Gestacao_alto_risco
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Gestacao_alto_risco


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após o parto. 
O edema ocorre com muita frequência em gestantes e por isso não deve ser usa-
do como discriminador neste esquema de classificação.
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial das síndromes hipertensivas da gravidez se baseia 
na classificação. Em algumas situações outras investigações devem ser realizadas para 
contribuir para um maior esclarecimento:
Gestantes de alto risco que apresentam pressão arterial normal:
 \u2022 História de aumento da pressão antes da concepção ou em gestação prévia, 
especialmente antes de 34 semanas;
 \u2022 Diabetes, doença do colágeno ou doença renal vascular ou parenquimatosa;
 \u2022 Mulheres com gestação múltipla.
Realizar precocemente na gravidez para comparação posterior: hematócrito, 
hemoglobina, contagem de plaquetas, creatinina, ácido úrico. A presença de pro-
teinúria 1+ ou mais em amostra única de urina deve ser seguida de uma determinação 
da proteinúria de 24 horas e cálculo do clearance de creatinina. Nestas gestantes tam-
bém deve ser realizada uma datação acurada da idade gestacional, de preferência com 
ultrassonografia precoce. Deve-se realizar ainda um exame de ultrassonografia adi-
cional com 25 \u2013 28 semanas para avaliação do crescimento fetal.
Gestantes que apresentam hipertensão antes de 20 semanas de 
gestação:
A maioria destas gestantes têm ou irá desenvolver hipertensão essencial. 
Mulhe res jovens com hipertensão preexistente ou gestacional precoce devem ser 
submetidas à avaliação de hipertensão secundária (doença renal, hipertensão reno-
vascular, aldosteronismo primário, síndrome de Cushing e feocromocitoma). Deve-se 
realizar os mesmos exames acima descritos.
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Gestantes que apresentam hipertensão após a segunda metade da 
gravidez ou que apresentam agravamento de hipertensão prévia
O quadro 1 sumariza os exames laboratoriais e a justificativa para realizá-los de 
duas em duas semanas ou mais frequentemente se as circunstâncias clínicas levam 
à hospitalização da gestante. Servem para distinguir a pré-eclâmpsia da hipertensão 
crônica, assim como para avaliar o progresso e a gravidade da doença. Em mulheres 
com pré-eclâmpsia, uma ou mais anormalidades podem estar presentes mesmo quan-
do a elevação da pressão arterial for mínima.
Quadro 1. Avaliação laboratorial e sua justificativa para gestantes que desenvolvem hipertensão 
após a segunda metade da gravidez ou que apresentam agravamento de hipertensão prévia.
Exame Justificativa
Hemoglobina e hematócrito A hemoconcentração apoia o diagnóstico de pré-eclâmpsia e é 
um indicador de gravidade. Os valores podem estar diminuídos, 
entretanto, se a doença se acompanha de hemólise.
Contagem de plaquetas A trombocitopenia sugere pré-eclâmpsia.
Quantificação da excreção de pro-
teína na urina
Hipertensão na gravidez com proteinúria deve ser considerada 
pré-eclâmpsia (pura ou sobreposta) até prova em contrário.
Nível sérico de creatinina Níveis anormais ou em elevação da creatinina, especialmente 
com oligúria, sugerem pré-eclâmpsia grave.
Nível sérico de ácido úrico Níveis séricos aumentados de ácido úrico sugerem o diagnósti-
co de pré-eclâmpsia e correlacionam-se com restrição de cresci-
mento intrauterino.
Níveis séricos de transaminases Níveis séricos de transaminases em elevação sugerem pré-
eclâmpsia grave com envolvimento hepático.
N í v e l s é r i c o d e a l b u m i n a , 
desidrogenase lática, esfregaço 
sanguíneo e perfil de coagulação 
(TAP, KPTT ou coagulograma).
Em gestantes com doença grave, estes exames indicam a ex-
tensão da lesão endotelial (hipoalbuminemia), a presença de 
hemólise e possível coagulopatia, incluindo trombocitopenia.
Conduta nas síndromes hipertensivas da gravidez
Pré-Eclâmpsia/Eclâmpsia
A presença de aumento rápido de peso, edema facial ou outros sintomas 
suges tivos da doença requerem uma monitoração mais rigorosa da pressão arterial 
e a detecção de proteinúria. Se a pressão começar a aumentar, a gestante deve ser 
reavaliada dentro de 1 a 3 dias. Assim que se tiver o diagnóstico (ver classificação), a 
conduta dependerá da gravidade e da idade gestacional.
