Caderno de Atenção Básica Pré-Natal
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Caderno de Atenção Básica Pré-Natal


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do segmento inferior, por despregueamento do istmo. A placenta, não podendo acompanhar, 
arranca as conexões com a decídua basal, o que provoca hemorragia materna, originária dos 
espaços intervilosos.
Na anamnese, é relatada perda sanguínea por via vaginal, súbita, de cor vermelha viva, de 
quantidade variável, não acompanhada de dor. É episódica, recorrente e progressiva. O exame 
obstétrico revela volume e tono uterinos normais e frequentemente apresentação fetal anômala. 
Habitualmente, os batimentos cardíacos fetais estão mantidos. O exame especular revela 
presença de sangramento proveniente da cavidade uterina e, na suspeita clínica, deve-se evitar 
a realização de toque vaginal. 
O diagnóstico de certeza é dado pelo exame ultrassonográfico. O profissional de saúde deve 
referenciar a gestante para continuar o pré-natal em centro de referência para gestação de alto risco. 
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ATENÇÃO AO PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO
6.3 Patologias do líquido amniótico
6.3.1 Oligoidrâmnio
Caracteriza-se pela acentuada diminuição do volume do líquido amniótico, diagnosticado 
quando o volume se apresenta inferior a 250ml, entre a 21ª e a 42ª semanas gestacionais. Incide 
em cerca de 3,9% a 5,5% das gestações.
As principais causas são: 
\u2022	 Patologias placentárias: rotura prematura de membranas, insuficiência placentária, 
deslocamento prematuro de placenta;
\u2022	 Patologias fetais: crescimento intrauterino retardado; anomalias congênitas, principalmente 
as do trato urinário; anomalias cromossomiais;
\u2022	 Patologias maternas: diabetes associada a vasculopatias; hipertensão arterial; hipovolemia; 
síndrome antifosfolipídio; colagenoses; uso de drogas inibidoras da enzima conversora da 
angiotensina e da síntese de prostaglandinas.
O oligoidrâmnio se relaciona, frequentemente, com resultado perinatal desfavorável, seja em 
função da patologia de base determinante, seja devido ao efeito mecânico provocado sobre o 
concepto pela diminuição do volume amniótico (pressão contínua sobre o feto, o que provoca 
alterações musculoesqueléticas; adesões entre o âmnio e as partes fetais, o que determina graves 
deformidades, inclusive amputação; desenvolvimento de hipoplasia pulmonar e compressão 
funicular, principalmente no transcorrer do trabalho de parto). Quanto mais precoce a instalação 
do quadro, mais grave tende a ser o prognóstico, principalmente pela hipoplasia pulmonar e 
pela presença de anormalidades congênitas.
Clinicamente, haverá suspeita da patologia quando a altura uterina for inferior àquela 
esperada para a idade gestacional estimada, especialmente quando associada à diminuição 
da movimentação fetal e fácil percepção das pequenas partes fetais à palpação obstétrica. No 
diagnóstico diferencial, devemos lembrar a restrição do crescimento intrauterino e a subestimação 
da idade gestacional.
O diagnóstico ultrassonográfico será efetuado por meio da análise subjetiva ou semiquantitativa 
dos vários bolsões de líquido amniótico. A avaliação subjetiva permite diagnosticar a oligoidramnia 
quando há ausência de coleções adequadas de líquido, principalmente no nível da região cervical 
e dos membros fetais. As técnicas semiquantitativas são aquelas que estimam o volume por meio 
da mensuração da profundidade e/ou largura das coleções de fluido. Consideramos oligoidramnia 
quando o resultado do índice de líquido amniótico é inferior ou igual a 5,0cm.
Após a confirmação da patologia, faz-se obrigatório pesquisar as causas determinantes e, 
para isso, a gestante deverá ser encaminhada imediatamente ao pré-natal de alto risco. Afastada 
a presença de anomalias congênitas, destaque especial deverá ser dado à pesquisa de restrição 
do crescimento intrauterino e do sofrimento fetal pela hipoperfusão placentária. 
