Virologia Veterinária_EDUARDO FLORES
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Virologia Veterinária_EDUARDO FLORES


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Coronaviridae 
capsídeo helicoidal, que possui uma molécula de 
RNA linear de cadeia simples e sentido positivo. 
Dentre os vírus RNA, os coronavírus possuem o 
maior genoma, podendo variar de 27 a 32 kb. A 
síntese de um grupo de RNAs subgenômicos du-
rante a replicação viral na célula infectada é um 
aspecto comum aos vírus dessa família, assim 
como aos demais vírus da ordem Nidovirales. A 
replicação ocorre inteiramente no citoplasma. Es-
ses vírus causam importantes doenças entéricas 
em animais, incluindo a gastrenterite transmis-
sível dos suínos (TGE) e a peritonite infecciosa 
dos felinos (FIP). Os coronavírus humanos estão 
associados principalmente com os resfriados co-
muns. O vírus da SARS, agente de doença respi-
ratória severa na Ásia entre 2003 e 2004, também 
é classi\ufb01 cado nessa família.
5.2.7 Família: Arteriviridae 
Ordem: Nidovirales
Gênero: 
\u2013 Arterivirus: vírus da arterite eqüina (EVAV), 
vírus elevador da lactato desidrogenase (LDEV), 
vírus da síndrome respiratória e reprodutiva dos 
suínos (PRRSV).
Ordem Nidovirales
Gênero: 
\u2013 Coronavirus: vírus da bronquite infecciosa 
das aves (IBV), coronavírus dos perus (TCoV), 
vírus da gastrenterite transmissível dos suínos 
(TGEV), coronavírus felino (FeCoV), vírus da pe-
ritonite infecciosa felina (FIPV), coronavírus ca-
nino (CCoV), coronavírus bovino (BCoV), coro-
navírus humano (HuCoV), vírus da pneumonia 
asiática (SarsCoV \u2013 humano);
\u2013 Torovirus: torovírus eqüino (EToV), toroví-
rus bovino (BToV), torovírus suíno (SToV), toro-
vírus humano (HToV), vírus Berne (BeV), vírus 
Breda (BrV).
A morfologia dos vírions, quando obser-
vada ao microscópio eletrônico, deu origem ao 
nome da família. Os vírions do gênero Corona-
vírus possuem diâmetro de 80 a 220 nm e forma 
esférica; os do gênero Torovírus, de 120 a 140 nm 
e aparência bacilar ou na forma de rim. Vírus de 
ambos os gêneros apresentam envelope lipídico 
com peplômeros que se projetam externamente 
por até 20 nm, e que dão ao vírion o aspecto de 
coroa. Os coronavírus apresentam um nucleo-
O nome dessa família originou-se da patolo-
gia induzida por esses vírus em eqüinos, a arteri-
te. Os arterivírus apresentam diâmetro de 50 a 70 
nm e possuem envelope. O genoma consiste de 
uma molécula de RNA linear de sentido positivo, 
Figura 2.15. Fotografia de microscopia eletrônica de
vírions da família Coronaviridae (SARS CoV).
Fonte: Dra Cornelia Büchen-Osmond (ICTVdB).
Figura 2.16. Fotografia de microscopia eletrônica de
vírions da família Arteriviridae (PRRSV).
Fonte: Dr D. Robinson, South Dakota State University.
52 Capítulo 2
com extensão entre 13 e 15 kb. De forma similar 
ao que ocorre com os coronavírus, RNAs sub-
genômicos são produzidos durante a replicação 
desses vírus no citoplasma das células infectadas. 
A liberação dos vírus se dá por exocitose após 
brotamento dentro de vesículas no citoplasma. 
Além do vírus da arterite eqüina, está também 
classi\ufb01 cado nessa família o PRRSV. Ambas as do-
enças são consideradas o\ufb01 cialmente exóticas no 
Brasil. Entretanto, estudos sorológicos demons-
traram a presença de anticorpos contra o EVAV 
em eqüinos de alguns estados brasileiros. 
5.3 Vírus com genoma RNA de sentido 
negativo não-segmentado
5.3.1 Família: Paramyxoviridae
Ordem: Mononegavirales
Subfamília: Paramyxovirinae
Gêneros: 
\u2013 Respirovirus: vírus da parain\ufb02 uenza bovi-
na tipo 3 (bPI-3V), vírus Sendai (camundongos);
\u2013 Morbillivirus: vírus da cinomose canina 
(CDV), vírus da peste bovina (Rinderpest), vírus 
da peste dos pequenos ruminantes, morbilivírus 
dos gol\ufb01 nhos, morbilivírus de focas (PhDV), ví-
rus do sarampo (humanos);
\u2013 Rubulavirus: vírus da parain\ufb02 uenza canina 
tipo 2 (cPIV-2), vírus da caxumba (humanos);
\u2013 Henipavirus: vírus Hendra (HeV), vírus Ni-
pah (NiV);
\u2013 Avulavirus: vírus da doença de Newcastle 
(NDV), paramixovírus das aves 2 a 9 (APMV-2-
9).