Pré-eclâmpsia leve
As gestantes com pré-eclâmpsia leve, de preferência, devem ser hospitaliza-
das para avaliação diagnóstica inicial e mantidas com dieta normossódica e repouso 
relativo. 
Na avaliação das condições maternas deve constar:
 \u2022 PA de 4/4h durante o dia;
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 \u2022 Pesagem diária;
 \u2022 Pesquisa de sintomas de iminência de eclâmpsia:
 \u2022 Cefaleia frontal ou occipital persistente;
 \u2022 Distúrbios visuais (escotomas, diplopia, amaurose);
 \u2022 Dor epigástrica ou no hipocôndrio direito, acompanhada ou não de náuseas e 
vômitos;
 \u2022 Hiper-reflexia;
 \u2022 Proteinúria na fita ou proteinúria de 24 horas;
 \u2022 Hematócrito e plaquetas;
 \u2022 Provas de função renal e hepática. 
Não há necessidade de tratamento medicamentoso.
Avaliação das condições fetais:
 \u2022 Contagem de movimentos fetais diariamente;
 \u2022 Avaliação do crescimento fetal e do líquido amniótico. Se os resultados estive-
rem normais, repetir o teste a cada três semanas;
 \u2022 Cardiotocografia basal (CTB), se disponível. Se a CTB for reativa, repetir sema-
nalmente;
 \u2022 A reavaliação materna e fetal deve ser imediata se ocorrerem mudanças 
abruptas nas condições maternas, redirecionando a conduta.
Nas gestações pré-termo, o controle ambulatorial pode ser iniciado após a hos-
pitalização se confirmadas condições materno-fetais estáveis, com as seguintes reco-
mendações:
 \u2022 Consultas semanais;
 \u2022 Repouso relativo (evitar grandes esforços);
 \u2022 Pesar diariamente pela manhã;
 \u2022 Proteinúria na fita semanalmente pela manhã;
 \u2022 Medir a pressão arterial pelo menos uma vez ao dia.
A presença dos seguintes sinais e sintomas demanda retorno imediato ao 
hospital:
 \u2022 PA \u2265 150/100mmHg;
 \u2022 Proteinúria na fita ++ ou mais;
 \u2022 Aumento exagerado de peso;
 \u2022 Cefaleia grave e persistente.
 \u2022 Dor abdominal persistente, principalmente na região epigástrica e hipocôn-
drio direito;
 \u2022 Sangramento vaginal;
 \u2022 Presença de contrações uterinas regulares;
 \u2022 Presença de distúrbios visuais como diplopia, fotofobia, escotomas etc.;
 \u2022 Náusea ou vômitos persistentes;
 \u2022 Diminuição dos movimentos fetais.
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Indicações para o parto
A antecipação do parto é o único tratamento definitivo para a pré-eclâmpsia e 
as indicações estão no quadro abaixo:
Quadro 2. Indicações para o parto na pré-eclâmpsia
Maternas Fetais
Aumento persistente da pressão arterial até níveis 
de gravidade.
Restrição grave do crescimento fetal.
Cefaleia grave e distúrbios visuais persistentes. Suspeita ou comprometimento da vitalidade fetal.
Dor epigástrica grave persistente, náuseas ou vômi-
tos.
Oligohidrâmnio (Índice de líquido amniótico 
<p10 para a idade gestacional).
Contagem de plaquetas <100.000/mm3. Idade gestacional confirmada de 40 semanas.
Deterioração progressiva da função hepática.
Deterioração progressiva da função renal.
Suspeita de descolamento de placenta.
Trabalho de parto ou sangramento .
Pré-eclâmpsia grave
As gestantes com diagnóstico de pré-eclâmpsia grave deverão ser internadas, 
solicitados os exames de rotina e avaliadas as condições maternas e fetais (vide quadro 
3). Avaliar necessidade de transferência para unidade de referência, após a estabiliza-
ção materna inicial.
Se a idade gestacional for maior ou igual a 34 semanas de gestação, devem ser 
preparadas para interrupção da gestação. 
A conduta conservadora pode ser adotada em mulheres com pré-eclâmpsia 
grave com idade gestacional entre 24 e 33:6 semanas, através de monitoração materno-
fetal rigorosa, uso de sulfato de magnésio e agentes anti-hipertensivos. As gestantes 
nessas condições devem ser admitidas e observadas por 24 horas para determinar a 
elegibilidade para a conduta e nesse período serão manejadas como se segue:
 \u2022 Administração de sulfato de