Virologia Veterinária_EDUARDO FLORES
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Virologia Veterinária_EDUARDO FLORES


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(hibridização, PCR). 
Cavidade
amniótica
Cavidade
alantóide
Membrana
cório-alantóide
Saco da gema
Casca Embrião
Albumina
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Figura 3.11. Vias de inoculação de vírus em ovos
embrionados.
Detecção, identifi cação e quantifi cação de vírus 75
3.3 Inoculação em cultivo celular
A detecção e identi\ufb01 cação de vírus em amos-
tras clínicas, após a sua multiplicação em cultivo 
celular, constituíram-se em uma das primeiras 
formas de detecção viral. O advento dos antibió-
ticos contribuiu de forma decisiva para o desen-
volvimento da Virologia, pois somente a partir 
daí foi possível estabelecer cultivos celulares em 
grande escala. A propagação do agente em cul-
tivo celular permite que quantidades mínimas 
de partículas víricas viáveis sejam detectadas, 
ampli\ufb01 cadas e, posteriormente, caracterizadas. 
Para os vírus que replicam bem em células de 
cultivo, esse sistema biológico possui aplicações 
virtualmente ilimitadas, incluindo: a) isolamento 
e identi\ufb01 cação com \ufb01 ns diagnósticos; b) obtenção 
de estoques virais para caracterização biológica 
e molecular; c) uso em testes sorológicos; d) pro-
dução de estoques virais para estudos de patoge-
nia; e) produção de antígeno para a imunização 
de animais (produção de anti-soro ou anticorpos 
monoclonais); f) produção de vacinas, entre ou-
tros.
O isolamento em cultivo celular é considera-
do a prova ouro (golden standard) em diagnóstico 
virológico, sendo utilizada como padrão de com-
paração com qualquer outro método. Esse méto-
do também é capaz de detectar amostras ocasio-
nais de vírus em material clínico. Vários agentes 
virais conhecidos resultaram de achados aciden-
tais em cultivo de células, entre estes o circoví-
rus suíno (PCV-1) e o vírus símio 40 (SV-40). Os 
cultivos celulares ainda se constituem na forma 
mais simples e econômica de obtenção de gran-
des quantidades de vírus viável para a pesquisa 
e produção de vacinas. 
Devido ao fato de nenhuma linhagem celu-
lar ser susceptível a todos os vírus, muitos labo-
ratórios mantêm cultivos celulares susceptíveis 
a diferentes agentes. A escolha de um tipo celu-
lar para o isolamento ou multiplicação do vírus 
está, muitas vezes, associada com a espécie de 
origem do material e com o histórico clínico da 
enfermidade. Geralmente, são utilizadas células 
originárias da espécie animal de origem do vírus. 
No entanto, isso não é regra, pois existem vários 
vírus que replicam em células de cultivos de ou-
B
O
V
IN
O
-
Vírus Idade do embrião Via de inoculação Lesão/conseqüência
E
Q
Ü
IN
O
O
V
IN
O
S
C
A
N
IN
O
S
e
F
E
L
IN
O
S
A
V
E
S
Varíola bovina 10-11 dias Membrana corioalantóide
Vírus da estomatite
vesicular (VSV) 7 dias
Membrana corioalantóide ou
cavidade alantóide Morte do embrião
Focos esbranquiçados (pocks)
na membrana, morte do embrião
Lumpy skin vírus (LSDV) 7 dias Membrana corioalantóide Pocks na membrana cório -alantóide.
Influenza eqüina 10-11 dias Cavidade alantóide
Cavidade alantóide
Encefalomielite eqüina
(EEE, WEE e VEE)
10-11 dias Qualquer via Morte do embrião
S
U
ÍN
O Vírus da doença de
Aujeszky (PRV) 10 dias Membrana corioalantóide
Lesões na membrana
corioalantóide, invasão do sistema
nervoso central, e protusão cerebral
do embrião, morte do embrião.
