Atencao saude da gestante
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Atencao saude da gestante


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que também não se justifica 
cientificamente, podendo a gestante recusá-la. 
- Não se submeter a uma cesárea, a menos que haja riscos para ela ou o bebê 
- Começar a amamentar seu bebê sadio logo após o parto. 
- A mãe pode exigir ficar junto com seu bebê recém-nascido sadio. 
12.2 Gestantes em vulnerabilidade social 
As gestantes em situação de vulnerabilidade social, pensando que esta engloba as dificuldades 
socioeconômicas e psicossociais e inclui situações de violência doméstica e dependência química, 
devem ser olhadas pela equipe de saúde de modo especial, mesmo após serem encaminhadas aos 
serviços da rede de saúde e assistencial que atenta especificamente à vulnerabilidade individual. 
Recomenda-se (NICE, 2010) o acompanhamento através de protocolos e equipes 
especializadas de gestantes vítimas de violência doméstica e gestantes que sofrem com a dependência 
química. Nestes casos, o Serviço Social e a Psicologia, que compõem a equipe de APS, coordenarão o 
cuidado desta gestante. 
Pode-se dizer que a posição de vulnerabilidade social é a de estar em desvantagem frente ao 
acesso às condições de promoção e garantia dos direitos de cidadania. De acordo com Perona et al 
(s.d), 
Vulnerabilidad no es exactamente lo mismo que pobreza si bien la incluye. Esta última 
hace referencia a una situación de carencia efectiva y actual, mientras que la 
vulnerabilidad trasciende esta condición proyectando a futuro la posibilidad de padecerla 
a partir de ciertas debilidades que se constatan en el presente. 
No entanto, 
os eventos que vulnerabilizam as pessoas não são apenas determinados por aspectos 
de natureza econômica. Fatores como a fragilização dos vínculos afetivo-relacionais e 
de pertencimento social (discriminações etárias, étnicas, de gênero ou por deficiência) 
DIREITOS SOCIAIS E TRABALHISTAS RELACIONADOS À GESTAÇÃO 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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ou vinculadas à violência, ao território, à representação política dentre outros, também 
afetam as pessoas (ALMEIDA, 2005). 
12.3 Direitos trabalhistas das gestantes 
Informações sobre benefícios concedidos pela Previdência Social podem ser obtidos 
gratuitamente pelos telefones 0800.780191 e 135 ou pelo site www.previdenciasocial.gov.br 
Em relação à gestação e ao exercício da maternidade e da paternidade a legislação brasileira 
assegura o seguinte, conforme quadro 1: 
Quadro 1. Tópicos da legislação brasileira sobre situação da mulher e parceiro no momento da gestação, adoção e 
puerpério 
Gestação 
Constituição Federal, art. 7º: A Constituição Federal de 1988 igualou homens e mulheres em direitos e 
deveres. 
Dispõe sobre os Direitos dos Trabalhadores, dando ênfase à proteção do mercado de trabalho da mulher. 
Proíbe a diferença de salários, (também art. 5º da CLT) assim como no exercício de funções e de critério de 
admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. 
Proíbe o trabalho da gestante no período de 4 semanas antes e 8 semanas após o parto, garantindo a 
licença gestante de 120 dias. 
Obs. A licença gestante pode ser ampliada para 180 dias caso a empresa opte e/ou se for Empresa Cidadã. 
 
Constituição Federal, art. 10, inciso II: Está prevista a estabilidade da empregada não doméstica gestante 
desde a confirmação da gravidez até 05 meses após o parto. Obs: A trabalhadora doméstica não é regida 
pela CLT e portanto não tem estabilidade no emprego, nem no período gestacional. 
 
CLT, art. 391: Não constitui justo motivo para a rescisão do contrato de trabalho da mulher o fato de haver 
contraído matrimônio ou de encontrar-se em estado de gravidez. 
 
