvovírus suí-
no (PPV), parvovírus bovino (BPV); 
\u2013 Erythrovirus: vírus B19 humano;
Figura 2.6. Fotografia de microscopia eletrônica de
vírions da famíliaPolyomaviridae.
Fonte: PHIL Library, CDC.
Classifi cação e nomenclatura dos vírus 47
\u2013 Dependovirus: vírus adeno-associado 2 
(AAV);
\u2013 Amdovirus: Aleutian mink disease virus;
\u2013 Bocavirus: parvovírus bovino, vírus minu-
to dos cães.
tivas na suinocultura. O parvovírus humano B-16 
tem sido associado com abortos em mulheres.
5.1.8 Família: Circoviridae 
Gêneros:
\u2013 Circovirus: circovírus suíno tipos 1 e 2 
(PCV-1; PCV-2), vírus da doença das penas e bi-
cos dos psitacídeos (BFDV), circovírus dos pom-
bos (PiCV), circovírus dos gansos (GoCV), circo-
vírus do canário (CaCV);
\u2013 Gyrovirus: vírus da anemia das galinhas 
(CAV).
Os vírus dessa família são os menores vírus 
conhecidos que infectam animais. O diâmetro 
dos vírions, que não possuem envelope, pode va-
riar entre 17 e 22 nm. Esses vírions apresentam 
uma aparência esférica à microscopia eletrônica. 
O núcleo do vírion é formado por uma molécula 
de DNA circular de cadeia simples. A replicação 
viral ocorre no núcleo da célula hospedeira, na 
fase S do ciclo celular. Essa família possui um 
número pequeno de patógenos animais, entre os 
quais o agente da CAV e o vírus da doença debi-
litante dos leitões (PCV-2). Circovírus também já 
foram identi\ufb01 cados em humanos.
Subfamília: Densovirinae
Gêneros:
\u2013 Densovirus: densovírus da Junonia coenia;
\u2013 Iteravirus: densovírus da Bombyx mori;
\u2013 Brevidensovirus: densovírus do mosquito 
Aedes aegypti;
\u2013 Pefudensovirus: densovírus da Periplaneta 
fuliginosa.
Os parvovírus são vírus muito pequenos e, 
até há pouco tempo, eram considerados os meno-
res vírus de animais e/ou humanos. Os vírions 
possuem um diâmetro de 25 nm, não possuem 
envelope e apresentam uma aparência esférica 
à microscopia eletrônica. Os vírus dessa família 
apresentam um DNA de cadeia simples linear 
de, aproximadamente, 5.2 kb. Alguns membros 
dessa família necessitam de uma co-infecção vi-
ral para realizar a sua replicação (Dependovirus), 
o que não é o caso do gênero Parvovirus, no qual 
estão classi\ufb01 cados importantes patógenos de ani-
mais e humanos. A replicação ocorre no núcleo 
de células que estão em processo de mitose, mais 
especi\ufb01 camente na fase S do ciclo celular. Os 
principais agentes de doença dessa família são os 
parvovírus que causam doenças gastroentéricas 
em caninos e felinos. O parvovírus suíno é um 
importante agente etiológico de perdas reprodu-
5.1.9 Família: Hepadnaviridae
Gêneros: 
\u2013 Orthohepadnavirus: vírus da hepatite B hu-
mana (HBV), vírus do esquilo do solo (GSHV), 
Figura 2.7. Fotografia de microscopia eletrônica de vírions
da famíliaParvoviridae.
Fonte: Dra Cornelia Büchen-Osmond (ICTVdB).
Figura 2.8. Fotografia demicroscopia eletrônica de vírions
da famíliaCircoviridae.
Fonte: Dr Stewart McNulty (web.qub.ac.uk).
48 Capítulo 2
vírus das marmotas (WHV) e outros recentemen-
te identi\ufb01 cados em várias espécies;
\u2013 Avihepadnavirus: vírus da hepatite B dos 
marrecos (DHBV).
5.2 Vírus com genoma RNA 
de sentido positivo
5.2.1 Família: Picornaviridae
Gêneros: 
\u2013 Enterovirus: enterovírus bovinos 1 e 2 
(BEV-1, BEV-2), enterovírus suíno 1-13 (PEV-1-
13), poliovírus (PV);
\u2013 Rhinovirus: rinovírus bovino 1-3, rhinoví-
rus humanos (HRV-2-100);
\u2013 Hepatovirus: vírus da hepatite A humano 
(HAV);
\u2013 Cardiovirus: vírus da encefalomiocardite 
murina Theiler (EMCV);
\u2013 Aphtovirus: vírus da febre aftosa (FMDV);
\u2013 Parechovirus: parechovírus humano;
\u2013 Erbovirus: vírus da rinite eqüina B (ERBV);
\u2013 Kobuvirus: Aichi vírus (AiV);
\u2013 Teschovirus: teschovirus suíno 1 (PTV).
Os vírus