Gestacao_alto_risco
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Gestacao_alto_risco


DisciplinaEnfermagem na Saúde Reprodutiva e Perinatal22 materiais205 seguidores
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no 
tecido conjuntivo do colo uterino e em parte por melhorar a liberdade de mo-
vimento das gestantes, já que não tem administração intravenosa.
 \u2022 Há algumas diferenças importantes entre os efeitos da ocitocina e PG em ór-
gãos e sistemas não relacionados ao útero. Algumas mulheres apresentaram 
sintomas gastrintestinais com o uso da PG, tais como náusea, vômitos e diar-
reia. É mais provável ocorrer febre durante a indução com o uso de PG do que 
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com o de ocitocina. A hiperestimulação uterina ocorre mais frequentemente 
com as prostaglandinas do que com a administração da ocitocina. O diagnósti-
co de hiperestimulação pode ser conduzido com a amostragem do sangue fetal 
pelo escalpe e, se confirmado, deverá ser manejado com a administração de 
agentes tocolíticos ou até terá que ser resolvido por meio de cesariana. 
 \u2022 Não há diferença na incidência de retenção placentária, de hemorragia pós- 
parto e de febre durante o puerpério. Quanto ao ponto de vista materno, pou-
cos dados têm sido relatados, mas os existentes são mais favoráveis à prosta-
glandina, por ser considerada mais agradável, mais natural e menos invasiva do 
que a administração intravenosa da ocitocina.
 \u2022 Não há evidência científica comprovando que o protocolo de indução do tra-
balho de parto com prostaglandina aumente ou diminua as taxas de cesariana, 
embora ela esteja associada a menor necessidade de analgesia (peridural).
Aspectos emocionais do óbito fetal
Muitos fatores afetam a reação dos pais ao receber a notícia do óbito fetal. A 
perda de uma criança pode ser tão significativa quanto a perda de um adulto. A ausên-
cia de uma criança pode gerar muita ansiedade visto que a presença dela poderia fa-
cilitar uma ligação emocional muito importante entre os familiares. A perda pode ser 
tão estressante que afeta as gestações subsequentes e o relacionamento dos pais. A 
equipe médica e os profissionais de saúde devem estar cientes de que os pais recordam 
frequentemente as palavras exatas usadas para transmitir a informação, consequente-
mente a escolha das palavras e a maneira de enunciá-las são muito importantes. Seja 
direto, honesto, compreensivo e breve. É apropriado mostrar interesse e tristeza pelo 
fato ocorrido. Pergunte aos pais: quem poderá ajudá-los a cuidar e tratar desta perda? 
Identifique os setores de referência da região a fim de fazer o encaminhamento apro-
priado para a equipe que auxiliará no suporte emocional. Também é importante dar 
aos pais a esperança para o futuro.
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INFECÇÃO URINÁRIA
Este é o problema urinário mais comum durante a gestação. Ocorre em 17 a 
20% das gestações e se associa a complicações como rotura prematura de membranas 
ovulares, trabalho de parto prematuro, corioamnionite, febre no pós-parto, sepse ma-
terna e infecção neonatal. O quadro clínico varia de bacteriúria assintomática, que 
acomete de 2 a 10% das gestantes, até o quadro de pielonefrite. Em 80% dos casos de 
bacteriúria assintomática, a Escherichia coli é o agente etiológico identificado.
Bacteriúria assintomática 
A bacteriúria assintomática caracteriza-se pela presença de bactérias na urina 
sem sintomatologia específica. Recomenda-se a realização de cultura de urina no pri-
meiro e terceiro trimestres da gravidez para se detectar a bacteriúria, tendo em vista a 
sua associação com o desenvolvimento posterior de pielonefrite e ocorrência de baixo 
peso ao nascer. A presença de mais de 100 mil unidades formadoras de colônias bac-
terianas por ml de urina confirma o diagnóstico. O tratamento é o mesmo para a cistite 
ou de acordo com a cultura e teste de sensibilidade.
Cistite
Caracteriza-se por disúria, polaciúria, urgência miccional, dor retropúbica, su-
prapúbica e abdominal, com menor frequência hematúria. O diagnóstico laborato-
rial é dado pelo exame do sedimento urinário e pela cultura. A presença de leucoci-
túria (acima de 10 leucócitos por campo) e hematúria são comuns, mas não estão 
necessaria mente presentes.
