Atencao saude da gestante
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Atencao saude da gestante


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- lavagem dos genitais externos com iodofor aquoso 
- usar espéculo esterelizado para visualização do orifício cervical externo. 
Deve-se também estabelecer a idade gestacional, avaliar se a paciente encontra-se em trabalho 
de parto, auscultar BCFs, identificar sinais clínicos de infecção. O profissional da atenção primária deve 
fazer o diagnóstico e, mesmo em caso de dúvida, deve encaminhar para o centro obstétrico. 
Obs importante: não realizar toque vaginal, a menos que a paciente encontra-se em franco 
trabalho de parto. 
10.16 Asma 
Manejo da asma ambulatorial depende da gravidade da doença. Para asma leve, \u3b2-agonistas 
inalatórios conforme a necessidade são, em geral, suficientes. Os corticóides inaláveis são o tratamento 
preferido para a asma persistente. O tratamento da asma aguda é semelhante àquele para a mulher não 
grávida com asma. Uma exceção é o limiar significativamente mais baixo para a hospitalização da 
mulher grávida. A maioria se beneficiará com a hidratação intravenosa para auxiliar a retirada das 
secreções pulmonares (LEVENO, 2010). 
ATENÇÃO À SAÚDE DA GESTANTE EM APS 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
116 
10.17 Anemia 
É considerado anemia quando os valores de hemoglobina encontram-se menores de 11 g/dL no 
primeiro e terceiro trimestres, e menos de 10,5 g/dL no segundo trimestre. Se a hemoglobina se situa 
entre 7,0 e 9,0 g/dL se considera que a anemia é moderada e quando é menor que 7,0 g/dL que a 
anemia é severa. As causas mais comuns de anemia durante a gestação e o puerpério são a deficiência 
de ferro e a perda de sangue aguda, mas é necessário ter em mente que a anemia pode ter mais que 
uma causa, tal como se vê na deficiência de vitamina A, B12, piridoxina, processos inflamatórios 
crônicos (HIV, malária e infestações parasitarias) (BRASIL, 2006). 
Na anemia ferropênica, além do déficit de hemoglobina, encontramos glóbulos vermelhos 
hipocrômicos e microcíticos. A segunda causa de anemia nutricional na gestação é a deficiência de 
folato, que aparece em função da ingesta, em geral, pobre e da demanda aumentada; aí os glóbulos 
vermelhos se apresentam megaloblásticos e macrocíticos. Essas características dos glóbulos vermelhos 
estão presentes nas anemias por deficiência de vitamina B12, que é a terceira forma mais comum de 
anemia nutricional. 
Estratégias de prevenção: 
- Modificar a dieta dando preferência aos alimentos ricos em ferro e ácido fólico (ver quadro 3 
do capítulo 6). 
- Fortificar os alimentos de consumo habitual com ferro e ácido fólico. 
Suplementar com medicamentos que contenham ferro e ácido fólico. Oferecer 60 mg de ferro 
elementar por dia desde o início da gestação até 3 meses depois do parto. O ácido fólico deve ser 
oferecido 3 meses antes da gestação e todo o 1º trimestre para a prevenção de defeitos congênitos. 
Manejo da anemia: 
Tratar as infecções/infestações. Tratar a causa que provoca a condição e simultaneamente está 
indicado iniciar com 120 mg de ferro elementar por dia e 0,4 mg de ácido fólico. Recomenda-se a 
realização de exame parasitológico de fezes em gestantes de risco e com condição socioeconômica 
desfavorecida; o tratamento das parasitoses deve ser realizado ainda na gestação, logo após as 16-20 
semanas para evitar os potenciais teratogênicos das drogas e a soma de seu efeito à emese da gravidez 
(BRASIL, 2006). 
 
Referências 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Pré-natal e puerpério: atenção 
qualificada e humanizada: manual técnico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2006. 
 
