Gestacao_alto_risco
304 pág.

Gestacao_alto_risco


DisciplinaEnfermagem na Saúde Reprodutiva e Perinatal22 materiais206 seguidores
Pré-visualização50 páginas
seguida de sudorese (paroxismo malárico), evento que dura de duas a 
seis horas, seguido de um período assintomático, e que se repete a cada 48\u201372 horas 
segundo a espécie causadora (36 a 48 horas para o P. falciparum, 48 horas para o P. 
vivax e 72 horas para o P. malariae).
Malária e gravidez
A gestante tem um risco maior de desenvolver as formas complicadas da ma-
lária (ver quadro 13) especialmente a anemia grave da malária (Hb <7g/dL). Embora 
seja comum afirmar que os piores efeitos ocorrem durante a primeira gestação, em 
áreas de transmissão instável como ocorre no Brasil, a malária grave pode ocorrer em 
qualquer paridade.
Ainda que a malária grave esteja mais associada à infecção por P. falciparum, 
os efeitos nocivos sobre a gestação são comuns também à infecção por P. vivax. Entre 
estes efeitos, existe a ameaça à evolução da gestação que pode levar ao aborto ou ao 
parto prematuro, conforme a idade gestacional e o momento da infecção. 
No feto ocorre com maior frequência o sofrimento fetal, um problema pouco 
diagnosticado, além de crescimento intrauterino restrito; não raramente ocorre a na-
timortalidade. 
120
No recém-nascido, o baixo peso ao nascer é consequência da diminuição do 
período gestacional em mulheres com pouca ou nenhuma imunidade, habitantes ou 
procedentes de áreas de transmissão mais instável, enquanto que o crescimento in-
trauterino restrito é predominante em mulheres procedentes de áreas de maior esta-
bilidade de transmissão. A infecção congênita é pouco suspeitada e, portanto, pouco 
diagnosticada, mas deveria ser investigada em bebês de gestantes que tiveram malá-
ria durante a gravidez ou quando, no dia do parto, é evidenciada parasitemia no san-
gue periférico materno, no sangue do cordão ou no sangue placentário.
Quadro 13. Acometimento da Malária segundo os critérios da OMS
MALÁRIA GRAVE
1. MALÁRIA CEREBRAL Parasitemia + Coma 
2. ANEMIA Grave
- Hb g/dL <7
- Htc% <20
3. INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA Diurese <400ml/dia ou <5ml/kg/dia
- Creatinina mg/dL >3,0
4. EDEMA PULMONAR
5. HIPOGLICEMIA Grave
- Glicose mg/dL <40
6. CHOQUE PAS <70mmHg
7. CIVD Sangramento espontâneo não vaginal
Outras Manifestações
A. HIPERPARASITEMIA eritrócitos infectados >10000
B. COMPROMISSO HEPÁTICO
- Bilirrubina Total mg/dL >3,0
- AST/TGO UI/l >144
- ALT/TGP UI/l >150
C. DISFUNÇÃO METABÓLICA
- Acidose mmol/L <15
- Acidose láctica mg/dL >45
Diagnóstico
A quase totalidade das áreas de transmissão de malária no Brasil está na Amazônia 
Legal, que compreende os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, 
Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. As populações desses estados estão em risco per-
manente de adquirir a infecção em qualquer fase de sua vida. Assim, toda mulher em 
idade fértil ao engravidar está suscetível à doença e a seus efeitos nocivos sobre o binômio 
mãe-concepto. Portanto, é necessário que seja facilitado o acesso ao diagnóstico e ao 
121
tratamento precoce quando existe a suspeita clínica ou epidemiológica da infecção. A 
lâmina de malária (exame da gota espessa) deve fazer parte dos exames de rotina do 
controle pré-natal em áreas endêmicas (busca ativa de casos) e deve também ser solici-
tada em gestantes com quadro febril agudo, inclusive naquelas gestantes com quadro 
clínico sugestivo de infecção urinária, uma vez que as duas doenças podem apresentar 
quadros clínicos similares (detecção passiva de casos).