As opções terapêuticas podem ser em regime de dose única, de curta duração 
ou longa duração. A escolha de um ou outro método dependerá da avaliação clínica 
do grau de comprometimento da gestante. Ver quadro abaixo.
Quadro 11. Tratamento da Infecção Urinária
Curta duração \u2013 3 a 5 dias Longa duração \u2013 7 a 10 dias
Nitrofurantoína 100mg VO de 6/ 6 horas
Ampicilina 500mg VO de 6/ 6 horas 
Amoxacilina 500mg VO de 8/ 8 horas 
Cefalexina 500mg VO de 6/ 6 horas 
Nitrofurantoína 100mg VO de 6/ 6 horas 
Ampicilina 500mg VO de 6/ 6 horas 
Amoxacilina 500mg VO de 8/ 8 horas 
Cefalexina 500mg VO de 6/ 6 horas 
Pielonefrite
Caracteriza-se pela queda do estado geral com presença de sintomas como: 
febre, calafrios, cefaleia, náuseas, vômitos e hipersensibilidade do ângulo costo-ver-
tebral (sinal de Giordano +). Pode estar associada à desidratação, comprometimento 
da função renal, hemólise, anemia, choque séptico, prematuridade e infecção feto-
anexial e puerperal.
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Todas as gestantes com diagnóstico de pielonefrite devem ser hospitalizadas. 
Deve-se solicitar hemograma completo, níveis séricos de eletrólitos, creatinina e cul-
tura de urina. É recomendada a hidratação com soluções salinas. 
A cultura de urina positiva é um dos principais achados laboratoriais. As bactérias 
mais frequentes são Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Enterobacter e Proteus mirabilis.
É importante estabelecer diagnóstico diferencial com apendicite, corioamnionite, 
pneumonia, nefrolitíase, abscesso renal, insuficiência cardíaca e embolia pulmonar.
O tratamento medicamentoso deve ser realizado com Cefalotina ou Cefazolina 
1,0g IV a cada 6 horas ou Ampicilina 1,0g IV a cada 6 horas. Mudar para terapia oral as-
sim que a gestante permanecer afebril por 24\u201348 horas. Em caso de resistência a essas 
drogas, o uso da Gentamicina na dose de 5\u20137mg/Kg em dose única diária também 
pode ser adotado com realização de controle adequado da função renal por intermé-
dio da dosagem de creatinina plasmática. Manter tratamento por via oral por 10 dias. 
Em todos os casos de infecção urinária deve-se realizar cultura de urina para 
controle de cura 7 dias após o final do tratamento e esta deve ser repetida mensal-
mente até o parto.
Se o tratamento falhar ou a infecção recorrer, tratar com antibiótico apropriado 
para o microorganismo de acordo com a cultura e testes de sensibilidade.
Recomenda-se após infecções recorrentes, realizar profilaxia com antibioticote-
rapia oral, uma vez ao dia durante a gravidez e até duas semanas após o parto, com 
Nitrofurantoína 100 mg OU Amoxacilina 250mg OU Cefalexina 250mg, na posologia 
preconizada no quadro 11.
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PNEUMONIAS NA GESTAÇÃO
A pneumonia é uma das principais causas de internação hospitalar no Brasil, 
com cerca de dois milhões de casos e um milhão de internações ao ano segundo o 
DATASUS. Habitualmente a pneumonia não é tão frequente nem tem evolução tão 
grave na gestação, apesar de aumentar o risco de parto prematuro e baixo peso ao 
nascimento. Fatores de risco em grávidas são asma, uso de corticoides e anemia.
Os agentes mais frequentes costumam ser os mesmos da pneumonia comu-
nitária na não gestante: Pneumococo, Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia pneumo-
niae e Haemophillus influenza e, menos frequentemente, a Legionella pneumophilla e 
os vírus (influenza e varicela), além da pneumonia por aspiração.
Diagnóstico Clínico
Os sintomas característicos são dispneia, febre, dor torácica e tosse, embora 
comumente possa haver retardo no diagnóstico pela interpretação inadequada de 
sintomas respiratórios comuns na gestação normal. Ao exame físico pode haver ester-
toração, taquipneia e taquicardia. 
O diagnóstico diferencial deve incluir a pielonefrite, embolia pulmonar, edema 
agudo de pulmão, apendicite e cardiopatias, em particular a estenose mitral.
Propedêutica auxiliar