Atencao saude da gestante
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Atencao saude da gestante


DisciplinaEnfermagem na Saúde Reprodutiva e Perinatal22 materiais206 seguidores
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para atender as necessidades da gestante de gêmeos (MARES; 
CASANUEVA; 2002). É importante, na gestação gemelar, acompanhar de perto o ganho de peso 
recomendado (VÍTOLO, 2008). 
6.4.2 Prevenção da pré-eclâmpsia ou distúrbio hipertensivo específico da gestação (DHEG) 
A deficiência de cálcio está associada à DHEG. Ensaios clínicos sugerem que redução no risco 
de pré-eclâmpsia associada à suplementação de cálcio (13 ensaios, 15.730 mulheres: RR 0,45, IC 95% 
0,31-0,65) (HOFMEYR, 2010; DULEY, 2005). 
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Estudo mostrou que há relação entre suplementação de 2g de cálcio e menor risco de DHEG 
(KULIER, 1998). O profissional da APS deve avaliar se a gestante apresenta um consumo adequado de 
alimentos fonte de cálcio. Quando houver deficiência na ingestão deste nutriente a prescrição de 
suplementação é recomendada (VÍTOLO, 2008). 
Em relação à restrição do consumo de sódio, estudos não comprovaram benefício para a 
prevenção de DHEG (DULEY et al, 2005). 
6.4.3 Obesidade e/ou sobrepeso 
O excesso de peso pré-gestacional, o ganho de peso excessivo durante a gestação e a 
velocidade desse aumento de peso são fatores de risco para complicações clínicas, como diabetes e 
hipertensão (MANSON, 1995). 
O manejo da obesidade e o controle da velocidade do ganho de peso (200 a 320g/semana a 
partir do 2º trimestre) no período gestacional envolvem uma investigação sobre os erros alimentares e as 
possibilidades de sua correção (VÍTOLO, 2008). 
6.4.4 Gestantes vegetarianas 
A gestante vegetariana pode obter uma alimentação adequada e balanceada, porém é 
necessário monitorar os níveis de ferro, vitamina B12, vitamina D, zinco e cálcio e, se necessário, 
prescrever suplementação adequada (ADA, 2009). 
Gestantes vegetarianas e nutrizes devem ser estimuladas a ter uma alimentação variada e 
saudável. 
6.5 Hábitos a serem observados 
6.5.1 Uso de adoçantes 
A recomendação de edulcorantes na gestação deve estar embasada na relação custo-benefício 
do uso destes produtos, sendo que seu uso deve ser reservado para o controle de peso e diabetes 
(TORLONI, 2007). 
A sucralose, o acessulfame-k, o aspartame e a estévia não são tóxicos, carcinogênicos ou 
teratogênicos em animais, mas não existem estudos controlados em humanos. Parece improvável que 
seu uso possa ser prejudicial (SOFFRITTI, 2007; TORLONI, 2007). 
O uso do sorbitol deve ser moderado, pois aumenta a excreção de minerais essenciais, como o 
cálcio (ACCIOLY, 2002). As gestantes devem restringir o uso de sacarina e ciclamato (ADA, 1998). 
6.5.2 Consumo de bebidas alcoólicas 
O álcool, quando consumido pela gestante, atravessa a barreira placentária, expondo o feto às 
mesmas concentrações do sangue materno. Porém, o efeito no feto é maior, devido ao metabolismo e 
eliminação serem mais lentos, fazendo com que o líquido amniótico permaneça impregnado de álcool 
(CHAUDHURI, 2005). O profissional de saúde deve informar à gestante os riscos do consumo de bebida 
alcoólica (NICE, 2009). Ver capítulo 3. 
6.5.3 Consumo de cafeína 
O consumo de altas doses de cafeína na gestação pode estar associado ao aumento do risco de 
recém-nascido com baixo peso e de aborto (BRACKEN et al, 2003). 
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA GESTAÇÃO E PUERPÉRIO 
 
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O consumo diário de cafeína seguro é 300mg (NEW ZEALAND. Ministry of Health, 2006). A 
cafeína pode ser encontrada no café e bebidas à base de café, chá preto, chocolate, chimarrão, 
refrigerante a base de cola e em bebidas energéticas. O quadro 5 apresenta a dose diária máxima de 
cafeína que a gestante pode consumir sem oferecer riscos para seu bebê. 
 
