Gestacao_alto_risco
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Gestacao_alto_risco


DisciplinaEnfermagem na Saúde Reprodutiva e Perinatal22 materiais206 seguidores
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dedicar atenção especial a uma pequena parcela de mulheres grávi-
das que são portadoras de doenças que podem se agravar durante a gestação ou que 
apresentarão problemas que podem ter sido desencadeados nesse período.
Para atender às necessidades desse segmento, é necessário que o governo 
fede ral, por meio do Ministério da Saúde, assim como os estados e municípios desen-
volvam estratégias com o objetivo de organizar os sistemas de atenção à gestação, 
parto e puerpério visando a uma assistência hierarquizada e integralizada no sentido 
de cumprir os princípios constitucionais do SUS.
O Manual Técnico de Gestação de Alto Risco que o Ministério da Saúde apre-
senta foi elaborado para orientar a equipe assistencial no diagnóstico e tratamento 
das doenças e/ou problemas que afligem a mulher durante a gravidez. Objetiva tam-
bém uniformizar as condutas, contribuindo para uma atuação mais coesa da equipe, 
assim como para a oferta de uma assistência eficiente e de qualidade. 
Esta é uma edição ampliada do manual anterior, pois além da devida revisão 
técnica e atualização do conteúdo, contou com a inserção de novos capítulos. Para sua 
elaboração, adotou-se como referência as melhores evidências científicas correntes 
que orientam determinada prática diagnóstica e/ou terapêutica.
É importante que os profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde incor-
porem esses novos conhecimentos em sua prática, para que a redução da morbidade 
e mortalidade materna e perinatal possam ser alcançadas.
Ministério da Saúde
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INTRODUÇÃO
A morbimortalidade materna e perinatal continuam ainda muito elevadas no 
Brasil, incompatíveis com o atual nível de desenvolvimento econômico e social do País. 
Sabe-se que a maioria das mortes e complicações que surgem durante a gravidez, 
parto e puerpério são preveníveis, mas para isso é necessária a participação ativa do 
sistema de saúde. Vários países em desenvolvimento já conseguiram obter excelentes 
resultados na melhoria de seus indicadores por meio de ações organizadas, amplas, 
integradas e com cobertura abrangente, utilizando tecnologias simplificadas e eco-
nomicamente viáveis.
Após a Conferência Internacional de População e Desenvolvimento realizada 
no Cairo, Egito, em 1994, o conceito de saúde reprodutiva evoluiu, ganhando enfoque 
igualmente prioritário os indicadores de saúde relativos à morbidade, à mortalidade 
e ao bem-estar geral da população feminina. Esse conceito lança novo olhar sobre 
o processo saúde-doença, ampliando a cidadania das mulheres para além da ma-
ternidade.
A gestação é um fenômeno fisiológico e, por isso mesmo, sua evolução se dá na 
maior parte dos casos sem intercorrências. Apesar desse fato, há uma parcela pequena 
de gestantes que, por serem portadoras de alguma doença, sofrerem algum agravo 
ou desenvolverem problemas, apresentam maiores probabilidades de evolução des-
favorável, tanto para o feto como para a mãe.
Essa parcela constitui o grupo chamado de \u201cgestantes de alto risco\u201d. Esta visão 
do processo saúde-doença, denominada Enfoque de Risco, fundamenta-se no fato 
de que nem todos os indivíduos têm a mesma probabilidade de adoecer ou morrer, 
sendo tal probabilidade maior para uns que para outros. Essa diferença estabelece um 
gradiente de necessidade de cuidados que vai desde o mínimo, para os indivíduos 
sem problemas ou com poucos riscos de sofrerem danos, até o máximo necessário 
para aqueles com alta probabilidade de sofrerem agravos à saúde.
Para uma atuação eficiente da equipe de assistência, visando à identificação 
dos problemas que possam resultar em maiores danos à saúde das mulheres e/ou seus 
filhos ou filhas, é necessária a utilização de instrumentos discriminadores no processo 
de recomendar, gerar e fornecer cuidados de maneira diferenciada.
