Caderno de Atenção Básica Pré-Natal
319 pág.

Caderno de Atenção Básica Pré-Natal


DisciplinaEnfermagem na Saúde Reprodutiva e Perinatal22 materiais206 seguidores
Pré-visualização50 páginas
caracteriza-se o falso trabalho de parto prematuro. Tais casos costumam evoluir bem apenas 
com o repouso, principalmente se identificada e tratada a causa de base. Na eventualidade 
de as contrações persistirem, há necessidade de uso de tocolíticos e, portanto, a mulher 
deverá ser encaminhada para hospital de referência; 
\u2022	 Na presença de TPP com colo modificado, encaminhe a mulher para um hospital de referência. 
O trabalho de parto prematuro constitui situação de risco gestacional. Portanto, a paciente 
deve ser encaminhada para centro de referência. É importante lembrar, para o profissional que 
faz o acompanhamento pré-natal, que a história de prematuridade anterior é o fator de risco que, 
isoladamente, tem a maior capacidade de ajudar a se prever a prematuridade na atual gestação. 
O TPP frequentemente é relacionado a infecções urinárias e vaginais, principalmente à vaginose 
bacteriana. Por isso, nessas situações, está recomendado o rastreamento. Para a vaginose bacteriana 
pode ser feita a abordagem sindrômica ou a realização do exame de bacterioscopia da secreção 
vaginal onde estiver disponível. Na suspeita de infecção urinária, solicite urina tipo I e urocultura. 
170
Ministério da Saúde | Secretaria de Atenção à Saúde | Departamento de Atenção Básica
6.3.5 Gestação prolongada
Conceitua-se gestação prolongada, também referida como pós-datismo, aquela cuja idade 
gestacional na mulher encontra-se entre 40 e 42 semanas. Gravidez pós-termo é aquela que 
ultrapassa 42 semanas. 
A função placentária atinge sua plenitude em torno da 36ª semana, declinando a partir de 
então. A placenta senil apresenta calcificações e outras alterações que são responsáveis pela 
diminuição do aporte nutricional e de oxigênio ao feto, associando-se, dessa maneira, com o 
aumento da morbimortalidade perinatal. 
A incidência de pós-datismo é em torno de 5%. O diagnóstico de certeza somente pode ser 
feito com o estabelecimento precoce da idade gestacional, que pode estar falseado na presença 
de irregularidades menstruais, uso de anticoncepcionais hormonais, lactação etc. Nessas 
situações, o exame ultrassonográfico precoce é recurso eficaz no correto estabelecimento da 
idade gestacional. 
Conduta:
O controle da gestante nessa situação objetiva identificar a eventualidade de hipóxia 
consequente à insuficiência placentária. Desta forma, os cuidados dirigem-se ao controle das 
condições de vitalidade fetal. 
Por volta da 41ª semana de idade gestacional ou antes disso, se houver diminuição da 
movimentação fetal, encaminhe a gestante para um centro de referência para outros testes de 
vitalidade fetal, incluindo cardiotocografia, ultrassonografia, dopplervelocimetria e amnioscopia 
(se as condições cervicais o permitirem). Nestes casos, os profissionais do centro de referência 
devem orientar adequadamente a gestante e a unidade básica de saúde responsável pelo pré-natal, 
segundo recomendações do manual técnico \u201cGestação de Alto Risco\u201d. É importante enfatizar que, 
embora encaminhada ao centro de referência para avaliação de vitalidade, nenhuma gestante 
deve receber alta do pré-natal da unidade básica antes da internação para o parto. 
6.3.6 Crescimento intrauterino restrito (Ciur)
Refere-se a qualquer processo capaz de limitar o potencial intrínseco de crescimento fetal 
intraútero. Sua incidência varia de 3% a 7% em todas as gestações, dependendo dos critérios 
utilizados para o diagnóstico.
A distinção entre crescimento intrauterino restrito (Ciur) e pequeno para a idade gestacional 
(PIG) é importante, visto que alguns recém-nascidos considerados como PIG não sofreram Ciur. 
Nestes casos, existem razões genéticas para o baixo peso ao nascer (constitucional). Por outro 
lado, alguns recém-nascidos com Ciur não são PIG, como nos casos dos fetos com potencial 
de crescimento, por exemplo, para atingir 4kg ao termo, mas que \u2013 como resultado de um 
ambiente intrauterino desfavorável \u2013 atingem somente 3kg, sendo considerados, portanto, 
como \u201cadequados para a idade gestacional\u201d (AIG). O ideal seria conseguir determinar o padrão 
171
ATENÇÃO AO PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO
de crescimento do feto em estudo e, a partir daí, determinar se a curva de desenvolvimento é 
normal ou não.