Quadro 5. Dose diária máxima de cafeína/dia para gestantes. 
3 xícaras (200 ml) de café coado 
OU 
2 xícaras pequenas (50 ml) de café expresso 
OU 
2 xícaras (200 ml) de café instantâneo 
 
Atenção! O chocolate ao leite também possui cafeína, 2 tabletes 
pequenos de chocolate equivalem em média a 1 xícara de café coado. 
6.6 Orientações de alimentação em algumas situações comuns na gestação. 
6.6.1 Náuseas, vômitos e sialorréia 
São situações frequentes no primeiro trimestre e costumam aparecer em torno da 6ª semana e 
se estendem até a 20ª semana. A gestante deve ser tranquilizada porque estes sintomas não irão 
influenciar na nutrição do bebê (VÍTOLO, 2008). 
Orientações alimentares recomendadas(BRASIL, 2005): 
- Alimentação fracionada; seis a oito refeições/dia com intervalos máximos de 3h; 
- Evitar frituras, gorduras e alimentos com cheiros fortes ou desagradáveis; 
- Evitar líquidos durante as refeições, dando preferência à ingestão nos intervalos; 
- Ingerir alimentos sólidos antes de levantar-se pela manhã (bolacha água e sal); 
- Ingerir suco de limão pois pode ajudar a controlar a náusea; 
- Utilizar líquidos ou alimentos gelados para evitar o vômito; 
- Comer lentamente, mastigar bem os alimentos. 
6.6.2 Pirose 
Ocorre mais comumente após as refeições, devido ao refluxo do conteúdo gástrico provocado 
pela pressão do útero sobre o estômago e relaxamento de esfíncter inferior do esôfago (VÍTOLO, 2008). 
Orientações alimentares recomendadas (BRASIL, 2005): 
- Alimentação fracionada; seis a oito refeições/dia com intervalos máximos de 3h; 
- Evitar frituras, café, chá preto, mate, doces, alimentos gordurosos, picantes e irritantes da 
mucosa gástrica, álcool e fumo; 
- Alimentar-se em ambiente tranqüilo; 
- Mastigar bem os alimentos durante a refeição; 
- Se houver necessidade de utilizar antiácidos, orientar para que não sejam ingeridos junto 
das refeições (para não prejudicar a absorção dos minerais e vitaminas). 
6.6.3 Gases e/ou constipação intestinal 
Os gases são formados de duas maneiras. Pela ingestão de ar quando comemos, falamos ou 
bebemos e pela ação de bactérias durante o processo digestivo (fermentação). Abdômen inchado, 
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dolorido, endurecido, barulhos (ruídos) e mal-estar são alguns dos sintomas do nosso corpo quando há 
produção de muitos gases. 
Orientações alimentares recomendadas (BRASIL, 2005): 
- Orientar alimentação rica em fibras - consumo de frutas laxativas como mamão, ameixa e 
laranja com bagaço, figos, feijões, cereais integrais e verduras (de preferência cruas); 
- Se suspeitar do leite, substituir por iogurte e observar; 
- Recomendar o aumento da ingestão de água; 
- Evitar alimentos como: alho, batata doce, brócolis, cebola crua, couve, couve-flor, rabanete, 
repolho; 
- O consumo de farelo de aveia ou de trigo pode ser indicado para regular o trânsito intestinal. 
Iniciar com ½ colher de sopa/dia podendo chegar até 2 colheres/dia conforme tolerância. 
Não existem evidências e que o consumo de fibras nessa quantidade interfira na 
biodisponibilidade do ferro ingerido ou suplementado. Chá de erva doce auxilia a prevenir a 
aliviar a flatulência; 
- Evitar o uso de adoçante sorbitol, pois ele pode ser um grande causador de gases. 
- Mamão e Abacaxi ajudam a melhorar a digestão; 
- Iogurtes com lactobacilos vivos podem ajudar a combater os gases formados por outras 
bactérias intestinais; 
- Para reduzir a produção de gases causada pelo feijão, lentilha ou grão de bico, deixá-los de 
molho por 12 horas, trocando a água pelo menos 3 vezes durante esse período; 
- Evitar consumo de doces (açúcar, mel, chocolates, doces em geral), os quais podem 
provocar fermentação; 
- Procurar não conversar enquanto se alimenta para evitar a ingestão de ar; 
- A atividade física estimula o funcionamento do intestino e ajuda a expulsar os gases. 
6.7 Alimentação