Diagnóstico laboratorial 
O diagnóstico de certeza da infecção malárica só é possível pela visualização 
do parasito, ou de antígenos relacionados, no sangue periférico da gestante, pelos 
métodos diagnósticos especificados a seguir:
Gota espessa \u2013 É o método adotado oficialmente no Brasil para o diagnóstico da 
malária. Mesmo após o avanço de técnicas diagnósticas, este exame continua sendo 
um método simples, eficaz, de baixo custo e de fácil realização. Sua técnica baseia-
se na visualização do parasito por meio de microscopia óptica, após coloração com 
corante vital (azul de metileno e Giemsa), permitindo a diferenciação específica dos 
parasitos, a partir da análise da sua morfologia e dos estágios de desenvolvimento 
encontrados no sangue periférico. A determinação da densidade parasitária, útil para 
a avaliação prognóstica, deve ser realizada em toda gestante com malária, especial-
mente nas portadoras de P. falciparum.
Esfregaço delgado \u2013 Estima-se que a gota espessa seja 30 vezes mais eficiente que o 
esfregaço delgado na detecção da infecção malárica. Porém, apesar da baixa sensibili-
dade diagnóstica, o esfregaço delgado é o único método que permite, com facilidade 
e segurança, a diferenciação específica dos parasitos, a partir da análise da sua morfo-
logia e das alterações provocadas no eritrócito infectado. 
Importância da gota espessa nas consultas de pré-natal
A Secretaria de Vigilância em Saúde, visando à proteção da gestante e do concepto 
aos efeitos deletérios da malária, recomenda a realização do exame da gota espessa em 
todas as consultas de pré-natal nos estados da Amazônia Legal, como segue:
a) Orientar a gestante quanto aos efeitos da malária durante a gravidez, enfati-
zando a importância de procurar atendimento rápido, quando necessário;
b) Realizar exame da gota espessa nas gestantes, em todas as suas consultas de pré-
natal, nos municípios prioritários da Amazônia Legal, onde a malária é endêmica;
c) Registrar na ficha do Sivep-Malária todos os exames realizados, ressaltando a 
importância de preencher o campo \u201cgravidez\u201d;
d) Entregar o resultado do exame no mesmo dia e iniciar o tratamento pronta-
mente em caso de lâmina positiva; e
e) Assegurar a adesão ao tratamento indicado no Manual de Terapêutica da 
Malária do Ministério da Saúde.
Critérios para a realização da Lâmina de Verificação de Cura (LVC) em gestantes 
com malária
Classifica-se como LVC o exame de microscopia (gota espessa e/ou esfregaço), 
realizado durante e após tratamento recente, em gestantes previamente diagnostica-
das com malária.
122
Na gestante, a realização dos controles periódicos pela LVC é feita durante os 
primeiros 40 dias (P. falciparum) e 60 dias (P. vivax) após o início do tratamento e deve 
constituir-se em conduta regular na atenção a todas as gestantes com malária.
Assim, a LVC na gestante deverá ser realizada da seguinte forma:
a) Nos dias 2, 4, 7, 14, 21, 28, e 40 após o início do tratamento da gestante com malária 
por Plasmodium falciparum;
b) Nos dias 2, 4, 7, 14, 21, 28, 40 e 60 após o início do tratamento da gestante com 
malária por Plasmodium vivax.
Em caso de lâmina positiva após os limites máximos acima especificados, a 
gestante deverá ser classificada como caso novo de malária. A classificação de caso 
novo também cabe quando o indivíduo é infectado por um parasito e após análise da 
LVC ocorre a identificação de outra espécie parasitária. Será necessário elaborar nova 
ficha de notificação. Em todos os casos, o tratamento deverá ser iniciado o mais 
precocemente possível. 
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial da malária é feito com a febre tifoide, febre amarela, 
leptospirose, hepatite infecciosa, calazar, doença de Chagas aguda e outros processos 
febris. Na fase inicial, principalmente na criança, a malária confunde-se com outras 
doen ças infecciosas dos tratos respiratório, urinário e digestivo, quer de etiologia viral 
ou bacteriana. No período de febre intermitente, as principais doenças que se confun-
dem com a malária são as infecções urinárias, tuberculose miliar, salmoneloses septi-
cêmicas, calazar, endocardite bacteriana e as leucoses. Todas apresentam febre e, em 
geral, esplenomegalia. Algumas delas apresentam anemia e hepatomegalia. 
Seguimento
Uma vez diagnosticada, a malária deve ser imediatamente tratada, consideran-
do-se a idade gestacional, a espécie causadora