CLT, art. 392, inciso 1 a 3: É proibido o trabalho da mulher grávida no período de 4 (quatro) semanas antes 
e 8 (oito) semanas depois do parto. O início do afastamento da empregada de seu trabalho será 
determinado por atestado médico. Dispensa de horário de trabalho pelo tempo necessário para a realização 
de, no mínimo, seis consultas médicas e demais exames complementares. 
É garantido à empregada, durante a gravidez, sem prejuízo do salário e demais direitos: transferência de 
função, quando as condições de saúde o exigirem, assegurada a retomada da função anteriormente 
exercida, logo após o retorno ao trabalho; dispensa do horário de trabalho pelo tempo necessário para a 
realização de, no mínimo, seis consultas médicas e demais exames complementares. 
Independente do período gestacional que nascer a criança (parto antecipado), a mulher terá sempre direito 
às 12 semanas de licença.Em casos excepcionais, mediante atestado médico, na forma do parágrafo 1º, é 
permitido à mulher gestante mudar de função. 
 
CLT, art. 393: Durante o período a que se refere o art. 392, a mulher terá direito ao salário integral e, 
quando variável, calculado de acordo com a média dos 6 (seis) últimos meses de trabalho, bem como os 
direitos e vantagens adquiridos, sendo-lhe ainda facultado reverter à função que anteriormente ocupava. 
 
CLT, art. 394: Mediante atestado médico, à mulher grávida é facultado romper o compromisso resultante de 
qualquer contrato de trabalho, desde que este seja prejudicial à gestação. 
 
Lei nº 9.029/1995: Proíbe a exigência de atestados de gravidez e esterilização e outras práticas 
discriminatórias, para efeitos admissionais ou de permanência da trabalhadora. 
 
Portaria GM nº 569/2000: Institui o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, no âmbito do 
SUS. 
Parto 
Constituição Federal, art. 7º, inciso XVIII: A licença-maternidade é paga pelo empregador, que efetivará sua 
compensação junto à Previdência Social quando do recolhimento das contribuições sobre as folhas de 
salário. Em se tratando de segurada avulsa ou empregada doméstica, será pago diretamente pela 
Previdência Social. 
A mulher terá direito ao salário integral que efetivará sua compensação junto à Previdência Social quando 
do recolhimento das contribuições sobre as folhas de salário. 
Em se tratando de segurada avulsa ou empregada doméstica, será pago diretamente o salário maternidade 
pela Previdência Social, para tanto deverá apresentar-se ao Posto do INSS com atestado do parto e 
declaração de nascido vivo no pós-parto. 
 
Portaria GM nº 2.418/2005. Regulamenta, em conformidade com o art. 1º da Lei nº 11.108 de 7 de abril de 
2005, a presença de acompanhante para mulheres em trabalho de parto, parto e pós-parto imediato nos 
hospitais públicos e conveniados com o SUS. 
 
Lei nº 11.634/2007: Toda gestante tem direito ao conhecimento e à vinculação prévia com a maternidade na 
qual será realizado seu parto; a maternidade na qual será atendida nos casos de intercorrência pré-natal, o 
que dar-se-á no ato de sua inscrição no programa de assistência pré-natal; e a maternidade à qual se 
vinculará a gestante deverá ser apta a prestar a assistência necessária conforme a situação de risco 
gestacional, inclusive no puerpério. 
 
 
Amamentação 
CLT, art. 396: Para amamentar o próprio filho, até que este complete 6 (seis) meses de idade, a mulher terá 
direito, durante a jornada de trabalho, a 2 (dois) descansos especiais, de meia hora cada um. Quando o 
exigir a saúde do filho, o período de 6 (seis) meses poderá ser dilatado, a critério da autoridade competente. 
 
CLT, art. 400: Os locais destinados à guarda dos filhos das operárias durante o período da amamentação 
deverão possuir, no mínimo, um berçário, uma saleta de amamentação, uma cozinha dietética e uma 
instalação sanitária. 
Aborto 
CLT, art. 395: Em caso de aborto não criminoso, comprovado por atestado médico oficial, a mulher terá um 
repouso remunerado de 2 (duas) semanas, ficando-lhe assegurado o direito de retornar à função que 
ocupava antes de seu afastamento. 
Pós-parto 
Lei nº 8.069 (Estatuto da Criança e do Adolescente), artigo 9º: Determina que a proteção