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Ministério da Saúde | Secretaria de Atenção à Saúde | Departamento de Atenção Básica
Pode ser indicada a amnioinfusão, introdução de solução salina fisiológica na cavidade 
amniótica antes de se realizar o exame ecográfico, já que a diminuição do volume amniótico 
dificulta o estudo ultrassonográfico. Depois do procedimento de amnioinfusão, poderá ser 
realizada, quando indicada, a cordocentese, para a obtenção de sangue fetal, a fim de se realizar 
avaliação laboratorial, especialmente de cariótipo.
6.3.2 Polidrâmnio
A polidramnia tem sido arbitrariamente definida como o acúmulo de líquido amniótico em 
volume superior a 2.000ml no momento da resolução da gravidez. Ocorre por erro no mecanismo 
de circulação, de produção, por dificuldade de absorção ou pela associação desses fatores. 
Acredita-se que esteja presente em 0,4% a 1,5% das gestações, embora sua frequência possa ser 
influenciada pela definição e pelo método diagnóstico utilizados.
Associa-se a algumas patologias, destacando-se o diabetes mellitus, as infecções congênitas 
(como sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes), a doença hemolítica perinatal e 
a gemelaridade. É também reconhecida sua relação com as anormalidades congênitas fetais, 
principalmente as que acometem o sistema nervoso central, o trato gastrointestinal, o coração e 
o sistema musculoesquelético. Da mesma forma, tem sido citada sua relação com as patologias 
placentárias, como os corioangiomas. Apesar de predito, em 34% a 63% das vezes, a polidramnia 
é rotulada como idiopática.
A morbimortalidade perinatal torna-se ampliada em decorrência de sua associação 
com anomalias congênitas, prematuridade, alterações cromossômicas, prolapso de cordão, 
descolamento prematuro de placenta ou por causa da patologia materna determinante do 
quadro, especialmente a isoimunização pelo fator Rh e o diabetes mellitus. Vale destacar também 
a relação existente com a macrossomia fetal, mesmo na ausência de diabetes materno. Parece 
haver também ligação entre a maior intensidade de polidramnia e a piora do resultado perinatal.
Observa-se, ainda, aumento da mortalidade materna pela ocorrência simultânea de maior 
número de apresentações anômalas, descolamento prematuro de placenta, rotura prematura 
de membranas ovulares, distócia funcional e hemorragia pós-parto. Em pacientes portadoras 
de cicatrizes uterinas, o risco de rotura do útero estará acrescido. Existe, também, elevação do 
número de gestações resolvidas pela via abdominal.
Sempre haverá suspeita do diagnóstico clínico quando a altura uterina for superior àquela 
esperada para a idade gestacional estimada, especialmente quando a paciente referir diminuição 
da movimentação fetal e quando houver impossibilidade de palpar partes fetais e dificuldade 
de realizar a ausculta do concepto. O tônus uterino poderá estar maior e, nos casos agudos, a 
paciente poderá referir dor intensa. No exame clínico materno, é frequente encontrar-se edema 
de membros inferiores e da parede do abdome, além da presença de estrias abdominais. Em 
casos graves, é possível que ocorra desconforto respiratório e dispneia, devidos à elevação e 
à compressão do diafragma, além de oligúria, decorrente da compressão ureteral pelo útero 
gravídico. No diagnóstico diferencial, deve-se afastar a gemelaridade e a macrossomia fetal.
O diagnóstico ultrassonográfico será feito quando houver, subjetivamente, excessiva 
quantidade de líquido amniótico, especialmente na área das pequenas partes fetais, quando 
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ATENÇÃO AO PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO
o maior bolsão de líquido, mensurado verticalmente, for igual ou superior a 8,0cm ou quando 
o índice de líquido amniótico for superior a 24,0cm. Entre 18,0cm e 24,0cm, o líquido será 
considerado aumentado e servirá de alerta para a instalação da polidramnia.
Firmando-se o diagnóstico, torna-se necessário investigar o fator etiológico envolvido. Para 
isso, a gestante deverá ser encaminhada imediatamente ao pré-natal de alto risco. O exame 
ecográfico afastará a gemelaridade, as anomalias congênitas maiores e a hidropsia fetal. Testes 
para diagnosticar