Raiva (RabV) 7 dias Gema
Retardo do crescimento, distrofia
muscular, encefalomalácia
Morte do embrião
Morte do embrião
Newcastle (NDV) 9-11 dias
Morte do embriãoVírus da língua azul(BTV) Intravenosa9-11 dias
9-11 dias
Membrana corioalantóide ou
cavidade alantóide
Influenza aviária (AIV)
Tabela 3.2. Vírus animais que replicam em embriões de pinto e efeitos da replicação
76 Capítulo 3
tras espécies. Por exemplo, o FMDV é cultivado 
em células de rim de hamster (BHK-21); o vírus 
da síndrome reprodutiva e respiratória dos su-
ínos (PRRSV) é cultivado em células de rim de 
macacos (MA-104); e o herpesvírus eqüino (EHV) 
é cultivado em células de rim de coelhos (RK-13) 
ou em células de rim de macaco-verde africano 
(Vero). 
Basicamente existem dois tipos principais 
de cultivos celulares: cultivos primários e as li-
nhagens contínuas. Cada um desses tipos apre-
senta vantagens e restrições. Os cultivos primários 
originam-se da remoção de um órgão fresco de 
um embrião ou feto recém-sacri\ufb01 cado. O órgão 
removido é submetido a um processo mecânico e 
enzimático para fracionamento do tecido e indi-
vidualização das células. As células individuali-
zadas são cultivadas em frascos ou garrafas, onde 
irão aderir e formar uma monocamada. O cultivo 
é realizado com meio nutritivo e promotores de 
crescimento, a temperatura de incubação é de 
37ºC. Nesse processo, a divisão celular é bastan-
te restrita, com uma propagação lenta e limitada, 
podendo-se dizer que ocorre uma divisão celular 
a cada 24 horas. Assim, é necessária a realização 
de subcultivos periódicos, e isso é realizado atra-
vés da individualização da monocamada pela 
ação enzimática, ressuspensão e semeadura em 
novos frascos de cultivo. Nesses novos cultivos, 
o número celular irá duplicar ou quadruplicar 
em poucos dias. Após um número variável de 
subcultivos (10 a 30 passagens, dependendo do 
tipo celular), as células começam a apresentar ta-
xas reduzidas de multiplicação e, eventualmen-
te, cessam a multiplicação. Os cultivos primários 
são os preferidos para a realização da multiplica-
ção viral, pois possuem características morfoló-
gicas e \ufb01 siológicas bastante semelhante às célu-
las dos órgãos originais. Sendo assim, possuem 
uma maior sensibilidade para a infecção viral. A 
restrição que esse tipo de cultivo apresenta é o 
número limitado de subcultivos, gerando neces-
sidade de preparação contínua nos laboratórios 
com alta demanda celular.
As linhagens celulares ou linhagens contínuas 
são derivadas de células tumorais ou de tecidos 
normais que sofreram transformação in vitro. Es-
ses tipos de cultivos celulares são cultivados de 
maneira semelhante aos cultivos primários e pos-
suem capacidade de multiplicação quase inde\ufb01 -
nida. Por estarem bem adaptadas às condições do 
cultivo, são de fácil manipulação e propagação. 
A maioria dos laboratórios dá preferência a esse 
tipo de cultivo celular devido à sua uniformidade, 
estabilidade e facilidade de manuseio. Por causa 
dessa alta taxa de propagação em laboratório, as 
linhas celulares podem sofrer alterações morfoló-
gicas e \ufb01 siológicas que alteram a sensibilidade à 
infecção viral. No entanto, a sensibilidade à infec-
ção com alguns vírus pode ser inferior nas linha-
gens celulares em comparação com os cultivos 
primários, mas as vantagens citadas acima com-
pensam este aspecto. Linhagens celulares podem 
ser obtidas pela transferência entre laboratórios 
ou pela aquisição junto a bancos depositários.
Diversas linhagens celulares são utilizadas 
rotineiramente em laboratórios de virologia em 
atividades de diagnóstico e pesquisa. O nome 
dessas linhagens geralmente está relacionado 
com o órgão de origem e freqüentemente contém 
as letras iniciais do nome do descobridor ou ou-
tra característica marcante. Alguns exemplos de 
linhagens celulares comumente utilizadas em Vi-
rologia Veterinária são: MDBK (Madin-Darby bo-
vine kidney), MDCK (Madin-Darby canine kidney), 
CRFK (Crandell feline kidney), CRIB (cell resistant 
to infection with bovine viral diarrhea vírus), RK13 
(rabbit kidney), PK15 (porcine kidney 15), SK6 (swi-
ne kidney), BHK-21 (baby hamster kidney clone 21), 
IBRS2 (Instituto Biológico rim de suíno