 
BUCHABQUI, J. Á.; ABECHE, A. M.; NICKEL, C. Assistência pré-natal. In: FREITAS, F. et al. Rotinas 
em obstetrícia. Porto Alegre: Artmed, 2011. p.23- 44 
 
 
CAMPOS, M.A.; FAGUNDES, A.; SELIGMAN, L.C. Manejo e diagnóstico do diabetes mellitus 
gestacional. Momentos e Perspectivas em Saúde, Porto Alegre, v.15, n2, p.34-39, 2002 
 
 
DIAGNÓSTICO E MANEJO DE INTERCORRÊNCIAS CLÍNICAS MAIS FREQUENTES 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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DI MARIO S. et al. What is the effectiveness of antenatal care? (Supplement). Copenhagen: WHO 
Regional Office for Europe. Health Evidence Network report, dec. 2005. Disponível em: 
<http://www.euro.who.int/Document/E87997.pdf>. Acesso em: 24 out. 2010. 
 
 
DUARTE, G. et al. Infecção urinária na gravidez. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Rio 
de Janeiro, v. 30, n. 2, p. 93-100, 2008. 
 
 
FESCINA, R. et al. Saude sexual y reproductiva: guías para el continuo de atención de la mujery el 
recién nacido focalizadas en APS. Montevideo: CLAP/SMR, 2007. 
 
 
LEVENO, K. J. et al. Manual de obstetrícia de Williams: complicações na gestação. 22. ed. Porto 
Alegre: Artmed, 2010. 
 
 
NAUD, P. et al. Gestação e doenças sexualmente transmissíveis. In: FREITAS, F et al. Rotinas em 
obstetrícia. Porto Alegre: Artmed, 2011. p.590-613 
 
 
NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CLINICAL EXCELLENCE (NICE). Antenatal care: routine 
care for the healthy pregnant woman. London: NICE, jun. 2010. 
 
 
OPPERMANN, M.L.R.; WEINERT, L.S.; REICHELT,A.J. Diabete e Gestação In: FREITAS, F. et al. 
Rotinas em obstetrícia. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011. 
 
 
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Artmed, 2011. p. 508-522 
 
 
WEINSTOCK, M. B.; NEIDES, D. M.; PHARM, M. C. The resident\u2019s guide: to ambulatory care. 6th 
edition. Ohio: Anadem Publishing, 2009. 
 
 
 
 
DIAGNÓSTICO E MANEJO DE INTERCORRÊNCIAS CLÍNICAS MAIS FREQUENTES 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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11. Atenção à saúde bucal da gestante 
 
Adriane Vienel Fagundes 
Caren Serra Bavaresco 
Daniel Demétrio Faustino-Silva 
 
\u201cAcho que o atendimento odontológico durante a gestação é bom, às vezes penso que as 
bactérias da minha boca passam para o bebê\u201d 
 
Gestante moradora do território de atuação do SSC/GHC. 
 
 
A gestação é um acontecimento fisiológico, com alterações orgânicas naturais, mas que impõe 
aos profissionais da saúde a necessidade de conhecimentos para uma abordagem diferenciada. O 
estado da saúde bucal apresentado durante a gestação tem relação com a saúde geral da gestante e 
pode influenciar na saúde geral e bucal do bebê. A gestante apresenta situações especiais de 
tratamento para o cirurgião dentista. O dentista não só é responsável pelo atendimento eficaz e seguro à 
gestante, mas também deve preocupar-se com a segurança do feto, de modo que profissional e paciente 
sintam-se tranqüilos com qualquer tratamento proposto (BRASIL, 2006) [D]. Costa e colaboradores 
(2002) concluíram que a atenção odontológica à gestante se reflete em benefícios para o bebê e sua 
família, promovendo assim, melhor qualidade de vida para todos. [D] 
Todo serviço de saúde deve estabelecer, como rotina, a busca ativa das gestantes de sua área 
de abrangência. A equipe de saúde bucal deve trabalhar de forma integrada com os demais profissionais 
de saúde a fim de qualificar o pré-natal das gestantes do território de abrangência (COSTA et al, 2008; 
BRASIL, 2006) [D]. A seguir apresentaremos sugestões para um adequado acompanhamento realizado 
especificamente pela equipe de saúde bucal e ações educativas relacionadas ao tema que devem ser 
realizadas por qualquer profissional da equipe de Atenção Primária. 
11.1 Acompanhamento da gestante pela equipe de saúde bucal 
11.1.1 Consulta odontológica na gestação 
De acordo com Gaffield et al. (2001), uma pequena proporção de gestantes vai ao cirurgião-
dentista durante a gravidez e isso porque a maioria tem dúvidas sobre a rotina de visitas nesse período.