Subfamília: Pneumovirinae
Gêneros: 
\u2013 Pneumovirus: vírus sincicial respiratório 
bovino (BRSV) e humano (hRSV);
\u2013 Metapneumovirus: metapneumovírus das 
aves \u2013 AMPV (vírus da rinotraqueíte dos perus).
Os vírus dessa família são grandes, pleo-
mór\ufb01 cos, envelopados, com diâmetro variando 
de 150 a 350 nm. Possuem um genoma RNA li-
near de sentido negativo, cadeia simples, com 
16 a 20 kb. No envelope, são encontradas as gli-
coproteínas hemaglutinina (HN) e de fusão (F). 
Em alguns vírus, as glicoproteínas de superfície 
apresentam também uma atividade de neura-
minidase. A hemaglutinina é a proteína viral 
responsável pela ligação ao receptor celular, e a 
proteína F realiza a fusão do envelope viral com 
a membrana da célula. A replicação e reunião dos 
componentes virais ocorrem no citoplasma, e a 
liberação é feita por brotamento da membrana 
plasmática. Na partícula viral, também são en-
contradas algumas cópias da enzima polimerase, 
que é necessária para iniciar a replicação do ví-
rus. Esses vírus estão associados principalmente 
com doenças respiratórias e foram identi\ufb01 cados 
apenas em mamíferos e aves. Alguns morbiliví-
rus podem causar infecção persistente. Entre os 
vírus classi\ufb01 cados nessa família e que causam 
doença em animais incluem-se o CDV e o NDV 
em aves, entre outros. O hRSV, o vírus do saram-
po e da caxumba são patógenos importantes de 
humanos. 
5.3.2 Família: Rhabdoviridae 
Ordem: Monegavirales
Gêneros: 
\u2013 Vesiculovirus: vírus da estomatite vesicular 
(VSV), vários outros vírus isolados de insetos, al-
guns que infectam mamíferos;
\u2013 Lyssavirus: vírus da raiva (RV), lissavírus 
de morcegos Lagos;
\u2013 Efemerovirus: vírus da febre efêmera dos 
bovinos (BEFV);
Figura 2.17. Fotografia de microscopia eletrônica de
vírions da família Paramyxoviridae (vírus Sendai).
Fonte: Dr Samuel Baron (ICTVdB).
Classifi cação e nomenclatura dos vírus 53
\u2013 Novirhabdovirus: vírus da necrose hemato-
poiética infecciosa (HNV);
\u2013 Cytorhabdovirus: vírus da necrose amarela 
da alface (LNYV);
\u2013 Nucleorhabdovirus: vírus do tomate peque-
no amarelo (PYDV).
5.3.3 Família: Filoviridae 
Ordem: Mononegavirales
Gêneros: 
\u2013 Marburgvirus: vírus de Marburg;
\u2013 Ebolavirus: vírus ebola.
Os vírus dessa família apresentam formas 
\ufb01 lamentosas, pleomór\ufb01 cas, com diâmetro de 80 
nm e extensão que pode atingir até 14.000 nm. 
Podem ser vistas formas de U, de 6 ou, ainda, for-
mas circulares. O genoma consiste de uma úni-
ca molécula de RNA linear, de cadeia simples e 
sentido negativo, compondo um nucleocapsídeo 
helicoidal. A replicação ocorre no citoplasma e o 
vírus é liberado por brotamento na membrana 
plasmática. Os vírus dessa família causam doen-
ças hemorrágicas em humanos. Infecção natural 
com vírus de Marburg e a cepa Reston do vírus 
ebola também causa doença hemorrágica em ma-
cacos. Doença experimental pode ser induzida 
através de inoculação em macacos, cobaias, ha-
msters e camundongos. A manipulação desses 
vírus só é permitida em laboratórios de nível 4 de 
biosegurança. O vírus ebola é um dos vírus mais 
letais já identi\ufb01 cados para humanos. A história 
natural desses vírus ainda não é bem conhecida. 
Os vírions dessa família possuem uma mor-
fologia característica, lembrando um projétil de 
arma de fogo, com uma das extremidades arre-
dondadas e a outra romba. O diâmetro dos ví-
rions varia de 70 a 85 nm, e o comprimento pode 
variar de 130 a 380 nm. O vírus é envelopado e 
apresenta peplômeros de 8 a 10 nm na superfície; 
o nucleocapsídeo é helicoidal. O genoma consiste 
de uma cadeia simples de RNA linear de sentido 
negativo e extensão de 10 a 13 kb. A replicação 
ocorre no citoplasma. O RNA genômico de sen-
tido negativo é inicialmente transcrito em RNAs 
subgenômicos, que são traduzidos nas proteínas 
necessárias à formação de novas partículas virais. 
A replicação do genoma ocorre a partir de um in-
termediário positivo. O RV,