As causas de Ciur podem ser divididas conceitualmente em três categorias principais, conforme 
o quadro a seguir:
Quadro 16 \u2013 Causas de crescimento intrauterino restrito
Causas maternas Causas fetais Causas útero-placentárias
Fatores constitucionais (peso 
materno pré-gravídico < 50kg; 
idade materna < 19 anos; condição 
socioeconômica desfavorável).
Anomalias cromossômicas 
numéricas (principalmente 
as trissomias 13, 18 e 21) e 
estruturais.
Anomalias uterinas.
Hábitos tóxicos (álcool, fumo, drogas). Displasias esqueléticas. Má adaptação da 
circulação materna.
Doenças maternas (síndromes 
hipertensivas, doença renal crônica, 
doenças cardiopulmonares, diabetes 
mellitus com vasculopatia, doenças 
autoimunes, anemias, infecção etc.).
Infecções (rubéola, 
toxoplasmose, 
citomegalovirose, herpes, 
sífilis, parvovirose etc.).
Mosaicismo placentar.
Gemelaridade. Placentação baixa.
Fonte: (RAGONESI; BERTINI, CAMANO, 1997, adaptado).
Sempre que houver discrepância entre a idade gestacional e a medida de fundo uterino, 
deve haver suspeita de Ciur. Na anamnese, é recomendado identificar possíveis causas maternas, 
inclusive abordando doenças associadas, uso de drogas, infecções, história obstétrica anterior 
(recém-nascidos considerados como PIG, Ciur anterior etc.). 
O diagnóstico ultrassonográfico é considerado fundamental frente à suspeita de Ciur. 
Classicamente tem sido utilizado o peso fetal estimado abaixo do percentil 10 para a idade 
gestacional como parâmetro diagnóstico. Todavia, tem sido proposta a ultrassonografia seriada 
para avaliação do crescimento fetal, principalmente devido às diferenças existentes entre as 
definições de PIG e Ciur. São utilizados os seguintes parâmetros de análise: 
\u2022	 Biometria fetal: diâmetro biparietal (DBP), circunferência cefálica (CC), circunferência 
abdominal (CA), fêmur (F), diâmetro de cerebelo;
\u2022	 Circunferência abdominal: isoladamente, é o melhor parâmetro para avaliação do 
crescimento fetal;
\u2022	 Diâmetro cerebelar transverso: é um bom parâmetro para a avaliação da idade gestacional 
por não sofrer alteração devido ao Ciur e, com isso, permite uma boa correlação entre a 
idade gestacional e o crescimento fetal;
\u2022	 Peso fetal: deve-se utilizar curvas conforme a população;
\u2022	 Relações biométricas específicas: CC/CA diminui com a evolução da gestação normal; 
\u2022	 CC/CA > 1 até 36 semanas;
172
Ministério da Saúde | Secretaria de Atenção à Saúde | Departamento de Atenção Básica
\u2022	 CC/CA = 1 na 36ª semana;
\u2022	 CC/CA < 1 acima de 36 semanas;
\u2022	 F/CA não sofre influência da idade gestacional e tem como valor de normalidade 0,20 a 0,24.
Para a tomada de decisão, alguns fatores são importantes, tais como: idade gestacional, 
vitalidade e maturidade fetal, patologia materna de base, tipo de Ciur, presença de defeito 
congênito, presença de oligodrâmnia. 
É importante ressaltar que, diante de um caso suspeito de Ciur, a gestante deve ser encaminhada 
ao pré-natal de alto risco para avaliação e conduta específicas.
6.3.7 Varizes e tromboembolismo
As varizes manifestam-se ou agravam-se na gestação por fatores hereditários, pela congestão 
pélvica, pela compressão mecânica do útero grávido e por alterações hormonais. São mais 
frequentes nos membros inferiores, sobretudo no direito, mas podem aparecer também na vulva. 
Nessa localização, elas habitualmente desaparecem após o parto. 
Na história clínica, é importante perguntar à gestante questões sobre a ocorrência de situação 
semelhante em familiares. As varizes estão associadas a edema e à sensação de desconforto ou 
dor nas pernas.