As necessidades das mulheres que não apresentam problemas durante a gravi-
dez são resolvidas, de maneira geral, com procedimentos simples no nível primário 
de assistência. Embora as mulheres que apresentam problemas possam necessitar de 
procedimentos mais complexos que só podem ser solucionados nos níveis secundário 
e terciário, com equipe de saúde e tecnologia sofisticadas, alguns casos também po-
dem ser resolvidos no nível primário. A definição do nível de assistência necessário 
para a solução dos problemas dependerá do problema apresentado e qual intervenção 
será realizada. Como exemplo, uma gestante tabagista que poderia apresentar com-
plicações durante a gestação, principalmente em relação à criança, poderá ser mane-
jada no nível primário, por intermédio de medidas educativas que visem à cessação 
do hábito de fumar. Por outro lado, se essa mesma gestante desenvolve problemas 
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como uma restrição grave do crescimento fetal, deverá ser assistida em um nível mais 
complexo de assistência. 
As normas de assistência devem permitir identificação precoce e adequada 
dos problemas que a gestante apresente, assim como os procedimentos diagnósticos 
e terapêuticos necessários, e em que nível de assistência os mesmos serão realizados. 
Assim, o controle pré-natal da gestante sem problemas poderá ser diferente daquela 
que apresenta problemas, seja em objetivos, conteúdos, número de consultas e tipo 
de equipe que presta a assistência.
A finalidade da presente norma é auxiliar a equipe de saúde, disponibilizando 
instrumentos no processo de organização da assistência materna e perinatal, uni-
formizando conceitos e critérios para a abordagem da gestação de alto risco. Ela pre-
tende cobrir os aspectos clínicos associados à gestação de risco, sem se sobrepor às 
informações e recomendações de outras normas e manuais técnicos do Ministério da 
Saúde, incluindo o de pré-natal e puerpério, de doenças sexualmente transmissíveis, 
de emergências e outros.
Por outro lado, com a forma esquemática adotada, pretende-se facilitar o pro-
cesso de tomada de decisões no atendimento obstétrico e perinatal, sem dispensar o 
conhecimento de outras fontes técnico-científicas.
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GESTAÇÃO DE ALTO RISCO
Bases Gerais
A gestação é um fenômeno fisiológico e deve ser vista pelas gestantes e equipes 
de saúde como parte de uma experiência de vida saudável envolvendo mudanças 
dinâmicas do ponto de vista físico, social e emocional. Entretanto, trata-se de uma situa-
ção limítrofe que pode implicar riscos tanto para a mãe quanto para o feto e há um de-
terminado número de gestantes que, por características particulares, apresentam maior 
probabilidade de evolução desfavorável, são as chamadas \u201cgestantes de alto risco\u201d.
Gestação de Alto Risco é \u201caquela na qual a vida ou a saúde da mãe e/ou do feto 
e/ou do recém-nascido têm maiores chances de serem atingidas que as da média da 
população considerada\u201d. (CALDEYRO-BARCIA, 1973).
Embora os esforços dos cientistas para criar um sistema de pontuação e tabe-
las para discriminar as gestantes de alto risco das de baixo risco não tenham gerado 
nenhu ma classificação capaz de predizer problemas de maneira acurada, existem fa-
tores de risco conhecidos mais comuns na população em geral que devem ser identifi-
cados nas gestantes, pois podem alertar a equipe de saúde no sentido de uma vigilân-
cia maior com relação ao eventual surgimento de fator complicador.
A assistência pré-natal pressupõe avaliação dinâmica das situações de risco e 
prontidão para identificar problemas de forma a poder atuar, a depender do problema 
encontrado, de maneira a impedir um resultado desfavorável. A ausência de controle 
pré-natal, por si mesma, pode incrementar o risco para a gestante ou o recém-nascido.
É importante alertar que uma gestação que está transcorrendo bem pode se 
tornar de risco a qualquer momento, durante a evolução da gestação ou durante o 
trabalho de parto. Portanto, há necessidade de reclassificar o risco a cada consulta pré-
natal e durante o trabalho de parto. A intervenção precisa